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O que é monsenhor? Título honorífico, tipos e como tratar

Monsenhor Péter Vay de Vaya, protonotário apostólico, em veste prelatícia com barrete e cruz peitoral

Na paróquia todos chamam o velho vigário de “Monsenhor”, mas ele continua celebrando a Missa, confessando e visitando doentes como qualquer padre. Afinal, o que é monsenhor? Uma promoção, um cargo, um degrau acima do sacerdócio?

Nada disso: é um título de honra concedido pelo Papa. Veja de onde ele vem, quais são os seus tipos, como tratar quem o recebe e em que ele difere do título de cônego.

Resposta rápida

O que significa ser monsenhor?

Monsenhor é um título honorífico que o Papa concede a um sacerdote, normalmente a pedido do bispo, em reconhecimento pelos serviços prestados à Igreja. Não é um grau do sacramento da Ordem: o monsenhor continua sendo padre. Desde 2014, para o clero diocesano, a Santa Sé concede apenas o título de Capelão de Sua Santidade, a padres com 65 anos ou mais.

Um título de honra, não um grau da Ordem

O sacramento da Ordem tem só três graus: bispo, presbítero e diácono, como explica a diferença entre bispo, padre e diácono. Monsenhor não é um quarto grau nem um meio caminho para o episcopado.

Giovanni della Casa, clérigo da Roma renascentista chamado de monsignore, o tratamento que deu origem ao título
Monsenhor della Casa, de Pontormo (provavelmente 1541 a 1544), National Gallery of Art, Washington. Imagem: Pontormo, CC0, via Wikimedia Commons

A palavra vem do italiano monsignore, adaptação do francês mon seigneur, “meu senhor”. Durante séculos foi o tratamento dado aos prelados da corte papal e aos bispos. Hoje designa sobretudo o padre que recebeu do Papa uma distinção honorífica.

O título não dá jurisdição nova. O monsenhor que é pároco continua pároco; o que é professor continua professor. Para entender onde cada ministério se encaixa, veja o artigo sobre a hierarquia da Igreja e a razão de ser de Papa, bispos e padres.

Da corte papal à reforma de Paulo VI

Os títulos de monsenhor nasceram na Casa Pontifícia, o conjunto de prelados, camareiros e capelães que serviam o Papa. Com o tempo, muitos eram concedidos a padres de todo o mundo que nunca tinham morado em Roma.

Monsenhor Cristoforo Segni, mordomo do Papa Inocêncio X, prelado da antiga Casa Pontifícia
Monsenhor Cristoforo Segni, mordomo de Inocêncio X, atribuído a Pietro Martire Neri (século XVII). Imagem: Pietro Martire Neri, domínio público, via Wikimedia Commons

No motu proprio Pontificalis Domus, de 28 de março de 1968, Paulo VI reorganizou a Casa Pontifícia. O artigo 8 determina que os títulos eclesiásticos honoríficos terão apenas três graus e que os demais ficam abolidos.

O Papa Paulo VI no trono, que em 1968 reduziu os títulos de monsenhor a três graus
O Papa Paulo VI abençoando, fotografia de cerca de 1963. Imagem: Fotógrafo desconhecido, domínio público, via Wikimedia Commons

Paulo VI, o papa que concluiu o Concílio Vaticano II, extinguiu assim vários títulos antigos de camareiros e capelães. A estrutura do governo central da Igreja, da qual a Casa Pontifícia faz parte, é explicada na diferença entre Santa Sé e Vaticano.

Os três tipos de monsenhor

Depois de 1968 ficaram três títulos, do mais alto ao mais simples:

  1. Protonotário Apostólico: há os “de número”, que formam um colégio na Cúria Romana, e os supranumerários, cujo título é honorífico.
  2. Prelado de Honra de Sua Santidade: herdeiro dos antigos prelados domésticos.
  3. Capelão de Sua Santidade: herdeiro dos antigos camareiros secretos supranumerários.
TítuloQuem concedeSinais na veste (instrução de 1969)
Protonotário Apostólico supranumerárioO PapaBatina violácea; batina preta com debruns vermelhos; faixa com franjas; ferraiolo violáceo facultativo
Prelado de Honra de Sua SantidadeO PapaBatina violácea; batina preta com debruns vermelhos; faixa com franjas
Capelão de Sua SantidadeO PapaBatina preta com debruns violáceos e faixa violácea
Tipos de monsenhor depois da Pontificalis Domus e os sinais de cada um na veste

A regra de 2014 e como alguém se torna monsenhor

Em 7 de janeiro de 2014, a Secretaria de Estado enviou às nunciaturas uma carta circular para as conferências episcopais. Segundo a Rádio Vaticano, nas dioceses o único título concedido passou a ser o de Capelão de Sua Santidade, e só a padres com pelo menos 65 anos.

A medida não é retroativa: quem já era protonotário ou prelado de honra conserva o título. Os títulos da Cúria Romana, ligados ao ofício exercido, continuaram como estavam.

Ninguém se candidata. É o bispo diocesano quem pede a honra para um padre que serviu bem, e o pedido segue à Santa Sé, em geral por meio da Nunciatura; veja o que é núncio apostólico e o que ele faz. Para o caminho que leva ao sacerdócio, leia como ser padre católico.

