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O que é sacrário? Significado, história e regras do tabernáculo

Sacrário de mármore no altar-mor, com a porta de prata onde se guarda a Eucaristia

Em toda igreja católica há uma pequena caixa fechada, quase sempre dourada, com uma lâmpada acesa ao lado. Quem entra faz uma genuflexão diante dela. Mas, afinal, o que é sacrário e por que ele recebe tanto respeito?

Veja de onde vêm os seus nomes, o que a lei da Igreja exige, como ele mudou ao longo dos séculos e o que significa “sacrário vivo”.

Resposta rápida

O que é o sacrário na Igreja Católica?

O sacrário, também chamado tabernáculo, é o receptáculo sólido e trancado onde se guardam as hóstias consagradas que sobram da Missa. A reserva existe primeiro para levar a Comunhão aos doentes e moribundos e, depois, para a adoração dos fiéis. Como ali está Cristo realmente presente, uma lâmpada arde sempre diante dele e quem passa faz genuflexão.

Sacrário ou tabernáculo: de onde vêm os nomes

As duas palavras designam o mesmo objeto. Sacrário vem do latim sacrarium, o lugar onde se guardam as coisas sagradas. Tabernáculo vem de tabernaculum, que quer dizer tenda.

A nuvem da glória de Deus sobre a Tenda do Encontro, origem do nome tabernáculo (Ex 40,34)
O Tabernáculo no deserto, ilustração da Bíblia Holman (1890). Imagem: Ilustradores da Bíblia Holman, domínio público, via Wikimedia Commons

A tenda lembra a Tenda do Encontro que Deus mandou Moisés construir no deserto (Ex 25 e 26). Quando ela ficou pronta, a nuvem a cobriu e a glória do Senhor encheu a morada (Ex 40,34).

O Novo Testamento retoma a imagem: o Verbo se fez carne e, literalmente, “armou a sua tenda entre nós” (Jo 1,14). O sacrário cristão é o cumprimento dessa promessa.

Por que a Igreja guarda a Eucaristia

Depois da Comunhão, as hóstias consagradas que sobram continuam sendo o Corpo de Cristo, porque a transubstanciação não termina com a Missa. Por isso são guardadas no sacrário.

O Catecismo explica a ordem das razões. A santa reserva “era primeiro destinada a guardar dignamente a Eucaristia para que pudesse ser levada, fora da missa, aos doentes e aos ausentes” (CIC §1379). É dali que sai o viático, a última Comunhão de quem está para morrer.

Com o aprofundamento da fé na presença real, a Igreja tomou consciência do valor da adoração silenciosa diante das espécies eucarísticas (Catecismo, §1378-1379). A prática está explicada na adoração ao Santíssimo.

O que se guarda dentro do sacrário

As hóstias ficam num vaso próprio, a píxide ou cibório, e devem ser renovadas com frequência, consumindo-se as antigas (cân. 939). Veja os objetos que costumam ser confundidos:

ObjetoPara que serveOnde fica
Sacrário ou tabernáculoGuardar em segurança a Eucaristia reservadaNa capela do Santíssimo ou em lugar de destaque no presbitério
Cibório, âmbula ou píxideVaso com tampa que contém as hóstias consagradasDentro do sacrário; no altar durante a Missa
Custódia ou ostensórioExpor a hóstia grande à adoração e dar a bênção eucarísticaSobre o altar durante a exposição
Sacrário, cibório, custódia e outros vasos
Cibório medieval com tampa e cruz, o vaso que guarda as hóstias dentro do sacrário
Cibório com cenas da vida da Virgem e de Cristo, Espanha, meados do século XIV, Walters Art Museum. Imagem: domínio público, via Wikimedia Commons

A custódia aparece sobretudo na exposição do Santíssimo e na procissão de Corpus Christi. O cibório é o vaso de todos os dias, usado em cada rito da Comunhão na Missa.

Como o sacrário mudou ao longo da história

Na Idade Média não havia um costume único: guardava-se a Eucaristia num armário da sacristia, num nicho ou torre na parede do coro, numa pomba suspensa sobre o altar ou num pequeno armário sobre o próprio altar.

Pomba eucarística medieval, suspensa sobre o altar para guardar as hóstias consagradas
Pomba eucarística em esmalte, França, século XIII, Walters Art Museum. Imagem: domínio público, via Wikimedia Commons

As pombas eucarísticas, muitas delas feitas em esmalte de Limoges no século XIII, pendiam sobre o altar e lembravam o Espírito Santo. Nos países germânicos se ergueram as “casas do Sacramento”, torres de pedra que às vezes chegavam à abóbada.

Casa do Sacramento de Adam Kraft, torre de pedra gótica onde se guardava a Eucaristia
Casa do Sacramento de Adam Kraft na igreja de São Lourenço, Nuremberg (fim do século XV). Imagem: MatthiasKabel, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

A mais célebre é a de Adam Kraft, na igreja de São Lourenço, em Nuremberg, do fim do século XV. No século XVI, a partir de Roma e com o exemplo de São Carlos Borromeu, o sacrário passou a ficar sobre o altar-mor, costume que se espalhou depois do Concílio de Trento.

