Ele chega antes do padre, acende as velas, leva a cruz na procissão e toca a campainha na hora mais santa da Missa. Mas, afinal, o que faz um coroinha? É o menino ou a menina, o jovem ou o adulto, que serve ao altar e ajuda o sacerdote durante a celebração.
Veja quais são as funções do coroinha, o que ele veste, a diferença para o acólito, quem são os seus padroeiros e como começar a servir.
Resposta rápida
O que faz um coroinha na Missa?
O coroinha serve ao altar: leva a cruz, as velas e o turíbulo nas procissões, apresenta o missal ao sacerdote, traz o pão, o vinho e a água ao ofertório, ajuda no lavabo e toca a campainha na consagração. Faz um serviço semelhante ao do acólito instituído, mas sem ter recebido esse ministério.
O que é um coroinha
A Instrução Geral do Missal Romano prevê que, na falta de acólito instituído, leigos possam ser destinados ao serviço do altar, levando “a cruz, os círios, o turíbulo, o pão, o vinho e a água” (IGMR 100). A escolha cabe ao pároco, e o serviço ao altar segue as normas do bispo para a diocese (IGMR 107).
A instrução Redemptionis Sacramentum (2004) chama de “muito louvável” o costume de crianças e jovens, “denominados normalmente assistentes (coroinhas)”, servirem junto ao altar, recebendo uma catequese adaptada à sua idade (n. 47). Servir ao altar é servir a Cristo presente na Eucaristia, de perto, com reverência.

O que faz um coroinha na Missa
As funções acompanham as partes da Missa, do começo ao fim. Em ordem:
- Antes da Missa: acende as velas e ajuda a preparar a credência, a mesinha lateral onde ficam o cálice, as galhetas e o lavabo.
- Procissão de entrada: leva a cruz, ladeada por dois coroinhas com círios acesos (IGMR 188).
- Durante a celebração: apresenta o livro ao sacerdote sempre que necessário (IGMR 189).
- Ofertório: leva ao altar o pão e as galhetas com vinho e água e despeja a água sobre as mãos do padre no lavabo.
- Consagração: pode tocar a campainha pouco antes da consagração e a cada elevação, “segundo os costumes locais” (IGMR 150).
- Comunhão: onde se usa, segura a bandeja sob a boca ou as mãos de quem comunga, para que nenhum fragmento caia (Redemptionis Sacramentum 93).

Nas Missas solenes há funções com nomes próprios. O turiferário e o naveteiro cuidam do turíbulo e da naveta, explicados em incenso na Missa: quando se usa e como se chama. Os objetos que o coroinha leva à credência estão em os vasos sagrados da Missa e seus nomes.
| Função | Nome | O que faz |
|---|---|---|
| Levar a cruz | Cruciferário | Abre a procissão com a cruz processional |
| Levar as velas | Ceroferário | Acompanha a cruz e o Evangelho com círios acesos |
| Levar o turíbulo | Turiferário | Cuida do turíbulo com as brasas e o apresenta ao sacerdote |
| Levar o incenso | Naveteiro | Leva a naveta com os grãos de incenso |
| Coordenar o serviço | Cerimoniário | Orienta os demais para a boa ordem do rito (IGMR 106) |
| Servir ao altar | Coroinha | Livro, galhetas, lavabo, campainha e bandeja |

A campainha chama a atenção dos fiéis para o momento da consagração. O site responde à acusação de que o uso de sinos na Missa seria uma invenção de 1245.
Coroinha e acólito: qual a diferença
Por séculos, o acolitato foi uma das ordens menores, etapa obrigatória a caminho do sacerdócio. Em 15 de agosto de 1972, São Paulo VI, com o motu proprio Ministeria quaedam, suprimiu a tonsura, as ordens menores e o subdiaconato, e manteve o leitorado e o acolitato como ministérios instituídos.
Hoje o acólito instituído recebe esse ministério por um rito próprio. Compete-lhe preparar o altar e os vasos sagrados e, se necessário, distribuir a Comunhão como ministro extraordinário (IGMR 98). Em 10 de janeiro de 2021, o Papa Francisco abriu esses ministérios também às mulheres com o motu proprio Spiritus Domini.
| Aspecto | Coroinha | Acólito instituído |
|---|---|---|
| Como começa | Escolhido pelo pároco, com uma bênção ou nomeação temporária | Instituído por um rito litúrgico próprio |
| Idade | Em geral crianças e jovens | Adultos, segundo as normas da Conferência Episcopal |
| Funções | Cruz, velas, turíbulo, livro, galhetas, campainha | As mesmas, e ainda preparar o altar e purificar os vasos |
| Comunhão | Não distribui | Pode distribuir como ministro extraordinário |
| Base | IGMR 100 e 107 | IGMR 98 e 187-193; Ministeria quaedam |

