Quem visita o Vaticano logo repara nos soldados de uniforme azul, vermelho e amarelo, de alabarda na mão. São os homens da Guarda Suíça Pontifícia, o corpo que protege o Papa desde 1506.
Veja de onde ela veio, por que é suíça, como é o juramento, quem pode entrar e o que faz hoje.
Resposta rápida
O que é a Guarda Suíça?
É o corpo de soldados suíços e católicos que protege o Papa e sua residência desde 1506, quando o Papa Júlio II os chamou a Roma. Hoje tem 135 homens, guarda as entradas da Cidade do Vaticano, presta serviços de honra e acompanha o Papa em viagens. Os novos guardas juram fidelidade todo dia 6 de maio.
A origem da Guarda Suíça e por que ela é suíça
A própria Guarda considera seu dia de fundação 22 de janeiro de 1506. Naquele dia, 150 suíços comandados pelo capitão Kaspar von Silenen, do cantão de Uri, entraram em Roma pela Porta del Popolo e foram ao Vaticano, onde o Papa Júlio II os abençoou.

Por que suíços? Os soldados suíços eram os mercenários mais procurados da Europa, famosos pela coragem e pela fidelidade. Em 1512, como aliados de Júlio II, decidiram a sorte da Itália, e o Papa lhes deu o título de defensores da liberdade da Igreja.
Júlio II e seus sucessores estão na lista completa dos Papas, todos sucessores do apóstolo a quem Cristo confiou as chaves (veja as provas do primado de Pedro).
O Saque de Roma em 6 de maio de 1527
Em 1527, as tropas do imperador Carlos V, sem pagamento havia mais de dois anos, marcharam sobre Roma e a invadiram na manhã de 6 de maio.

Segundo a Guarda, dos 189 suíços só 42 sobreviveram: os que levaram o Papa Clemente VII pelo Passetto, passagem secreta sobre a muralha, até o Castelo de Sant’Angelo. Os outros 147 caíram combatendo, muitos diante do altar-mor de São Pedro, entre eles o comandante Kaspar Röist.
O juramento de 6 de maio
Em memória daquele dia, os novos guardas juram todo 6 de maio, em geral no Pátio de São Dâmaso do Palácio Apostólico. O capelão lê a fórmula, e cada recruta, de couraça, jura sobre a bandeira da Guarda repetindo-a em forma breve.

Esta é a nossa tradução da fórmula em alemão publicada pela Guarda:
“Juro servir com fidelidade, lealdade e honra ao Sumo Pontífice reinante e a seus legítimos sucessores e dedicar-me a eles com todas as forças, pronto a dar, se for preciso, a própria vida por sua defesa. Assumo os mesmos deveres para com o Colégio dos Cardeais durante a Sé Vacante. Prometo ainda ao Senhor Comandante e aos demais superiores respeito, fidelidade e obediência. Assim o juro. Que Deus e os nossos santos padroeiros me ajudem.”
Fórmula do juramento, tradução do texto alemão do site oficial da Guarda Suíça Pontifícia
A Sé Vacante é o tempo entre a morte ou renúncia de um Papa e a eleição do seguinte, explicado em como é eleito o Papa. A Guarda tem capelão próprio, um padre que celebra os sacramentos para o corpo (veja a diferença entre frei e padre).
Quem pode entrar na Guarda Suíça
Requisitos do site oficial da Guarda, consultado em 22 de outubro de 2026 (a lista não traz altura mínima):
| Requisito | Regra atual |
|---|---|
| Fé | Ser católico praticante |
| Nacionalidade | Ter cidadania suíça |
| Sexo | Masculino: a Guarda é um corpo só de homens |
| Idade | De 19 a 30 anos ao entrar |
| Estado civil | Solteiro ao entrar; para casar, pelo menos 25 anos, cinco anos de serviço e compromisso de mais três |
| Formação | Curso profissional concluído (EFZ) ou Matura, e a escola de recrutas do Exército suíço |
| Saúde e conduta | Exame médico e reputação irrepreensível |
| Compromisso | Servir pelo menos 27 meses |
| Habilitação | Carteira de motorista categoria B |
O lema da Guarda é “Tapfer und Treu”, valente e fiel. A Suíça tem por padroeiro São Nicolau de Flüe, o eremita suíço, e a Guarda tem em Roma uma igreja própria, dedicada a São Martinho e São Sebastião, que São Pio V mandou erguer em 1568.
Quem desenhou o uniforme da Guarda Suíça
Costuma-se dizer que foi Michelangelo, mas isso é lenda. Segundo a própria Guarda, o uniforme de gala se deve em grande parte ao comandante Jules Repond (1910 a 1921), inspirado nos afrescos de Rafael.

