Quem entra numa catedral ucraniana em Curitiba ou melquita em São Paulo encontra ícones, liturgia toda cantada e padres de barba. Mas ali também se reza pelo Papa. As igrejas católicas orientais são parte da mesma Igreja Católica, com a mesma fé e os mesmos sacramentos.
Veja o que são, quantas são, de que tradições vêm, o que muda em relação à Igreja latina e onde estão no Brasil.
Resposta rápida
O que são as Igrejas orientais católicas?
São Igrejas sui iuris (de direito próprio) em plena comunhão com o Bispo de Roma, que conservam as liturgias e tradições do Oriente cristão. Segundo o Vatican News (2025), são 23. Têm a mesma fé e os mesmos sacramentos da Igreja latina, mas rito, espiritualidade e disciplina próprios.
Uma Igreja feita de Igrejas
A Igreja Católica não é só a Igreja latina, a do rito romano que a maioria dos brasileiros conhece. É uma comunhão de Igrejas: a latina e as orientais, todas unidas ao sucessor de Pedro, como explica a página sobre a única Igreja de Cristo.

O Código dos Cânones das Igrejas Orientais define a Igreja sui iuris como um grupo de fiéis unido pela hierarquia e reconhecido como tal pela autoridade suprema da Igreja (cân. 27). Já o rito é o patrimônio litúrgico, teológico, espiritual e disciplinar de cada Igreja, marcado pela cultura e pela história dos povos (cân. 28 §1).
Por isso se diz “Igreja maronita”: o rito é a herança, a Igreja é a comunidade que a vive. Algumas são governadas por um patriarca ou arcebispo-maior; as dioceses orientais chamam-se eparquias. Todas reconhecem o primado do Papa, bispo de Roma, e rezam por ele na liturgia. O Papa eleito no conclave, como explica a página sobre como é eleito o papa, é pastor supremo também delas.
Quantas são e de onde vêm
O Vatican News, ao noticiar o Jubileu das Igrejas Orientais em maio de 2025, contava 23 Igrejas católicas orientais. Somada a Igreja latina, a Igreja Católica reúne 24 Igrejas sui iuris. O cân. 28 §2 agrupa os ritos em cinco grandes tradições.

| Tradição | Igrejas católicas | Onde estão |
|---|---|---|
| Alexandrina | Copta, etíope e eritreia | Egito, Etiópia, Eritreia |
| Antioquena (siríaca ocidental) | Maronita, siro-católica e siro-malancar | Líbano, Síria, Iraque, Índia |
| Armênia | Armênia católica | Líbano, Armênia e diáspora |
| Caldeia (siríaca oriental) | Caldeia e siro-malabar | Iraque, Irã, Índia |
| Constantinopolitana (bizantina) | Ucraniana, melquita, romena, rutena, eslovaca, húngara, grega, ítalo-albanesa, búlgara, bielorrussa, russa, macedônia, albanesa e de Križevci | Leste europeu, Oriente Médio, Itália e diáspora |
A Divina Liturgia bizantina mais usada leva o nome de São João Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla e doutor da Igreja.
Uniões, Vaticano II e o Código oriental
Muitas dessas Igrejas nasceram de comunidades orientais que restabeleceram a comunhão com Roma. O Concílio de Florença proclamou em 1439 a união com os gregos, que não durou; outras uniões vieram depois, como a de Brest (1596), que deu origem à Igreja greco-católica ucraniana. O bispo São Josafá Kuncewycz morreu mártir por essa unidade.

O Concílio Vaticano II dedicou a elas o decreto Orientalium Ecclesiarum, de 21 de novembro de 1964. Ali se lê que as Igrejas do Oriente e do Ocidente “gozam de dignidade igual, de modo que nenhuma delas precede as outras em razão do rito” (n. 3).
O mesmo decreto pede que os orientais conservem os seus ritos legítimos e, se os abandonaram, voltem às tradições dos antepassados (n. 6). Em 1990, São João Paulo II promulgou o Código dos Cânones das Igrejas Orientais, que vale para todas elas, ao lado do Código de Direito Canônico latino.
O que muda e o que não muda
A fé, os sete sacramentos e a obediência ao Papa são os mesmos. Muda a forma de celebrar e de viver essa fé.
- Liturgia: a Missa se chama Divina Liturgia ou Santa Qurbana, conforme a tradição, com cantos e paramentos próprios. Muitas usam pão fermentado.
- Igreja: nas bizantinas, a iconóstase, parede de ícones, separa o santuário da nave.
- Iniciação cristã: o bebê recebe no mesmo dia o batismo, a crismação e a Comunhão. O Catecismo descreve essa prática oriental (CIC §1290-1292), ao contrário da latina, que adia a Crisma.
- Clero: em muitas Igrejas orientais homens casados podem ser ordenados padres; os bispos são escolhidos entre os celibatários. A disciplina latina é outra, como mostra a resposta sobre quando começou o celibato dos padres.
- Calendário e jejuns: festas, quaresmas e jejuns próprios, em geral mais longos. Sobre o jejum antes da Comunhão, veja o que é jejum eucarístico.

