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Como viver um namoro santo: guia do namoro católico

Moça conversa à janela com o rapaz que a corteja, sob o olhar da avó: um namoro às claras, perto da família

Muitos jovens querem namorar sem deixar a fé do lado de fora. O namoro católico não é um namoro comum com uma oração no fim: é um tempo de conhecer o outro diante de Deus, para descobrir se os dois são chamados ao matrimônio.

Veja como viver um namoro santo: para que serve o namoro, o que o Catecismo pede e os sinais de que a relação vai bem.

Resposta rápida

Como viver um namoro santo segundo a Igreja?

É o tempo em que um homem e uma mulher se conhecem para discernir se Deus os chama a casar um com o outro. Vive-se na castidade, que reserva ao matrimônio a intimidade sexual (CIC §2350), na oração e nos sacramentos, com sinceridade e respeito. Não é um fim em si: prepara o noivado e o casamento.

Para que serve o namoro: discernir uma vocação

O casamento é uma vocação, explicada no texto sobre o que é o matrimônio para a Igreja. O namoro é a etapa em que se pergunta, a dois: “É com esta pessoa que Deus me chama a formar uma família?” A resposta pode ser sim ou não; as duas são boas se forem verdadeiras.

Rebeca junto ao poço recebe os presentes do servo de Abraão, que rezou para encontrar a esposa de Isaac
Rebeca e Eliezer junto ao poço, de Carlo Maratta (1655 a 1657), Indianapolis Museum of Art. Imagem: Carlo Maratta, domínio público, via Wikimedia Commons

Na Bíblia, o servo de Abraão pede a Deus um sinal antes de escolher uma esposa para Isaac, e encontra Rebeca junto ao poço (Gn 24). A lição continua valendo: escolhe-se o cônjuge rezando, não por impulso.

São João Paulo II, na exortação Familiaris Consortio (n. 66), fala de uma preparação ao matrimônio em três etapas: remota, desde a infância; próxima, com formação específica; e imediata, antes do casamento. O namoro pertence à preparação próxima.

Castidade no namoro: o que diz o Catecismo

Todo batizado é chamado à castidade, segundo o seu estado de vida (CIC §2348). Castidade não é desprezo do corpo: é “a integração conseguida da sexualidade na pessoa” (CIC §2337). Para quem se prepara para casar, o Catecismo é direto:

“Os noivos são chamados a viver a castidade na continência. Eles farão, neste tempo de prova, a descoberta do respeito mútuo, a aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem um ao outro de Deus. Reservarão para o tempo do matrimónio as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade.” (CIC §2350, no texto oficial do Vaticano)

Tobias ajoelhado reza com Sara, pedindo a Deus um amor de reta intenção (Tb 8,4-8)
A noite de núpcias de Tobias e Sara, desenho de Rembrandt (década de 1640), Metropolitan Museum of Art. Imagem: Rembrandt, CC0, via Wikimedia Commons

Se isso vale para os noivos, vale ainda mais para os namorados. São Paulo resume: a vontade de Deus é a nossa santificação, que cada um saiba guardar o próprio corpo “em santidade e honra” (1Ts 4,3-4). Na noite de núpcias, Tobias reza com Sara e diz a Deus que não a recebe por paixão, mas com reta intenção (Tb 8,4-8).

E o beijo?

O Catecismo não traz uma lista de gestos permitidos. Ele pede que se reservem ao casamento as manifestações de ternura próprias do amor conjugal. Um carinho respeitoso pode exprimir afeto casto; o que desperta o desejo sexual pertence ao matrimônio. Veja o sexto mandamento no Catecismo e a Teologia do Corpo de São João Paulo II.

Pudor: o respeito que protege o amor

Rebeca, no camelo, cobre-se com o véu ao avistar Isaac: um sinal bíblico de pudor (Gn 24,65)
Rebeca encontra Isaac no caminho, de James Tissot (c. 1896 a 1902), Jewish Museum, Nova York. Imagem: James Tissot, domínio público, via Wikimedia Commons

Ao ver Isaac pela primeira vez, Rebeca cobriu-se com o véu (Gn 24,65). O gesto antigo ilustra o que o Catecismo chama de pudor: “O pudor protege o mistério da pessoa e do seu amor. Convida à paciência e à moderação na relação amorosa” (CIC §2522).

O pudor inspira a roupa, as palavras e as situações. Evitar longas horas a sós em lugar fechado é prudência de quem conhece a própria fraqueza.

Sinais de um namoro saudável

São Paulo descreve o amor verdadeiro: paciente, bondoso, sem inveja, sem orgulho, que não procura o próprio interesse (1Cor 13,4-7).

SinalO que mostra
Rezam juntos e vão à MissaDeus está no centro da relação
Respeitam os limites da castidadeUm amor que sabe esperar e não usa o outro
Conversam sobre fé, filhos e dinheiroDiscernimento sério, não só emoção
Conhecem as famíliasUma relação às claras
Cada um cresce como pessoaAmor que liberta, não sufoca
Sabem pedir perdãoHumildade e paciência para a vida a dois
Sinais de um namoro saudável e o que cada um revela

Ciúme que controla, mentiras, pressão para ceder na castidade ou afastamento da fé são sinais de alerta. Nesses casos, terminar também pode ser um ato de amor.

