A palavra aparece com frequência nas notícias da Igreja: o Papa convoca um sínodo, um bispo abre o sínodo da sua diocese. Mas, afinal, o que é sínodo? É uma assembleia de pastores, e às vezes também de outros fiéis, reunida sob autoridade legítima para ajudar no governo e na missão da Igreja.
Veja a origem do nome, o Sínodo dos Bispos, o sínodo diocesano e a diferença para o concílio.
Resposta rápida
O que é sínodo na Igreja Católica?
Sínodo é uma assembleia eclesial que aconselha o pastor. O Sínodo dos Bispos, instituído por Paulo VI em 15 de setembro de 1965, reúne bispos do mundo inteiro para ajudar o Papa e tem voto consultivo, salvo se o Papa lhe conceder poder deliberativo (cân. 343). O sínodo diocesano reúne padres e leigos de uma diocese, e só o bispo é legislador (cân. 466).
De onde vem a palavra sínodo
“Sínodo” vem do grego synodos, formado por syn (junto) e hodos (caminho): caminhar juntos e, daí, reunião ou assembleia. A imagem lembra os discípulos de Emaús, que caminhavam juntos quando o Ressuscitado se aproximou deles (Lc 24,13-15).

Durante séculos, sínodo e concílio foram sinônimos: o latim concilium corresponde ao grego synodos, e os textos antigos chamam os concílios ecumênicos de “santo sínodo”. O modelo de todos é a reunião dos apóstolos em Jerusalém (At 15), e a lista dos 21 concílios ecumênicos e do que cada um decidiu mostra como essa tradição continuou.

O Sínodo dos Bispos: o que é e quem o criou
O decreto conciliar Christus Dominus (1965), n. 5, já falava de bispos de várias regiões que colaboram com o pastor supremo num “Conselho que recebe o nome de Sínodo Episcopal”. Veja a história e os documentos do Concílio Vaticano II.
Paulo VI anunciou a decisão aos padres conciliares em 14 de setembro de 1965. No dia seguinte, com o motu proprio Apostolica sollicitudo, no site da Santa Sé, instituiu o Sínodo dos Bispos: uma instituição central, representativa de todo o episcopado católico, perpétua por natureza, mas que só se reúne quando convocada.

O Código de Direito Canônico de 1983 trata dele nos cân. 342-348. O Sínodo reúne bispos escolhidos de várias regiões do mundo para favorecer a união entre o Papa e os bispos e ajudá-lo com conselhos sobre a fé, os costumes e a disciplina (cân. 342).
O ponto decisivo está no cân. 343: o Sínodo discute e exprime seus votos, mas não resolve nem emite decretos, a não ser que o Papa lhe dê poder deliberativo e ratifique as decisões. É o Papa quem convoca, define os temas, preside e encerra cada assembleia (cân. 344).
Não é um parlamento, mas um serviço de comunhão com o Papa, sucessor de Pedro.
Assembleias ordinárias, extraordinárias e especiais
O cân. 345 distingue três modos de reunir o Sínodo. A constituição apostólica Episcopalis communio, de 15 de setembro de 2018, manteve essa divisão.
| Tipo | Quem convoca | Finalidade | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Assembleia geral ordinária | O Papa | Temas da Igreja universal | A família, de 26 de setembro a 25 de outubro de 1980 |
| Assembleia geral extraordinária | O Papa | Assuntos universais urgentes | 1985, vinte anos após o Vaticano II |
| Assembleia especial | O Papa | Questões de uma ou mais regiões | Região Pan-Amazônica, de 6 a 27 de outubro de 2019 |
| Sínodo diocesano | O bispo diocesano | Ajudar o bispo no bem da diocese | Bahia, 1707 |
| Sínodo patriarcal oriental | O patriarca | Legislar para a Igreja patriarcal | Igrejas orientais católicas |
Na assembleia extraordinária de 1985, os padres sinodais pediram um catecismo de toda a doutrina, e João Paulo II acolheu o pedido, como conta a constituição Fidei depositum. Assim nasceu o Catecismo da Igreja Católica, publicado em 1992.
O que sai de uma assembleia sinodal
As conclusões são entregues ao Papa, que costuma publicar depois uma exortação apostólica pós-sinodal. A assembleia de 1974, sobre a evangelização, deu origem à exortação Evangelii Nuntiandi de Paulo VI, e a de 1980 à exortação Familiaris Consortio sobre a família.
Pela Episcopalis communio (art. 18), o documento final só faz parte do Magistério ordinário do sucessor de Pedro se o Papa o aprovar expressamente. Veja a diferença entre encíclica, exortação apostólica e motu proprio e o papel do Magistério da Igreja.
O sínodo diocesano
Também a diocese pode celebrar seu sínodo: uma assembleia de sacerdotes e outros fiéis escolhidos da Igreja particular, que ajudam o bispo para o bem de toda a comunidade diocesana (cân. 460). Celebra-se quando o bispo o julga oportuno, ouvido o conselho presbiteral (cân. 461).