O incenso, que no rito romano é opcional, acompanha quase toda celebração oriental; o sentido desse gesto está explicado em incenso na Missa.
As Igrejas orientais católicas no Brasil

A imigração ucraniana no Paraná e a sírio-libanesa e armênia em São Paulo trouxeram essas Igrejas ao Brasil. Segundo o GCatholic, as jurisdições são estas:

| Igreja | Sede | Observação |
|---|---|---|
| Ucraniana | Arquieparquia de São João Batista, Curitiba (PR) | Eparquia em 1971, arquieparquia metropolitana em 2014 |
| Ucraniana | Eparquia da Imaculada Conceição, Prudentópolis (PR) | Criada em 2014 |
| Maronita | Eparquia Nossa Senhora do Líbano, São Paulo (SP) | Criada em 1971 |
| Melquita | Eparquia Nossa Senhora do Paraíso, São Paulo (SP) | Criada em 1971 |
| Armênia católica | Exarcado apostólico da América Latina e México | Criado em 1981; catedral São Gregório Iluminador, em São Paulo |
| Outras Igrejas orientais | Ordinariado para os fiéis de ritos orientais no Brasil | Criado em 1951 e confiado a um arcebispo latino |
O ordinariado atende os fiéis orientais que não têm bispo da própria Igreja no país.
Católico latino pode comungar numa liturgia oriental?
Pode. O Código de Direito Canônico diz que os fiéis podem participar do sacrifício eucarístico e receber a Comunhão em qualquer rito católico (cân. 923). As condições são as de sempre, explicadas na página sobre quem pode comungar.
Também cumpre o preceito dominical: quem assiste à Missa celebrada em rito católico, em qualquer lugar, no próprio dia ou na tarde da véspera, satisfaz a obrigação (cân. 1248 §1). Isso vale também para os dias santos de guarda.
Católicos orientais não são ortodoxos
Um ucraniano greco-católico e um ucraniano ortodoxo podem ter a mesma liturgia, os mesmos ícones e os mesmos santos. A diferença está na comunhão: o primeiro está unido ao Papa; o segundo pertence a uma Igreja que não está em plena comunhão com Roma. As causas dessa separação estão em Igreja Católica e Ortodoxa: o que as separa e o que as une.
O próprio Orientalium Ecclesiarum confia às Igrejas orientais católicas a missão especial de favorecer a unidade de todos os cristãos, sobretudo dos orientais, pela oração e pela fidelidade às antigas tradições (n. 24).
O que são igrejas católicas orientais?
São Igrejas de direito próprio (sui iuris), em plena comunhão com o Papa, que conservam as liturgias, a espiritualidade e a disciplina das tradições do Oriente cristão. Professam a mesma fé católica e celebram os mesmos sete sacramentos da Igreja latina, com ritos próprios.
Quantas Igrejas católicas orientais existem?
O Vatican News, em maio de 2025, contava 23 Igrejas católicas orientais. Somadas à Igreja latina, são 24 Igrejas sui iuris na Igreja Católica. Elas vêm de cinco grandes tradições.
Há Igrejas orientais católicas no Brasil?
Sim. Há a Arquieparquia ucraniana de São João Batista em Curitiba, a Eparquia ucraniana de Prudentópolis, as eparquias maronita e melquita em São Paulo, o exarcado armênio católico com catedral em São Paulo e um ordinariado para os fiéis orientais sem bispo próprio.
Qual a diferença entre igreja católica oriental e ortodoxa?
As duas podem ter a mesma liturgia e a mesma tradição. A Igreja católica oriental está em plena comunhão com o Bispo de Roma e reconhece o seu primado; a Igreja ortodoxa não está em plena comunhão com ele. A fé católica oriental é a mesma da Igreja latina.
Católico pode comungar numa igreja oriental?
Pode, se a igreja for católica. O cânon 923 permite comungar em qualquer rito católico, e o cânon 1248 diz que a Missa em rito católico cumpre o preceito dominical. Valem as condições de sempre, como o estado de graça.
As Igrejas orientais mostram que a unidade católica não é uniformidade. Conhecê-las ajuda o católico latino a amar a Igreja inteira, que respira, como dizia São João Paulo II, com os seus dois pulmões, o do Oriente e o do Ocidente.
