Ir para o conteúdo

O que faz um coroinha? Funções, veste e como servir no altar

Um coroinha de batina vermelha e sobrepeliz segura o livro ao lado do sacerdote que abençoa

Ele chega antes do padre, acende as velas, leva a cruz na procissão e toca a campainha na hora mais santa da Missa. Mas, afinal, o que faz um coroinha? É o menino ou a menina, o jovem ou o adulto, que serve ao altar e ajuda o sacerdote durante a celebração.

Veja quais são as funções do coroinha, o que ele veste, a diferença para o acólito, quem são os seus padroeiros e como começar a servir.

Resposta rápida

O que faz um coroinha na Missa?

O coroinha serve ao altar: leva a cruz, as velas e o turíbulo nas procissões, apresenta o missal ao sacerdote, traz o pão, o vinho e a água ao ofertório, ajuda no lavabo e toca a campainha na consagração. Faz um serviço semelhante ao do acólito instituído, mas sem ter recebido esse ministério.

O que é um coroinha

A Instrução Geral do Missal Romano prevê que, na falta de acólito instituído, leigos possam ser destinados ao serviço do altar, levando “a cruz, os círios, o turíbulo, o pão, o vinho e a água” (IGMR 100). A escolha cabe ao pároco, e o serviço ao altar segue as normas do bispo para a diocese (IGMR 107).

A instrução Redemptionis Sacramentum (2004) chama de “muito louvável” o costume de crianças e jovens, “denominados normalmente assistentes (coroinhas)”, servirem junto ao altar, recebendo uma catequese adaptada à sua idade (n. 47). Servir ao altar é servir a Cristo presente na Eucaristia, de perto, com reverência.

Grupo de coroinhas de sobrepeliz com os sacerdotes diante do altar de uma igreja em 1900
Coroinhas e sacerdotes diante do altar da Plaza Church, Los Angeles, em 20 de novembro de 1900. Imagem: domínio público, via Wikimedia Commons

O que faz um coroinha na Missa

As funções acompanham as partes da Missa, do começo ao fim. Em ordem:

  1. Antes da Missa: acende as velas e ajuda a preparar a credência, a mesinha lateral onde ficam o cálice, as galhetas e o lavabo.
  2. Procissão de entrada: leva a cruz, ladeada por dois coroinhas com círios acesos (IGMR 188).
  3. Durante a celebração: apresenta o livro ao sacerdote sempre que necessário (IGMR 189).
  4. Ofertório: leva ao altar o pão e as galhetas com vinho e água e despeja a água sobre as mãos do padre no lavabo.
  5. Consagração: pode tocar a campainha pouco antes da consagração e a cada elevação, “segundo os costumes locais” (IGMR 150).
  6. Comunhão: onde se usa, segura a bandeja sob a boca ou as mãos de quem comunga, para que nenhum fragmento caia (Redemptionis Sacramentum 93).
Coroinhas com turíbulo e velas acesas junto ao altar, funções de turiferário e ceroferário
Interior de igreja com coroinhas, aquarela de autor desconhecido (c. 1826 a 1866), Yale Center for British Art. Imagem: CC0, via Wikimedia Commons

Nas Missas solenes há funções com nomes próprios. O turiferário e o naveteiro cuidam do turíbulo e da naveta, explicados em incenso na Missa: quando se usa e como se chama. Os objetos que o coroinha leva à credência estão em os vasos sagrados da Missa e seus nomes.

FunçãoNomeO que faz
Levar a cruzCruciferárioAbre a procissão com a cruz processional
Levar as velasCeroferárioAcompanha a cruz e o Evangelho com círios acesos
Levar o turíbuloTuriferárioCuida do turíbulo com as brasas e o apresenta ao sacerdote
Levar o incensoNaveteiroLeva a naveta com os grãos de incenso
Coordenar o serviçoCerimoniárioOrienta os demais para a boa ordem do rito (IGMR 106)
Servir ao altarCoroinhaLivro, galhetas, lavabo, campainha e bandeja
Funções do coroinha na Missa e seus nomes
Campainha de altar junto aos degraus do presbitério, tocada pelo coroinha na consagração
Campainha de altar na Catedral de São Mel, Longford, Irlanda. Imagem: Andreas F. Borchert, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

A campainha chama a atenção dos fiéis para o momento da consagração. O site responde à acusação de que o uso de sinos na Missa seria uma invenção de 1245.

Coroinha e acólito: qual a diferença

Por séculos, o acolitato foi uma das ordens menores, etapa obrigatória a caminho do sacerdócio. Em 15 de agosto de 1972, São Paulo VI, com o motu proprio Ministeria quaedam, suprimiu a tonsura, as ordens menores e o subdiaconato, e manteve o leitorado e o acolitato como ministérios instituídos.

Hoje o acólito instituído recebe esse ministério por um rito próprio. Compete-lhe preparar o altar e os vasos sagrados e, se necessário, distribuir a Comunhão como ministro extraordinário (IGMR 98). Em 10 de janeiro de 2021, o Papa Francisco abriu esses ministérios também às mulheres com o motu proprio Spiritus Domini.

