Quando um papa morre ou renuncia, o mundo inteiro volta os olhos para uma pequena chaminé sobre o telhado da Capela Sistina. Mas como é eleito o papa, na prática? Quem vota, quantos votos são necessários e o que acontece atrás das portas fechadas?
Veja cada etapa do conclave, as regras da Igreja e a eleição de 2025.
Resposta rápida
Como é eleito o papa?
O papa é eleito pelos cardeais com menos de 80 anos, reunidos em conclave na Capela Sistina. Eles votam em segredo, por escrito, até quatro vezes por dia. É eleito quem obtém pelo menos dois terços dos votos. Se ele aceita, escolhe um nome, e a fumaça branca e o anúncio “Habemus Papam” comunicam a eleição ao mundo.
As regras: Universi Dominici Gregis
A eleição do Bispo de Roma segue a constituição apostólica Universi Dominici Gregis, promulgada por São João Paulo II em 22 de fevereiro de 1996. Bento XVI a modificou duas vezes: em 11 de junho de 2007 restabeleceu a norma tradicional de que são sempre exigidos dois terços dos votos, e em 22 de fevereiro de 2013, com a carta Normas nonnullas, ajustou outros pontos.

O eleito será o sucessor de Pedro (Mt 16,18). Veja o que é o papa e qual a sua missão e as 50 provas do primado de Pedro.
Sé vacante: o que acontece antes do conclave
A Sé de Roma fica vacante pela morte do papa ou pela renúncia, como aconteceu na renúncia de Bento XVI em 2013.
- O camerlengo constata oficialmente a morte e sela os aposentos do papa (UDG 17).
- As congregações gerais reúnem todos os cardeais, inclusive os que não votam, para preparar o conclave (UDG 19).
- Os novendiais são nove dias seguidos de Missas pelo papa falecido (UDG 27), um costume aparentado com a novena.
A lei manda esperar quinze dias completos pelos cardeais ausentes. O Colégio pode antecipar o início se todos já estiverem presentes, mas, passados no máximo vinte dias, a eleição tem de começar (UDG 37, na redação de 2013).
Quem vota e quem pode ser eleito
Só os cardeais votam, e apenas os que ainda não completaram 80 anos antes do dia em que a Sé ficou vacante. O número máximo de eleitores previsto é de 120 (UDG 33). Quase todos são bispos (veja os três graus da Ordem).
| Pergunta | O que diz a norma | Referência |
|---|---|---|
| Quem vota | Os cardeais com menos de 80 anos no início da Sé vacante | UDG 33 |
| Quantos eleitores | No máximo 120, como regra | UDG 33 |
| Quem pode ser eleito | Os cardeais podem escolher também alguém de fora do Colégio | UDG 83 |
| Se o eleito não for bispo | Deve ser ordenado bispo imediatamente | UDG 88 |
| Votos necessários | Pelo menos dois terços dos eleitores presentes | UDG 62, na redação de 2013 |
Em princípio, pode ser eleito qualquer homem católico batizado capaz de receber a ordenação episcopal. Na prática, desde 1378 todos os eleitos foram cardeais.
O conclave passo a passo

Durante a eleição, os cardeais se hospedam na Domus Sanctae Marthae e todas as votações acontecem exclusivamente na Capela Sistina (UDG 43 e 51).
| Etapa | O que acontece | Onde |
|---|---|---|
| Missa pro eligendo Pontifice | Os cardeais pedem a luz do Espírito Santo | Basílica de São Pedro |
| Procissão | Cantam a Ladainha de Todos os Santos e o Veni Creator | Da Capela Paulina à Sistina |
| Juramento | Cada eleitor jura observar as normas e guardar segredo | Capela Sistina |
| Extra omnes | “Todos para fora”: saem os que não votam e as portas se fecham | Capela Sistina |
| Votações | Uma na primeira tarde; depois até duas pela manhã e duas à tarde | Capela Sistina |
| Queima das cédulas | Fumaça preta ou branca | Chaminé da Sistina |

A cédula traz impressas as palavras Eligo in Summum Pontificem (“Elejo como Sumo Pontífice”). Cada cardeal escreve um nome com letra que não se reconheça, dobra o papel e o leva ao altar, diante do Juízo Final de Michelangelo (UDG 65 e 66).
Três escrutinadores sorteados leem cada nome em voz alta (UDG 69). Depois de três dias sem resultado, há uma pausa de até um dia para oração e diálogo (UDG 74).
Fumaça preta e fumaça branca

