Na paróquia todos chamam o velho vigário de “Monsenhor”, mas ele continua celebrando a Missa, confessando e visitando doentes como qualquer padre. Afinal, o que é monsenhor? Uma promoção, um cargo, um degrau acima do sacerdócio?
Nada disso: é um título de honra concedido pelo Papa. Veja de onde ele vem, quais são os seus tipos, como tratar quem o recebe e em que ele difere do título de cônego.
Resposta rápida
O que significa ser monsenhor?
Monsenhor é um título honorífico que o Papa concede a um sacerdote, normalmente a pedido do bispo, em reconhecimento pelos serviços prestados à Igreja. Não é um grau do sacramento da Ordem: o monsenhor continua sendo padre. Desde 2014, para o clero diocesano, a Santa Sé concede apenas o título de Capelão de Sua Santidade, a padres com 65 anos ou mais.
Um título de honra, não um grau da Ordem
O sacramento da Ordem tem só três graus: bispo, presbítero e diácono, como explica a diferença entre bispo, padre e diácono. Monsenhor não é um quarto grau nem um meio caminho para o episcopado.

A palavra vem do italiano monsignore, adaptação do francês mon seigneur, “meu senhor”. Durante séculos foi o tratamento dado aos prelados da corte papal e aos bispos. Hoje designa sobretudo o padre que recebeu do Papa uma distinção honorífica.
O título não dá jurisdição nova. O monsenhor que é pároco continua pároco; o que é professor continua professor. Para entender onde cada ministério se encaixa, veja o artigo sobre a hierarquia da Igreja e a razão de ser de Papa, bispos e padres.
Da corte papal à reforma de Paulo VI
Os títulos de monsenhor nasceram na Casa Pontifícia, o conjunto de prelados, camareiros e capelães que serviam o Papa. Com o tempo, muitos eram concedidos a padres de todo o mundo que nunca tinham morado em Roma.

No motu proprio Pontificalis Domus, de 28 de março de 1968, Paulo VI reorganizou a Casa Pontifícia. O artigo 8 determina que os títulos eclesiásticos honoríficos terão apenas três graus e que os demais ficam abolidos.

Paulo VI, o papa que concluiu o Concílio Vaticano II, extinguiu assim vários títulos antigos de camareiros e capelães. A estrutura do governo central da Igreja, da qual a Casa Pontifícia faz parte, é explicada na diferença entre Santa Sé e Vaticano.
Os três tipos de monsenhor
Depois de 1968 ficaram três títulos, do mais alto ao mais simples:
- Protonotário Apostólico: há os “de número”, que formam um colégio na Cúria Romana, e os supranumerários, cujo título é honorífico.
- Prelado de Honra de Sua Santidade: herdeiro dos antigos prelados domésticos.
- Capelão de Sua Santidade: herdeiro dos antigos camareiros secretos supranumerários.
| Título | Quem concede | Sinais na veste (instrução de 1969) |
|---|---|---|
| Protonotário Apostólico supranumerário | O Papa | Batina violácea; batina preta com debruns vermelhos; faixa com franjas; ferraiolo violáceo facultativo |
| Prelado de Honra de Sua Santidade | O Papa | Batina violácea; batina preta com debruns vermelhos; faixa com franjas |
| Capelão de Sua Santidade | O Papa | Batina preta com debruns violáceos e faixa violácea |
A regra de 2014 e como alguém se torna monsenhor
Em 7 de janeiro de 2014, a Secretaria de Estado enviou às nunciaturas uma carta circular para as conferências episcopais. Segundo a Rádio Vaticano, nas dioceses o único título concedido passou a ser o de Capelão de Sua Santidade, e só a padres com pelo menos 65 anos.
A medida não é retroativa: quem já era protonotário ou prelado de honra conserva o título. Os títulos da Cúria Romana, ligados ao ofício exercido, continuaram como estavam.
Ninguém se candidata. É o bispo diocesano quem pede a honra para um padre que serviu bem, e o pedido segue à Santa Sé, em geral por meio da Nunciatura; veja o que é núncio apostólico e o que ele faz. Para o caminho que leva ao sacerdócio, leia como ser padre católico.
A veste do monsenhor