A veste do monsenhor

Monsenhor James P. Turner em veste coral violácea com roquete, como os prelados usavam antes de 1969
Retrato de Monsenhor James P. Turner, de Thomas Eakins (cerca de 1906), Nelson-Atkins Museum of Art. Imagem: Thomas Eakins, domínio público, via Wikimedia Commons

A instrução Ut sive sollicite, da Secretaria de Estado (31 de março de 1969), simplificou as vestes dos prelados. Para os capelães de Sua Santidade manteve a batina preta com debruns e faixa violáceos, usada também nas celebrações; aboliu para eles a batina violácea e o mantelão.

Para protonotários supranumerários e prelados de honra, a mesma instrução aboliu a mantelete violácea, a faixa com borlas e o tufo vermelho no barrete. Conservou a batina violácea, a batina preta debruada de vermelho e a faixa com franjas. Essas vestes são de uso coral e social; na Missa, o monsenhor usa os mesmos paramentos litúrgicos de qualquer padre.

Como tratar um monsenhor

Na conversa, basta “Monsenhor” ou “Monsenhor Fulano”. A instrução de 1969 (n. 26) prevê para os três títulos o tratamento de “Monsenhor”, precedido, quando convém, de “Reverendo”. Na correspondência brasileira é comum a fórmula “Reverendíssimo Monsenhor”, abreviada Revmo. Mons.

Monsenhor Giovanni Battista Agucchi segura uma carta, lembrança das fórmulas de tratamento na correspondência
Retrato de Monsenhor Giovanni Battista Agucchi, de Domenichino (cerca de 1603 a 1604), York Art Gallery. Imagem: Domenichino, domínio público, via Wikimedia Commons

Em vários países, a palavra também é usada para bispos: a mesma instrução (n. 23) permite chamar um bispo de “Monsenhor”. No Brasil, porém, o costume para os bispos é “Dom”, como mostra a diferença entre frei, padre e dom. Já os cardeais recebem “Eminência”, como se lê em o que é um cardeal.

E o cônego? Cabido e títulos parecidos

Antonius de Tassis, cônego da catedral de Antuérpia, em batina e capa, segundo retrato de Van Dyck
Antonius de Tassis, cônego de Antuérpia, gravura de Jacob Neefs segundo Anton van Dyck (cerca de 1630 a 1640). Imagem: Jacob Neefs, CC0, via Wikimedia Commons

Cônego não é título papal, mas membro de um cabido. O cabido é o colégio de sacerdotes encarregado das funções litúrgicas mais solenes na catedral ou numa igreja colegiada (cân. 503); sobre a catedral, veja a diferença entre basílica e catedral.

Quem nomeia os cônegos é o bispo diocesano, ouvido o cabido, e só pode escolher sacerdotes notáveis pela doutrina e pela integridade de vida (cân. 509). Criar ou suprimir um cabido catedral é reservado à Sé Apostólica (cân. 504).

Tradicionalmente, os cônegos rezam em coro a Liturgia das Horas. Alguns bispos também concedem o título de cônego honorário, um título de honra sem as funções do cabido. Em ambos os casos, o tratamento é “Cônego Fulano”.

TítuloO que éÉ grau da Ordem?
MonsenhorTítulo honorífico concedido pelo Papa a um padreNão
CônegoMembro do cabido de uma catedral ou colegiada, nomeado pelo bispoNão
PadrePresbítero, colaborador do bispoSim, o segundo grau
BispoSucessor dos apóstolos, com a plenitude da OrdemSim, o grau mais alto
Monsenhor, cônego, padre e bispo: o que é cada título

O que é monsenhor na Igreja Católica?

É um título honorífico que o Papa concede a sacerdotes, em geral a pedido do bispo diocesano, como reconhecimento por serviços prestados. Depois da reforma de Paulo VI em 1968 existem três graus: Protonotário Apostólico, Prelado de Honra e Capelão de Sua Santidade. O título não muda o grau da Ordem.

Qual a diferença entre padre e monsenhor?

Sacramentalmente nenhuma: o monsenhor é um padre que recebeu uma distinção honorífica da Santa Sé. Ele celebra, confessa e governa uma paróquia exatamente como os demais. Muda o tratamento e alguns detalhes da veste, como os debruns e a faixa violáceos.

Como se tornar monsenhor?

Ninguém se candidata. O bispo diocesano propõe o nome à Santa Sé, e o Papa concede o título. Desde a circular da Secretaria de Estado de janeiro de 2014, o clero diocesano recebe apenas o título de Capelão de Sua Santidade, e só a partir dos 65 anos.

Monsenhor é maior que padre?

Não na hierarquia sacramental. Monsenhor não é um grau acima do presbiterado nem dá autoridade sobre outros padres. É uma honra, como uma condecoração. O grau acima do padre é o de bispo, que recebe a plenitude do sacramento da Ordem.

Como chamar um monsenhor?

Na conversa, diga simplesmente “Monsenhor” ou “Monsenhor” seguido do nome. Em cartas, no Brasil, é comum escrever “Reverendíssimo Monsenhor”, abreviado Revmo. Mons. A instrução da Santa Sé de 1969 prevê o tratamento de Monsenhor precedido, quando convém, de Reverendo.

O título de monsenhor lembra que a Igreja sabe agradecer a quem a serve com fidelidade, sem acrescentar poder ao sacerdócio. O que faz um bom monsenhor é o mesmo que faz um bom padre: a fidelidade diária ao altar, ao confessionário e ao povo que lhe foi confiado. Para quem se casa e quer saber quem pode assistir ao rito, veja como casar na Igreja Católica, passo a passo; e, para o sentido do sacerdócio, a seção do Catecismo sobre o sacramento da Ordem.