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O que é catecumenato? A preparação dos adultos para o Batismo

Interior do Batistério de Latrão, em Roma, onde por séculos os catecúmenos recebiam o Batismo na Vigília Pascal

Um adulto que nunca foi batizado bate à porta da paróquia e diz que quer ser católico. Ele não é batizado no domingo seguinte: começa um caminho. Mas, afinal, o que é catecumenato? É esse caminho, a formação pela qual a Igreja prepara os adultos para o Batismo, a Crisma e a Eucaristia.

Veja de onde ele vem, como era na Igreja antiga, quais são as suas etapas hoje e o que significam expressões como “catecumenato crismal” e “catecumenato matrimonial”.

Resposta rápida

O que é catecumenato?

É o tempo de formação e de ritos pelo qual a Igreja conduz os adultos não batizados até os três sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia. Nasceu nos primeiros séculos, foi restaurado pelo Concílio Vaticano II e hoje segue o Ritual da Iniciação Cristã de Adultos (RICA). O candidato chama-se catecúmeno.

O que é catecúmeno

A palavra vem do grego katēchein, “fazer ecoar”, “instruir de viva voz”. Catecúmeno é quem recebe essa instrução: um adulto que pediu o Batismo e foi admitido oficialmente ao caminho de preparação.

Batistério de Saint-Jean em Poitiers, construído para o batismo dos adultos na Igreja antiga
Batistério de Saint-Jean, Poitiers, França, com origem no século IV. Imagem: Benjamin Smith, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

O Catecismo ensina que o catecumenato quer levar à maturidade a conversão e a fé, numa “formação e aprendizagem de toda a vida cristã” (CIC §1248). O Código de Direito Canônico manda que os candidatos sejam admitidos com cerimônias litúrgicas e tenham o nome inscrito num livro próprio (cân. 788).

O catecúmeno ainda não é batizado, mas já não é um estranho. Os catecúmenos “estão já unidos à Igreja”, e a Igreja “já os abraça como seus” (CIC §1249; cân. 206). O texto completo está na seção do Catecismo sobre o sacramento do Batismo (§1210-1284).

O catecumenato na Igreja antiga

“Desde o tempo dos Apóstolos”, diz o Catecismo, tornar-se cristão exige um caminho com várias etapas (CIC §1229). A Didaqué já manda ensinar antes de batizar, e São Justino, mártir, descreve por volta do ano 150 a oração e o jejum dos que vão ser batizados.

Pintura de Cristo curando o paralítico, do batistério da casa-igreja de Dura-Europos, século III
Cristo cura o paralítico, pintura do batistério de Dura-Europos (c. 232), Yale University Art Gallery. Imagem: domínio público, via Wikimedia Commons

A Tradição Apostólica, do século III, tradicionalmente atribuída a Santo Hipólito de Roma (a autoria é discutida), fala de até três anos de escuta da Palavra. O Concílio de Elvira, no início do século IV, supõe dois anos. Em todos os casos, examinava-se não só o que o candidato sabia, mas como ele vivia.

A preparação final acontecia na Quaresma, o tempo de quarenta dias, e o Batismo era celebrado na noite da Vigília Pascal, a mais santa do ano, coração do significado da Páscoa. Depois vinham as catequeses sobre os sacramentos recebidos.

São Cirilo de Jerusalém, bispo que pregou as catequeses aos catecúmenos e aos recém-batizados
São Cirilo de Jerusalém, pintura da Basílica de Nossa Senhora de Kevelaer, Alemanha. Imagem: RomkeHoekstra, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Desse tempo restam as catequeses mistagógicas de São Cirilo de Jerusalém, pregadas aos recém-batizados. Em Milão, Santo Ambrósio batizou Santo Agostinho na Vigília Pascal de 387, depois de uma Quaresma de preparação.

Santo Ambrósio batiza Santo Agostinho, catecúmeno batizado em Milão na Vigília Pascal de 387
Batismo de Santo Agostinho por Santo Ambrósio, afresco de Johannes Zick (1745), Bad Schussenried. Imagem: Johannes Zick, domínio público, via Wikimedia Commons

Declínio e restauração pelo Vaticano II

Quando a sociedade se tornou cristã e quase todos eram batizados ainda bebês, o catecumenato longo desapareceu. O Batismo de crianças, lembra o Catecismo, integra de modo abreviado as etapas antigas e pede um “catecumenato pós-batismal”, que é a catequese (CIC §1231). É a prática normal da Igreja, como explicamos em o Batismo de crianças.

O Concílio Vaticano II determinou: “Restaure-se o catecumenado dos adultos, com vários graus” (Sacrosanctum Concilium, n. 64). O ritual saiu em 1972, publicado pela Santa Sé, que não é o mesmo que o Vaticano, com o título Ordo initiationis christianae adultorum (CIC §1232). No Brasil ele é o RICA, e o Código pede que todo adulto passe pelo catecumenato antes do Batismo (cân. 851).

As etapas do catecumenato hoje

O Diretório Geral para a Catequese (n. 88) resume o caminho em quatro tempos, separados por ritos:

  1. Pré-catecumenato: o primeiro anúncio de Cristo (querigma) e a conversão inicial. Termina com o rito de entrada no catecumenato.
  2. Catecumenato propriamente dito: catequese completa, oração e vida na comunidade, pelo tempo necessário. Termina com o rito da eleição, em geral no primeiro domingo da Quaresma.
  3. Purificação e iluminação: a Quaresma vivida como um longo retiro espiritual, com os escrutínios e as entregas. Termina com os sacramentos na Vigília Pascal.
  4. Mistagogia: no tempo pascal, os neófitos aprofundam os sacramentos que receberam e entram de vez na vida da comunidade.