A instrução Ut sive sollicite, da Secretaria de Estado (31 de março de 1969), simplificou as vestes dos prelados. Para os capelães de Sua Santidade manteve a batina preta com debruns e faixa violáceos, usada também nas celebrações; aboliu para eles a batina violácea e o mantelão.
Para protonotários supranumerários e prelados de honra, a mesma instrução aboliu a mantelete violácea, a faixa com borlas e o tufo vermelho no barrete. Conservou a batina violácea, a batina preta debruada de vermelho e a faixa com franjas. Essas vestes são de uso coral e social; na Missa, o monsenhor usa os mesmos paramentos litúrgicos de qualquer padre.
Como tratar um monsenhor
Na conversa, basta “Monsenhor” ou “Monsenhor Fulano”. A instrução de 1969 (n. 26) prevê para os três títulos o tratamento de “Monsenhor”, precedido, quando convém, de “Reverendo”. Na correspondência brasileira é comum a fórmula “Reverendíssimo Monsenhor”, abreviada Revmo. Mons.

Em vários países, a palavra também é usada para bispos: a mesma instrução (n. 23) permite chamar um bispo de “Monsenhor”. No Brasil, porém, o costume para os bispos é “Dom”, como mostra a diferença entre frei, padre e dom. Já os cardeais recebem “Eminência”, como se lê em o que é um cardeal.
E o cônego? Cabido e títulos parecidos

Cônego não é título papal, mas membro de um cabido. O cabido é o colégio de sacerdotes encarregado das funções litúrgicas mais solenes na catedral ou numa igreja colegiada (cân. 503); sobre a catedral, veja a diferença entre basílica e catedral.
Quem nomeia os cônegos é o bispo diocesano, ouvido o cabido, e só pode escolher sacerdotes notáveis pela doutrina e pela integridade de vida (cân. 509). Criar ou suprimir um cabido catedral é reservado à Sé Apostólica (cân. 504).
Tradicionalmente, os cônegos rezam em coro a Liturgia das Horas. Alguns bispos também concedem o título de cônego honorário, um título de honra sem as funções do cabido. Em ambos os casos, o tratamento é “Cônego Fulano”.
| Título | O que é | É grau da Ordem? |
|---|---|---|
| Monsenhor | Título honorífico concedido pelo Papa a um padre | Não |
| Cônego | Membro do cabido de uma catedral ou colegiada, nomeado pelo bispo | Não |
| Padre | Presbítero, colaborador do bispo | Sim, o segundo grau |
| Bispo | Sucessor dos apóstolos, com a plenitude da Ordem | Sim, o grau mais alto |
O que é monsenhor na Igreja Católica?
É um título honorífico que o Papa concede a sacerdotes, em geral a pedido do bispo diocesano, como reconhecimento por serviços prestados. Depois da reforma de Paulo VI em 1968 existem três graus: Protonotário Apostólico, Prelado de Honra e Capelão de Sua Santidade. O título não muda o grau da Ordem.
Qual a diferença entre padre e monsenhor?
Sacramentalmente nenhuma: o monsenhor é um padre que recebeu uma distinção honorífica da Santa Sé. Ele celebra, confessa e governa uma paróquia exatamente como os demais. Muda o tratamento e alguns detalhes da veste, como os debruns e a faixa violáceos.
Como se tornar monsenhor?
Ninguém se candidata. O bispo diocesano propõe o nome à Santa Sé, e o Papa concede o título. Desde a circular da Secretaria de Estado de janeiro de 2014, o clero diocesano recebe apenas o título de Capelão de Sua Santidade, e só a partir dos 65 anos.
Monsenhor é maior que padre?
Não na hierarquia sacramental. Monsenhor não é um grau acima do presbiterado nem dá autoridade sobre outros padres. É uma honra, como uma condecoração. O grau acima do padre é o de bispo, que recebe a plenitude do sacramento da Ordem.
Como chamar um monsenhor?
Na conversa, diga simplesmente “Monsenhor” ou “Monsenhor” seguido do nome. Em cartas, no Brasil, é comum escrever “Reverendíssimo Monsenhor”, abreviado Revmo. Mons. A instrução da Santa Sé de 1969 prevê o tratamento de Monsenhor precedido, quando convém, de Reverendo.
O título de monsenhor lembra que a Igreja sabe agradecer a quem a serve com fidelidade, sem acrescentar poder ao sacerdócio. O que faz um bom monsenhor é o mesmo que faz um bom padre: a fidelidade diária ao altar, ao confessionário e ao povo que lhe foi confiado. Para quem se casa e quer saber quem pode assistir ao rito, veja como casar na Igreja Católica, passo a passo; e, para o sentido do sacerdócio, a seção do Catecismo sobre o sacramento da Ordem.
