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Missa de sétimo dia: o que significa, como contar e como pedir

Missa pelos defuntos numa igreja gótica, com o caixão coberto e a família de luto diante do altar

Quando alguém morre, uma das primeiras perguntas da família católica é: quando será a missa de sétimo dia? O costume é tão comum no Brasil que muita gente o cumpre sem saber o que ele significa.

Veja por que a Igreja reza pelos falecidos, de onde vem o costume, como contar e como pedir a intenção.

Resposta rápida

O que significa a missa de sétimo dia?

É a Missa oferecida pela alma de um falecido cerca de uma semana após a morte, para que, purificado, ele entre na glória de Deus. O sétimo dia é um costume antigo, inspirado nos sete dias de luto da Bíblia, e não uma lei: a Missa pode ser celebrada em outro dia.

Por que a Igreja oferece Missas pelos mortos

A raiz está na Escritura. Depois de uma batalha, Judas Macabeu fez uma coleta e a enviou a Jerusalém para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados dos soldados mortos: “Eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas” (2Mc 12,46, Bíblia Ave-Maria).

Sacerdote celebra a Missa enquanto um anjo liberta uma alma do purgatório, fruto do sufrágio
Beato Francisco Venimbeni celebra a Missa pelas almas do purgatório, desenho de Giuseppe Cades (século XVIII), Metropolitan Museum. Imagem: Giuseppe Cades, CC0, via Wikimedia Commons

O Catecismo ensina que, desde os primeiros tempos, a Igreja honra a memória dos defuntos e oferece sufrágios por eles, “particularmente o Sacrifício eucarístico”, para que, purificados, cheguem à visão de Deus (CIC §1032; veja também §958). A Missa é oferecida pelos fiéis defuntos “que morreram em Cristo e não estão ainda de todo purificados” (CIC §1371).

Essa purificação é o purgatório, e a comemoração de todos os fiéis falecidos tem o seu dia próprio, explicado em o Dia de Finados. A base de tudo é a comunhão dos santos: vivos e mortos continuam unidos em Cristo.

Santa Mônica e Santo Agostinho em Óstia, pouco antes da morte dela, que pediu memória no altar
Santo Agostinho e Santa Mônica, de Ary Scheffer (século XIX), Museu da Vida Romântica, Paris. Imagem: Ary Scheffer, domínio público, via Wikimedia Commons

No mesmo número, o Catecismo lembra o pedido de Santa Mônica antes de morrer, relatado por seu filho Agostinho: que não se preocupassem com o lugar do enterro, mas se lembrassem dela diante do altar do Senhor (CIC §1371). É o que a família faz nessa celebração.

Por que o sétimo dia?

Na Bíblia, sete dias é o tempo do luto. José celebrou “um pranto de sete dias” por Jacó (Gn 50,10). O Eclesiástico diz que “o luto por um morto dura sete dias” (Eclo 22,13), e todo o povo chorou Judite “durante sete dias” (Jt 16,25). Os números seguem a Bíblia Ave-Maria; outras traduções trazem Eclo 22,12 e Jt 16,24.

A Igreja antiga também marcava certos dias depois da morte. As Constituições Apostólicas, do século IV, mandam lembrar o falecido no terceiro, no nono e no quadragésimo dia e no aniversário (livro VIII, 42). No Ocidente, textos atribuídos a Teodoro de Cantuária (século VII) e a São Dunstano (século X) falam do terceiro, do sétimo e do trigésimo dia.

Ofício dos defuntos numa igreja medieval: monges e família rezam diante do caixão
Ofício dos defuntos, iluminura do Mestre das Horas de Llangattock (década de 1450), J. Paul Getty Museum. Imagem: Mestre das Horas de Llangattock, domínio público, via Wikimedia Commons

O sétimo dia ficou como costume forte em Portugal e no Brasil. Não é lei da Igreja: nenhum cânon o exige, e a Missa pode ser no sexto, no oitavo ou no domingo seguinte.

Como contar o sétimo dia

No uso popular, o dia da morte conta como o primeiro. Quem faleceu numa segunda-feira tem o sétimo dia no domingo seguinte. Como é costume, e não regra, as paróquias marcam a Missa mais próxima dessa data.

Exequial, sétimo dia, trigésimo e aniversário

Clérigos e enlutados rezam junto ao caixão coberto, entre velas, numa celebração pelos mortos
Celebração pelos mortos, iluminura de Willem Vrelant (início da década de 1460), J. Paul Getty Museum. Imagem: Willem Vrelant, domínio público, via Wikimedia Commons
MissaQuandoSentido
Missa exequialNo funeral, normalmente com o corpo presenteEncomendar o falecido a Deus; é o coração das exéquias (CIC §1689)
Missa de sétimo diaCerca de uma semana depois da morteSufrágio no fim do luto mais intenso
Missa de trigésimo diaUm mês depoisContinuar a oração, costume muito antigo
Missa de aniversárioUm ano depois e nos anos seguintesManter viva a memória e o sufrágio
Missas pelos falecidos: quando se celebram e o que significam

Nas exéquias, a família aprende a viver em comunhão com quem “adormeceu no Senhor” (CIC §1689). Os funerais estão resumidos no Compêndio sobre sacramentais e funerais. Se o corpo foi cremado, nada muda: a Missa é oferecida do mesmo modo, e a Igreja explica as condições da cremação na Igreja Católica.