Hoje a Instrução Geral do Missal Romano diz que é mais conforme ao sinal que o sacrário não fique no altar onde se celebra a Missa. A juízo do bispo, ele pode ficar no presbitério, fora do altar da celebração, ou numa capela própria para a adoração, unida à igreja e visível aos fiéis (IGMR 315).

Sacrário no altar de uma capela do Santíssimo, lugar próprio para a adoração (IGMR 315)
Capela do Santíssimo da Catedral Basílica de Santa Maria da Assunção, Covington, Estados Unidos. Imagem: Nheyob, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

O que a lei da Igreja pede do sacrário

O Código de Direito Canônico trata da reserva eucarística nos cânones 934 a 944. As regras principais são estas:

RegraCânon ou IGMR
Normalmente, um só sacrário em cada igreja ou oratóriocân. 938 §1; IGMR 314
Em lugar insigne, visível, decorosamente adornado e apto para a oraçãocân. 938 §2; IGMR 314
Inamovível, de matéria sólida não transparente e bem fechadocân. 938 §3
A chave guardada com toda a cautelacân. 938 §5
Uma lâmpada especial sempre acesa diante delecân. 940; IGMR 316
Proibido guardar a Eucaristia em casa ou levá-la em viagem, salvo necessidade pastoral urgentecân. 935
O que a lei da Igreja pede do sacrário

Essas regras valem para qualquer igreja, da capela à catedral: a diferença entre basílica e catedral não muda a forma de guardar a Eucaristia.

Os sinais da presença: lâmpada, véu e genuflexão

Lâmpada do Santíssimo de prata com luz vermelha, sinal da presença de Cristo no sacrário
Lâmpada do Santíssimo da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Salvador, Bahia. Imagem: Paul R. Burley, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
  • A lâmpada: alimentada com azeite ou cera, ela fica sempre acesa para indicar e honrar a presença de Cristo (IGMR 316). Se está acesa, há hóstias consagradas no sacrário.
  • O véu ou conopeu: é a cortina que, por tradição, cobre o sacrário como uma tenda, branca ou na cor do dia (veja as cores litúrgicas e o seu significado).
  • A genuflexão: dobrar o joelho direito até o chão significa adoração. Por isso, diz a IGMR, “todos os que passam diante do Santíssimo Sacramento genuflectem, a não ser quando se vai em procissão” (IGMR 274).

O mesmo gesto de adoração aparece na forma de receber a Comunhão, como mostra o texto sobre comungar na boca e de joelhos.

O que é “sacrário vivo”?

Não é termo técnico, mas uma linguagem devocional. Aplica-se primeiro a Nossa Senhora, que trouxe o Filho de Deus no ventre desde a anunciação do anjo a Maria. Por isso a piedade a chama de tabernáculo do Altíssimo, como se vê no que a Igreja ensina sobre quem é Maria, mãe de Jesus.

Também se diz de quem acaba de comungar: por alguns minutos, Cristo está presente sacramentalmente nele.

Ajoelhar-se diante do sacrário é idolatria?

Alguns protestantes dizem que sim. Mas o católico não adora uma caixa de metal: adora Cristo, presente sob as aparências do pão, que disse “isto é o meu corpo”. As provas bíblicas estão na resposta sobre a presença real de Cristo na Eucaristia, e a acusação de que a adoração seria invenção medieval é respondida em quando começou a adoração da hóstia.

O que é sacrário?

É o receptáculo fixo, sólido e trancado onde se guardam as hóstias consagradas depois da Missa. Também se chama tabernáculo. Serve primeiro para levar a Comunhão aos doentes e moribundos e, depois, para a adoração dos fiéis (CIC §1379). Diante dele arde sempre uma lâmpada.

O que é guardado no sacrário?

A Eucaristia: as hóstias consagradas que sobram da Missa, dentro de um cibório ou píxide. Elas devem ser renovadas com frequência, consumindo-se as antigas (cân. 939). Fora da Missa, o sacrário fica fechado à chave, e a chave é guardada com toda a cautela (cân. 938 §5).

Qual a diferença entre sacrário e tabernáculo?

Nenhuma: são dois nomes para o mesmo objeto. Sacrário vem do latim sacrarium, lugar das coisas sagradas. Tabernáculo vem de tabernaculum, tenda, e lembra a Tenda do Encontro do Êxodo e o Verbo que armou a sua tenda entre nós (Jo 1,14).

Por que a lâmpada do sacrário fica acesa?

Porque a lei da Igreja manda que diante do tabernáculo esteja acesa continuamente uma lâmpada especial, com que se indique e honre a presença de Cristo (cân. 940; IGMR 316). Quando o sacrário está vazio, como na Sexta-feira Santa, a lâmpada se apaga.

O que é sacrário vivo?

É uma expressão devocional, não um termo técnico. Aplica-se sobretudo a Nossa Senhora, que trouxe Jesus no ventre, e também a quem acaba de comungar, pois Cristo está sacramentalmente presente nele. Por isso se recomenda um tempo de ação de graças em silêncio depois da Comunhão.

O sacrário é a resposta concreta à promessa de Cristo: “eu estou convosco todos os dias” (Mt 28,20). A história dele está no verbete Tabernacle, da Catholic Encyclopedia. Ao entrar numa igreja, procure a lâmpada acesa, dobre o joelho e fique um pouco com Ele.