Escrutínios e entregas

Os escrutínios são orações de exorcismo e de cura celebradas na Missa do terceiro, quarto e quinto domingos da Quaresma. Os Evangelhos são a samaritana (Jo 4), o cego de nascença (Jo 9) e a ressurreição de Lázaro (Jo 11): sede, luz e vida.

Jesus cura o cego de nascença (Jo 9), Evangelho do segundo escrutínio dos catecúmenos na Quaresma
A cura do cego de nascença, de Duccio di Buoninsegna (1311), National Gallery, Londres. Imagem: Duccio di Buoninsegna, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons

Nas “entregas”, a Igreja confia aos eleitos o Credo e o Pai-Nosso, que eles devolvem rezando-os de cor. É um costume antigo: Santo Agostinho deixou sermões pregados na entrega do Símbolo.

Círio pascal aceso, símbolo da Vigília Pascal em que os eleitos recebem os sacramentos da iniciação
Círio pascal da igreja paroquial de Kościan, Polônia (2023). Imagem: Patnac, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Na Vigília Pascal, o adulto recebe na mesma celebração o Batismo, a Crisma e a primeira Eucaristia (cân. 866). Quanto tempo dura o catecumenato? Não há prazo fixo: o Código e o ritual pedem o tempo necessário para que a fé amadureça, e na prática costuma durar um ano ou mais.

TempoRito que encerraQuando
Pré-catecumenatoEntrada no catecumenatoQuando o candidato manifesta fé inicial e conversão
CatecumenatoEleição ou inscrição do nomeEm geral, no primeiro domingo da Quaresma
Purificação e iluminaçãoBatismo, Crisma e EucaristiaVigília Pascal
MistagogiaEncerramento do tempo pascalAté Pentecostes
As etapas do catecumenato segundo o RICA

Catecúmeno e batizado: o que muda

Se um catecúmeno morre antes do Batismo, ele não se perde: o desejo explícito do sacramento, unido ao arrependimento e à caridade, “garante-lhe a salvação” (CIC §1259). É o chamado batismo de desejo.

AspectoCatecúmenoBatizado
Pertença à IgrejaUnido à Igreja pelo desejo (cân. 206)Incorporado a Cristo e à Igreja
SacramentosAinda não os recebeRecebe a Eucaristia e os demais
BênçãosPode recebê-las (cân. 1170)Pode recebê-las
ExéquiasEquiparado aos fiéis (cân. 1183)Funeral cristão
Se morrer antesSalvo pelo batismo de desejo (CIC §1259)Não se aplica
Catecúmeno e batizado: comparação segundo o Catecismo e o Código

Quem já foi batizado em outra Igreja cristã não é catecúmeno: o Batismo válido não se repete, como explicamos em o que é o Batismo.

Catecumenato crismal e catecumenato matrimonial

Muitas paróquias chamam de “catecumenato crismal” a preparação de jovens e adultos já batizados para a Crisma. O nome indica um modelo inspirado no catecumenato, com etapas e ritos, mas não é catecumenato em sentido estrito, porque o candidato já é batizado.

Em 2022, o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida publicou, com prefácio do Papa Francisco, os Itinerários catecumenais para a vida matrimonial. O documento propõe um “catecumenato matrimonial” em três fases: a preparação ao casamento, a celebração e o acompanhamento dos primeiros anos. A ideia é que o sacramento do Matrimônio não seja precedido apenas por um curso rápido.

O que é catecumenato na Igreja Católica?

É a formação dos adultos não batizados para os sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia. Restaurado pelo Concílio Vaticano II (Sacrosanctum Concilium 64), segue hoje o Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, o RICA, com etapas e ritos que culminam na Vigília Pascal.

O que é catecúmeno?

É o adulto que pediu o Batismo e foi admitido ao catecumenato com um rito litúrgico. Ainda não é batizado, mas o Catecismo ensina que já está unido à Igreja (CIC §1249), e o Código de Direito Canônico lhe reconhece prerrogativas, como receber bênçãos e ter exéquias cristãs.

Quanto tempo dura o catecumenato?

Não há um prazo fixo. A Igreja pede o tempo necessário para que a conversão e a fé amadureçam, e na prática costuma durar um ano ou mais. Na Igreja antiga, a Tradição Apostólica falava de até três anos, e o Concílio de Elvira supunha dois.

O que é catecumenato crismal?

É o nome que muitas paróquias dão à preparação para a Crisma de jovens e adultos já batizados, organizada em etapas como o catecumenato. É um modelo inspirado nele, não o catecumenato em sentido estrito, que é próprio de quem ainda não recebeu o Batismo.

O que é catecumenato matrimonial?

É a proposta dos Itinerários catecumenais para a vida matrimonial, publicados em 2022 pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Inspirados no catecumenato batismal, preveem três fases: preparação ao casamento, celebração e acompanhamento dos primeiros anos de vida conjugal.

O catecumenato lembra que ninguém nasce cristão: torna-se cristão. Para o adulto que chega, é um caminho seguro; para a comunidade que o acolhe, é um convite a redescobrir a graça do próprio Batismo.