Como pedir uma Missa de sétimo dia

PassoO que fazer
1. Procurar a paróquiaIr à secretaria ou ligar logo após o enterro
2. Informar os dadosNome completo do falecido e a data desejada
3. Escolher a MissaCombinar o dia e o horário mais próximos do sétimo dia
4. Oferecer a espórtulaDar a oferta da intenção, conforme o costume da diocese
5. Avisar a famíliaEnviar o convite com local, data e horário
Passo a passo para pedir a intenção na paróquia

A espórtula (ou estipêndio) não é pagamento pela Missa, que não tem preço. O Código de Direito Canônico diz que, ao oferecê-la, os fiéis contribuem para o bem da Igreja e o sustento dos seus ministros e obras (cân. 946). Manda evitar “inteiramente qualquer aparência de negócio ou comércio” (cân. 947) e recomenda aos sacerdotes celebrar também sem estipêndio, sobretudo pelos pobres (cân. 945 §2).

Essa oferta pela intenção é diferente do compromisso regular com a paróquia, tratado em o dízimo na Igreja Católica.

São Gregório Magno, papa, a quem se liga o costume das trinta Missas gregorianas
São Gregório Magno, de Jacopo Vignali (c. 1630), Walters Art Museum, Baltimore. Imagem: Jacopo Vignali, domínio público, via Wikimedia Commons

E as Missas gregorianas?

São trinta Missas celebradas em trinta dias seguidos por um único falecido. O costume nasce de um relato de São Gregório Magno nos Diálogos (livro IV), sobre um monge por quem mandou oferecer Missas durante trinta dias. É uma devoção piedosa, não uma obrigação.

Mulher reza junto a um túmulo com coroa e lamparina, gesto de quem ora pelos seus falecidos
Dia de Finados, de Jakub Schikaneder (1888). Imagem: Jakub Schikaneder, domínio público, via Wikimedia Commons

O que a família pode fazer

  • Participar da Missa e unir-se à oração da Igreja. Na Oração Eucarística, o sacerdote faz a memória dos mortos, como mostram as partes da Missa.
  • Comungar, se estiver em estado de graça; as condições estão em quem pode comungar.
  • Rezar pelo falecido em casa: o terço, uma novena pelos falecidos ou as indulgências aplicadas a ele.

E deixar-se consolar: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”, diz Jesus nas bem-aventuranças de Jesus.

Modelo de convite

A família de [nome do falecido] agradece as manifestações de carinho e convida parentes e amigos para a Missa em sufrágio de sua alma, que será celebrada no dia [data], às [horário], na Igreja [nome da paróquia], em [cidade].

“Evangélicos não oram pelos mortos”

A maioria das igrejas protestantes rejeita a oração pelos falecidos porque não aceita o purgatório nem os livros dos Macabeus. Mas a prática é antiquíssima, já aparece nas inscrições e liturgias dos primeiros cristãos e está ligada à fé na ressurreição: “se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles” (2Mc 12,44). As objeções mais comuns são respondidas em calúnias contra o purgatório e em orar pelos mortos na Bíblia.

O que significa a missa de sétimo dia?

É a Missa oferecida pela alma de quem morreu, cerca de uma semana depois do falecimento. A família pede que o sacrifício de Cristo seja aplicado ao falecido, para que seja purificado e entre na glória de Deus. O sétimo dia lembra os sete dias de luto da Bíblia.

Como contar o sétimo dia depois da morte?

No costume brasileiro, o dia da morte conta como o primeiro dia. Assim, quem morreu numa segunda-feira tem o sétimo dia no domingo seguinte. Não é regra da Igreja: a paróquia costuma marcar a Missa disponível mais próxima dessa data.

A Missa pode ser celebrada no oitavo dia?

Pode. O sétimo dia é um costume, não uma lei: nenhum cânon obriga a celebrar exatamente nessa data. A família pode pedir a Missa no oitavo dia, no domingo seguinte ou quando for possível reunir todos. O valor do sufrágio está na Missa, não na data.

Por que se reza Missa pelos mortos?

Porque a Igreja reza pelos mortos desde os primeiros tempos e oferece por eles sobretudo o sacrifício eucarístico (CIC §1032). Quem morre na amizade de Deus, mas ainda precisa de purificação, é ajudado pela oração e pela Missa dos vivos.

Como fazer o convite para a Missa?

Basta um texto simples com o nome do falecido, um agradecimento pelas manifestações de carinho, o convite a parentes e amigos e o dia, o horário, a igreja e a cidade da Missa. Pode ser enviado por mensagem, publicado em jornal ou lido nas redes sociais.

Pedir essa Missa é um gesto de fé e de caridade: a família confia o falecido à misericórdia de Deus e reafirma a esperança na ressurreição. Leia o texto do Catecismo sobre a purificação final e a oração pelos defuntos, no site do Vaticano, ou a seção do Catecismo sobre creio na vida eterna.