- Só o bispo diocesano convoca e preside o sínodo (cân. 462).
- Participam, entre outros, os bispos auxiliares, os vigários, os cônegos da catedral e outros títulos do clero, o conselho presbiteral e leigos escolhidos pelo conselho pastoral (cân. 463).
- O bispo é o único legislador; os demais têm só voto consultivo, e só ele assina e publica os decretos (cân. 466).
O Concílio de Trento mandou que o sínodo diocesano se reunisse todos os anos (sessão XXIV). Em Milão, a reforma tridentina passou por uma série de sínodos, o primeiro em 1564, como conta a vida de São Carlos Borromeu.
Um sínodo que marcou o Brasil

Em 12 de junho de 1707, o arcebispo da Bahia, Dom Sebastião Monteiro da Vide, celebrou em Salvador um sínodo diocesano. Dele saíram as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, impressas em Lisboa em 1719, a primeira e principal legislação eclesiástica do Brasil colonial.
Qual a diferença entre sínodo e concílio

No concílio ecumênico, o Colégio dos Bispos, com o Papa e nunca sem ele, exerce de modo solene o poder supremo sobre a Igreja inteira (cân. 336-337). No Sínodo dos Bispos, um grupo de bispos aconselha o Papa.
| Aspecto | Sínodo dos Bispos | Concílio ecumênico |
|---|---|---|
| Quem participa | Bispos eleitos pelas conferências e outros nomeados pelo Papa (cân. 346) | Todos os bispos do Colégio, com voto deliberativo (cân. 339) |
| Quem convoca | O Papa (cân. 344) | Somente o Papa (cân. 338) |
| Autoridade | Consultiva, salvo poder deliberativo concedido (cân. 343) | Suprema e plena, com o Papa (cân. 337) |
| Resultado | Documento final entregue ao Papa | Decretos que obrigam depois de confirmados e promulgados pelo Papa (cân. 341) |
| Frequência | Assembleias regulares desde 1967 | Raro: 21 em toda a história |
Em resumo: um concílio ecumênico, unido ao Papa, pode definir solenemente a fé; um sínodo não define nada por si mesmo. Confundir os dois é dar a uma assembleia consultiva um poder que ela não tem.
Sínodos nas Igrejas orientais católicas
Nas Igrejas orientais católicas patriarcais, o sínodo dos bispos da própria Igreja, convocado pelo patriarca, tem poder legislativo para toda a Igreja patriarcal (Código dos Cânones das Igrejas Orientais). Conheça as Igrejas católicas orientais e seus ritos.
Sínodo, portanto, é caminhar juntos sob a guia dos pastores: o Papa com os bispos, o bispo com seu clero e seus fiéis. Veja também a diferença entre bispo, padre e diácono e o papel do núncio apostólico junto às Igrejas locais.
O que é sínodo na Igreja Católica?
É uma assembleia eclesial convocada pela autoridade competente para ajudar o pastor no governo e na missão da Igreja. Há o Sínodo dos Bispos, que aconselha o Papa, o sínodo diocesano, que ajuda o bispo, e os sínodos das Igrejas orientais patriarcais. A palavra vem do grego synodos, caminhar juntos.
O que é sínodo dos bispos?
É a instituição permanente criada por Paulo VI em 15 de setembro de 1965. Reúne bispos de várias regiões do mundo para aconselhar o Papa sobre fé, costumes e disciplina (cân. 342). Tem voto consultivo; só decide se o Papa lhe conceder poder deliberativo e ratificar as decisões (cân. 343).
O que é sínodo diocesano ou arquidiocesano?
É a assembleia de padres e outros fiéis escolhidos de uma diocese ou arquidiocese, convocada e presidida pelo bispo para o bem de toda a comunidade (cân. 460-462). Os membros discutem livremente, mas o bispo é o único legislador e só ele publica os decretos (cân. 466).
Qual a diferença entre sínodo e concílio?
No concílio ecumênico, todos os bispos com o Papa exercem o poder supremo sobre a Igreja, e seus decretos obrigam depois de aprovados pelo Papa (cân. 337-341). O Sínodo dos Bispos reúne só alguns bispos, é consultivo e entrega suas conclusões ao Papa.