AspectoCoroinhaAcólito instituído
Como começaEscolhido pelo pároco, com uma bênção ou nomeação temporáriaInstituído por um rito litúrgico próprio
IdadeEm geral crianças e jovensAdultos, segundo as normas da Conferência Episcopal
FunçõesCruz, velas, turíbulo, livro, galhetas, campainhaAs mesmas, e ainda preparar o altar e purificar os vasos
ComunhãoNão distribuiPode distribuir como ministro extraordinário
BaseIGMR 100 e 107IGMR 98 e 187-193; Ministeria quaedam
Diferença entre coroinha e acólito instituído
São Tarcísio morto apertando a Eucaristia contra o peito, o jovem acólito mártir do século III
Tarcísio, mártir cristão, mármore de Alexandre Falguière (1868), Museu de Orsay, Paris. Imagem: Alexandre Falguière; foto de Romainbehar, CC0, via Wikimedia Commons

O serviço é antigo. Bento XVI contou aos acólitos reunidos em Roma, em 4 de agosto de 2010, a história de São Tarcísio, jovem do século III que “presumivelmente era um acólito”. Levando a Eucaristia aos presos, foi atacado e preferiu morrer a entregar o Santíssimo.

O que o coroinha veste

Os ministros leigos podem usar a alva ou outra veste aprovada pela Conferência Episcopal (IGMR 339). No Brasil são comuns a túnica branca com cíngulo, ou a batina com a sobrepeliz, uma veste branca curta por cima. Em muitas paróquias a cor do cíngulo ou da gola acompanha as cores litúrgicas de cada tempo.

Coroinhas de batina vermelha e sobrepeliz branca na sacristia, com o turíbulo no chão
Coroinhas na sacristia, de Théophile Emmanuel Duverger (século XIX). Imagem: Théophile Emmanuel Duverger, domínio público, via Wikimedia Commons

As vestes do clero, como a casula e a estola, são outra coisa, descritas em paramentos litúrgicos da Missa e quem usa cada um.

Quem é o padroeiro dos coroinhas

São João Berchmans ajoelhado com o crucifixo, o rosário e a regra, venerado como patrono dos coroinhas
São João Berchmans, gravura de Boetius à Bolswert (c. 1621 a 1633), Rijksmuseum. Imagem: Boetius à Bolswert, CC0, via Wikimedia Commons

O grande padroeiro é São Tarcísio: ao falar aos acólitos, Bento XVI o chamou de “vosso Padroeiro”. Sua memória é lembrada no Martirológio Romano em 15 de agosto. Também é venerado como patrono dos coroinhas São João Berchmans, jesuíta belga de Diest, morto em Roma em 1621 e canonizado em 1888.

Muitos grupos de coroinhas também tomam por modelo São Domingos Sávio, aluno de Dom Bosco, que amava servir à Missa e morreu aos 14 anos.

Como ser coroinha

Cada paróquia organiza o seu grupo, mas o caminho costuma ser este:

  1. Falar com o pároco ou com o coordenador dos coroinhas da paróquia.
  2. Em geral, já ter feito a Primeira Comunhão, ou estar na preparação para a Primeira Eucaristia.
  3. Participar da formação: partes da Missa, nomes dos objetos, gestos e postura, num caminho próximo da catequese da paróquia.
  4. Assumir uma escala e chegar cedo, com a veste limpa.
  5. Servir com reverência: genuflexão diante do sacrário onde está o Santíssimo, silêncio e atenção.

Muitos sacerdotes descobriram a vocação servindo ao altar. Quem sente esse chamado encontra os passos em como ser padre católico.

Menina pode ser coroinha?

Sim, onde o bispo permitir. Em 15 de março de 1994, a Congregação para o Culto Divino comunicou às Conferências Episcopais que o serviço ao altar pode ser confiado também a mulheres. A Redemptionis Sacramentum confirma: meninas e mulheres podem ser admitidas a esse serviço “de acordo com os critérios do Bispo diocesano” (n. 47).

O que faz um coroinha na Igreja?

Serve ao altar nas Missas e celebrações: acende as velas, leva a cruz e os círios nas procissões, ajuda com o turíbulo, apresenta o livro ao sacerdote, traz o pão, o vinho e a água, ajuda no lavabo e toca a campainha na consagração.

Qual a diferença entre coroinha e acólito?

O acólito instituído recebe esse ministério por um rito próprio e, além de servir ao altar, pode preparar os vasos sagrados e distribuir a Comunhão como ministro extraordinário. O coroinha faz um serviço semelhante, designado pelo pároco, sem ter recebido o ministério.

Como ser coroinha?

Procure o pároco ou o coordenador dos coroinhas da sua paróquia. Em geral pede-se a Primeira Comunhão feita ou em preparação, a participação na formação sobre a Missa e o compromisso com uma escala. O mais importante é servir com fé e reverência.

Qual o padroeiro dos coroinhas?

São Tarcísio, jovem mártir romano do século III que morreu defendendo a Eucaristia, chamado por Bento XVI de padroeiro dos acólitos. Também são lembrados São João Berchmans, jesuíta belga, e São Domingos Sávio, aluno de Dom Bosco.

Menina pode ser coroinha?

Sim. Desde 1994 a Santa Sé permite que meninas e mulheres sirvam ao altar, segundo os critérios do bispo diocesano. A instrução Redemptionis Sacramentum, de 2004, confirma essa norma. Por isso a prática varia de uma diocese para outra.

O coroinha não está no altar para enfeitar a Missa, mas para servir a Deus com o corpo, a atenção e o coração. Quem serve bem aprende a rezar a Missa por dentro. Para ver o que acontece em cada momento da celebração, leia também sobre a Eucaristia, centro da vida da Igreja.