O serviço é antigo. Bento XVI contou aos acólitos reunidos em Roma, em 4 de agosto de 2010, a história de São Tarcísio, jovem do século III que “presumivelmente era um acólito”. Levando a Eucaristia aos presos, foi atacado e preferiu morrer a entregar o Santíssimo.
O que o coroinha veste
Os ministros leigos podem usar a alva ou outra veste aprovada pela Conferência Episcopal (IGMR 339). No Brasil são comuns a túnica branca com cíngulo, ou a batina com a sobrepeliz, uma veste branca curta por cima. Em muitas paróquias a cor do cíngulo ou da gola acompanha as cores litúrgicas de cada tempo.

As vestes do clero, como a casula e a estola, são outra coisa, descritas em paramentos litúrgicos da Missa e quem usa cada um.
Quem é o padroeiro dos coroinhas

O grande padroeiro é São Tarcísio: ao falar aos acólitos, Bento XVI o chamou de “vosso Padroeiro”. Sua memória é lembrada no Martirológio Romano em 15 de agosto. Também é venerado como patrono dos coroinhas São João Berchmans, jesuíta belga de Diest, morto em Roma em 1621 e canonizado em 1888.
Muitos grupos de coroinhas também tomam por modelo São Domingos Sávio, aluno de Dom Bosco, que amava servir à Missa e morreu aos 14 anos.
Como ser coroinha
Cada paróquia organiza o seu grupo, mas o caminho costuma ser este:
- Falar com o pároco ou com o coordenador dos coroinhas da paróquia.
- Em geral, já ter feito a Primeira Comunhão, ou estar na preparação para a Primeira Eucaristia.
- Participar da formação: partes da Missa, nomes dos objetos, gestos e postura, num caminho próximo da catequese da paróquia.
- Assumir uma escala e chegar cedo, com a veste limpa.
- Servir com reverência: genuflexão diante do sacrário onde está o Santíssimo, silêncio e atenção.
Muitos sacerdotes descobriram a vocação servindo ao altar. Quem sente esse chamado encontra os passos em como ser padre católico.
Menina pode ser coroinha?
Sim, onde o bispo permitir. Em 15 de março de 1994, a Congregação para o Culto Divino comunicou às Conferências Episcopais que o serviço ao altar pode ser confiado também a mulheres. A Redemptionis Sacramentum confirma: meninas e mulheres podem ser admitidas a esse serviço “de acordo com os critérios do Bispo diocesano” (n. 47).
O que faz um coroinha na Igreja?
Serve ao altar nas Missas e celebrações: acende as velas, leva a cruz e os círios nas procissões, ajuda com o turíbulo, apresenta o livro ao sacerdote, traz o pão, o vinho e a água, ajuda no lavabo e toca a campainha na consagração.
Qual a diferença entre coroinha e acólito?
O acólito instituído recebe esse ministério por um rito próprio e, além de servir ao altar, pode preparar os vasos sagrados e distribuir a Comunhão como ministro extraordinário. O coroinha faz um serviço semelhante, designado pelo pároco, sem ter recebido o ministério.
Como ser coroinha?
Procure o pároco ou o coordenador dos coroinhas da sua paróquia. Em geral pede-se a Primeira Comunhão feita ou em preparação, a participação na formação sobre a Missa e o compromisso com uma escala. O mais importante é servir com fé e reverência.
Qual o padroeiro dos coroinhas?
São Tarcísio, jovem mártir romano do século III que morreu defendendo a Eucaristia, chamado por Bento XVI de padroeiro dos acólitos. Também são lembrados São João Berchmans, jesuíta belga, e São Domingos Sávio, aluno de Dom Bosco.
Menina pode ser coroinha?
Sim. Desde 1994 a Santa Sé permite que meninas e mulheres sirvam ao altar, segundo os critérios do bispo diocesano. A instrução Redemptionis Sacramentum, de 2004, confirma essa norma. Por isso a prática varia de uma diocese para outra.
O coroinha não está no altar para enfeitar a Missa, mas para servir a Deus com o corpo, a atenção e o coração. Quem serve bem aprende a rezar a Missa por dentro. Para ver o que acontece em cada momento da celebração, leia também sobre a Eucaristia, centro da vida da Igreja.