Oração, sacramentos e recomeço

Um namoro santo se alimenta de hábitos simples:

Fiéis em fila diante do confessionário numa igreja de Veneza: a confissão que recomeça depois da queda
A confissão, de Pietro Longhi (c. 1755), Museum of Fine Arts, Boston. Imagem: Pietro Longhi, domínio público, via Wikimedia Commons

E se houver uma queda? Não é hora de desespero nem de fingir que nada aconteceu. Procure o sacramento da Penitência (veja como se confessar bem), comungue só depois de confessado se houve pecado mortal e mude as circunstâncias que levaram ao erro. Deus perdoa e recomeça com quem se arrepende.

Quanto tempo namorar e quando noivar

Jacó remove a pedra do poço para Raquel; por ela serviu sete anos, que lhe pareceram poucos dias
Jacó e Raquel junto ao poço, de James Tissot (c. 1896 a 1902), Jewish Museum, Nova York. Imagem: James Tissot, domínio público, via Wikimedia Commons

A Igreja não fixa prazo. O tempo deve bastar para conhecer o caráter, a fé e os projetos do outro, sem pressa e sem adiar indefinidamente. Jacó serviu sete anos por Raquel, e eles lhe pareceram poucos dias por causa do amor que lhe tinha (Gn 29,20).

O casamento de Maria e José, os esposos castíssimos, modelo para quem se prepara para o matrimônio
Casamento da Virgem, de Perugino (1501 a 1504), Musée des Beaux-Arts de Caen. Imagem: Pietro Perugino, domínio público, via Wikimedia Commons

Quando os dois têm certeza moral e condições de assumir a vida comum, chega o noivado: o compromisso de casar e a preparação imediata, com curso de noivos e processo na paróquia, descritos no texto sobre como casar na Igreja Católica.

EtapaFinalidadeO que a Igreja pede
NamoroConhecer-se e discernir a vocação ao matrimônioCastidade, oração, sinceridade
NoivadoCompromisso de casar e preparação imediataCastidade na continência (CIC §2350), curso de noivos
CasamentoAliança indissolúvel e sacramentoFidelidade, abertura à vida, castidade conjugal
Namoro, noivado e casamento: finalidade de cada etapa

O Catecismo lembra que os jovens, educados na estima pela castidade, poderão passar “de um noivado honesto para o matrimónio” (CIC §1632). O noivado é para casar, e não para viver como casados antes de receber o sacramento.

Namorar alguém de outra religião

A Igreja não proíbe esse namoro, mas pede realismo: a fé atinge a educação dos filhos, o domingo e a vida de oração. Com um cristão batizado de outra confissão, o casamento misto pede licença do bispo (cân. 1124-1125); com um não batizado, é preciso dispensa do impedimento de disparidade de culto (cân. 1086). As diferenças com os evangélicos estão em o que separa católicos e evangélicos. O católico não deve esconder nem diluir a sua fé para agradar o outro.

Namorar não é uma prova de resistência, mas uma escola de amor. Quem vive esse tempo com Deus, castidade e sinceridade chega ao altar, ou a outra vocação, como a vida consagrada, com o coração livre e em paz.

O que é namoro católico?

É o namoro vivido à luz da fé: um tempo de conhecer o outro para discernir se Deus chama os dois ao matrimônio. Inclui oração, Missa, confissão, sinceridade e castidade, que reserva ao casamento a intimidade sexual (CIC §2350). Não é um fim em si, mas caminho para o noivado.

Namoro católico pode beijar?

O Catecismo não faz uma lista de gestos. Pede que se reservem ao matrimônio as manifestações de ternura específicas do amor conjugal (CIC §2350). Um carinho respeitoso pode exprimir afeto casto; carícias que despertam o desejo sexual pertencem ao casamento. Na dúvida, converse com um confessor.

Como viver um namoro santo?

Coloque Deus no centro: Missa juntos, oração a dois, confissão frequente. Viva a castidade e o pudor, evitando as ocasiões de pecado. Conversem com sinceridade sobre fé, família e projetos, conheçam as famílias. Se houver queda, procurem logo a confissão e recomecem.

Quanto tempo deve durar o namoro católico?

A Igreja não fixa um prazo. O namoro deve durar o suficiente para que os dois se conheçam e discirnam com maturidade, sem pressa e sem adiar indefinidamente uma decisão. Quando há certeza moral e condições de assumir a vida comum, o passo seguinte é o noivado e a preparação para o casamento.

Católico pode namorar evangélico?

Pode, mas com realismo, porque a fé atinge a educação dos filhos e a vida de oração. Se o evangélico é validamente batizado, o casamento misto pede licença do bispo (cân. 1124-1125); se não é batizado, é necessária dispensa de disparidade de culto (cân. 1086).