Depois de cada escrutínio as cédulas são queimadas, para guardar o segredo (UDG 70 e 71).
- Fumaça preta: a votação não elegeu ninguém.
- Fumaça branca, com o toque dos sinos: a Igreja tem um novo papa.
Aceitação, nome e Habemus Papam
Alcançados os dois terços, o cardeal decano pergunta ao eleito: “Aceitas a tua eleição canônica para Sumo Pontífice?” e, em seguida, “Como queres ser chamado?” (UDG 87). Com o sim, ele já é o Bispo de Roma (UDG 88).
O novo papa passa então à chamada “Sala das Lágrimas”, ao lado da Sistina, onde veste pela primeira vez a batina branca.

Por fim, o primeiro dos cardeais diáconos, o protodiácono, anuncia da sacada central da Basílica de São Pedro: Annuntio vobis gaudium magnum: habemus Papam! (“Anuncio-vos uma grande alegria: temos papa!”). O eleito aparece e dá a primeira bênção Urbi et Orbi, à cidade e ao mundo (UDG 89).
De onde vem o conclave

A palavra vem do latim cum clave, “com chave”: os eleitores ficam fechados até concluir a escolha. A origem é a eleição de Viterbo, que durou quase três anos (1268 a 1271). Eleito, Gregório X publicou a constituição Ubi periculum (1274), que mandou trancar os cardeais para evitar novas demoras. Desde então, com ajustes ao longo dos séculos, o isolamento dos eleitores marca toda eleição papal.
A sucessão está na lista completa dos papas; as eleições contestadas, em os antipapas e a Igreja.
O conclave de 2025
O Papa Francisco morreu em 21 de abril de 2025, segunda-feira da oitava da Páscoa. Os cardeais marcaram o conclave para 7 de maio, e nessa tarde 133 eleitores entraram na Sistina; eram necessários pelo menos 89 votos.
Em 8 de maio de 2025, a fumaça branca anunciou a eleição do cardeal Robert Francis Prevost, que tomou o nome de Leão XIV, 267º Bispo de Roma. O anúncio foi feito pelo cardeal protodiácono Dominique Mamberti. Poucos meses depois, foi ele quem encerrou o Ano Santo, como se lê em o que é o jubileu e a Porta Santa.
O texto integral das normas está na constituição Universi Dominici Gregis no site do Vaticano. Sobre a autoridade do eleito, veja a sucessão apostólica na Bíblia e o dogma da infalibilidade papal.
Como é eleito o papa?
Pelos cardeais com menos de 80 anos, reunidos em conclave na Capela Sistina. Votam em segredo, por escrito, até quatro vezes por dia, e é eleito quem obtém pelo menos dois terços dos votos. Se aceita a eleição, ele escolhe o nome, e a fumaça branca e o anúncio Habemus Papam comunicam a notícia.
Quem vota na eleição do papa?
Somente os cardeais que ainda não completaram 80 anos antes do dia em que a Sé de Roma ficou vacante. A norma fixa em 120 o número máximo de eleitores (Universi Dominici Gregis, 33). Os cardeais mais velhos participam das congregações gerais, mas não entram no conclave para votar.
Quantos votos precisa para ser papa?
Pelo menos dois terços dos votos dos cardeais eleitores presentes. Bento XVI restabeleceu essa exigência em 2007 e a confirmou em 2013, de modo que ela vale em qualquer fase do conclave. Em 2025, com 133 eleitores, eram necessários pelo menos 89 votos.
O que é o conclave?
É a reunião dos cardeais eleitores, fechados na Capela Sistina, para escolher o novo papa. O nome vem do latim cum clave, com chave. A prática foi fixada por Gregório X em 1274, depois de uma eleição em Viterbo que durou quase três anos.
O que significa a fumaça branca?
Que um novo papa foi eleito e aceitou o cargo. Depois de cada votação as cédulas são queimadas: a fumaça preta indica que ninguém alcançou os dois terços, e a fumaça branca, acompanhada do toque dos sinos, anuncia a eleição. Pouco depois vem o anúncio Habemus Papam.
No fundo, o conclave é um ato de fé. Os cardeais juram votar em quem julgam, diante de Deus, o mais apto para governar a Igreja, e todos os fiéis rezam com eles para que o Espírito Santo conduza a escolha do novo sucessor de Pedro.