- Cores: azul, vermelho e amarelo, cores tradicionais da casa dos Médici.
- Elmo: traz em relevo o carvalho do brasão dos della Rovere, a família de Júlio II.
- Couraça: do século XVII, usada na Páscoa, no Natal e no juramento.
- Uniforme de exercício: todo azul, usado no treino e na Porta Sant’Anna.
O que a Guarda Suíça faz hoje
A Guarda vela pela segurança pessoal do Papa e de sua residência e controla as entradas oficiais da Cidade do Vaticano. Também vigia audiências e cerimônias, presta honras a chefes de Estado e protege os cardeais na Sé Vacante.

Oficiais e suboficiais seguem o Papa nas viagens. Na Basílica de São Pedro, sobre o túmulo do apóstolo em Roma (veja a diferença entre basílica e catedral), os guardas fazem serviço de honra nas grandes celebrações. Já serviram a dezenas de Papas, inclusive ao primeiro saído da Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas, eleito em 2013.

Santa Sé, Vaticano e Gendarmaria
Em 1870 o Reino da Itália tomou Roma; as tropas pontifícias foram dispensadas e só a Guarda Suíça ficou no Vaticano. Pelo Tratado de Latrão, de 11 de fevereiro de 1929, a Itália reconheceu à Santa Sé o direito exclusivo de governar-se, e nasceu o Estado da Cidade do Vaticano.
Não se confundem: a Santa Sé é o Papa com a Cúria que o ajuda a governar a Igreja universal (veja a hierarquia da Igreja); o Vaticano é o pequeno Estado que garante a sua independência. A Guarda serve ao Papa; a polícia do Estado é outro corpo, a Gendarmaria, herdeira da antiga Vigilância.
Por isso a Guarda costuma ser chamada de “menor exército do mundo”, mas em 1929 o próprio governo suíço a definiu como uma simples guarda de polícia, e não uma tropa estrangeira.
| Ano | Fato |
|---|---|
| 1506 | 150 suíços chegam a Roma e são abençoados por Júlio II (22 de janeiro) |
| 1527 | Saque de Roma: 147 guardas morrem, 42 salvam Clemente VII (6 de maio) |
| 1568 | São Pio V manda erguer a igreja da Guarda |
| 1870 | Fim do poder temporal; só a Guarda Suíça permanece no Vaticano |
| 1910 a 1921 | Comando de Jules Repond, que dá forma ao uniforme de gala atual |
| 1929 | Tratado de Latrão e criação do Estado da Cidade do Vaticano |
| 2027 | 500 anos do Saque de Roma |
Mais detalhes estão no site oficial da Guarda Suíça Pontifícia.
Por que a guarda do Papa é suíça?
Porque, no início do século XVI, os soldados suíços eram os mais respeitados da Europa pela coragem e pela fidelidade. Júlio II os chamou a Roma em 1506, e a tradição dura até hoje: só cidadãos suíços podem entrar.
Qual a origem da Guarda Suíça?
Nasceu a pedido do Papa Júlio II. Em 22 de janeiro de 1506, dia oficial da fundação, 150 suíços entraram em Roma e foram abençoados pelo Papa. Em 1527, no Saque de Roma, a maioria morreu defendendo Clemente VII.
Quem pode entrar na Guarda Suíça?
Homens suíços, católicos praticantes e solteiros, de 19 a 30 anos, com formação profissional ou Matura, escola de recrutas do Exército suíço, boa saúde e reputação irrepreensível. Devem servir ao menos 27 meses, segundo o site oficial.
Quem desenhou o uniforme da Guarda Suíça?
Não foi Michelangelo, como diz a lenda. Segundo a própria Guarda, o uniforme de gala se deve em grande parte a Jules Repond, comandante de 1910 a 1921, inspirado nos afrescos de Rafael. As cores são as tradicionais dos Médici.
Quantos guardas tem a Guarda Suíça?
O site oficial fala de uma tropa de 135 homens. O número mudou ao longo da história: em 1506 chegaram 150 suíços, e no Saque de Roma, em 1527, eram 189.
A Guarda Suíça é mais do que um cartão-postal: são jovens que dão alguns anos da vida para servir ao sucessor de Pedro, prontos, como juram, a dar a vida por ele.
