Em milhares de casas brasileiras, uma pequena capela de madeira com a imagem de Maria chega uma vez por mês, fica alguns dias na sala e segue para a família vizinha. É a Mãe Rainha de Schoenstatt, como o Brasil chama a “Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt”.
A devoção nasceu numa capelinha da Alemanha em 1914 e ganhou o país pelas mãos de um comerciante gaúcho. Veja a história, o título e o que é a Aliança de Amor.
Resposta rápida
Quem é a Mãe Rainha de Schoenstatt?
É Nossa Senhora venerada como Mãe Três Vezes Admirável no Movimento de Schoenstatt, fundado pelo Padre José Kentenich em 18 de outubro de 1914, em Vallendar, na Alemanha. O centro da devoção é a Aliança de Amor com Maria. No Brasil, ela se difundiu pela Campanha da Mãe Peregrina, iniciada em 1950 por João Luiz Pozzobon.
18 de outubro de 1914: a Aliança de Amor
José Kentenich (1885-1968) era padre palotino, da sociedade fundada por São Vicente Pallotti, e diretor espiritual do seminário menor da congregação em Schoenstatt, bairro de Vallendar, às margens do Reno. Ao lado havia uma velha capela de São Miguel, abandonada.

Em 18 de outubro de 1914, com a Primeira Guerra já começada, ele propôs aos jovens seminaristas fazer da capelinha um lugar de graças. Eles se ofereceram como instrumentos nas mãos de Maria, com orações, sacrifícios e fidelidade ao dever, e pediram que ela se estabelecesse ali. Esse pacto é a Aliança de Amor; o site oficial frisa que em Schoenstatt não houve aparição.
Por que “Mãe Três Vezes Admirável”?
O título latino Mater ter admirabilis (sigla MTA) vem do jesuíta Jakob Rem e da congregação mariana de Ingolstadt, na Baviera, que veneravam uma cópia do ícone romano Salus populi Romani. Segundo a tradição local, em 1604 Rem percebeu, rezando a Ladainha de Nossa Senhora, que a invocação “Mãe admirável” agradava a Maria e passou a repeti-la três vezes.

Aquela cópia fora presente de São Francisco de Borja ao colégio jesuíta da cidade (sobre a ordem, veja quem são os jesuítas). Mais tarde o título foi lido como Mãe de Deus, Mãe do Redentor e Mãe dos redimidos.
O quadro de Luigi Crosio
A imagem de Schoenstatt reproduz uma pintura do italiano Luigi Crosio (1835-1915), de 1898, chamada Refugium peccatorum. Um professor a deu aos congregados, que a puseram na capela em 19 de agosto de 1915; desde 1916 ela é venerada como Mãe Três Vezes Admirável.

Maria aparece abraçada ao Menino Jesus: nunca sem Cristo, sempre levando a Ele. É a veneração que a Igreja dá a toda imagem sagrada, como mostra a resposta sobre se os católicos adoram imagens.
Padre José Kentenich, de Dachau a hoje
Preso pela Gestapo em 1941, Kentenich ficou no campo de concentração de Dachau até abril de 1945. A partir de 1949 a obra passou por uma visitação da Igreja, e ele viveu anos em Milwaukee, nos Estados Unidos. Voltou a Schoenstatt no Natal de 1965 e morreu em 15 de setembro de 1968, logo depois de celebrar a Missa.
| Ano | Fato |
|---|---|
| 1914 | Aliança de Amor na capelinha de São Miguel, em 18 de outubro |
| 1915 | O quadro de Crosio chega à capela |
| 1941 a 1945 | Kentenich é preso e levado a Dachau |
| 1943 | Primeiro santuário filial, em Nueva Helvecia (Uruguai) |
| 1950 | Início da Campanha da Mãe Peregrina em Santa Maria (RS) |
| 1975 | Abertura do processo de beatificação de Kentenich em Trier |
| 2025 | João Luiz Pozzobon é declarado venerável |
O processo de beatificação do fundador, aberto em 10 de fevereiro de 1975 na Diocese de Trier, está temporariamente suspenso desde 3 de maio de 2022 pelo bispo local, para investigar alegações divulgadas sobre ele. O processo não foi encerrado.
João Luiz Pozzobon e a Mãe Peregrina
Em 1948, em Santa Maria (RS), Kentenich pediu: “Levem a Imagem da Mãe de Deus e deem um lugar de honra nos lares”. Quem pôs isso em prática foi João Luiz Pozzobon (1904-1985), dono de um pequeno comércio e pai de sete filhos.

Em 10 de setembro de 1950, a Irmã M. Teresinha Gobbo, das Irmãs de Maria de Schoenstatt, entregou-lhe a imagem para que peregrinasse de casa em casa. Durante 35 anos ele a levou nos ombros por mais de 140 mil quilômetros, rezando o terço em lares, hospitais e presídios (veja a diferença entre terço e rosário).

Desde 1959, pequenas imagens visitam cada família uma vez por mês. Pozzobon foi ordenado diácono permanente em 1972 e morreu atropelado em 27 de junho de 1985, a caminho da Missa; em 2025 o Papa Leão XIV o declarou venerável. Hoje a Campanha está em todos os estados do Brasil, com santuários em Santa Maria e Atibaia (SP), entre outros.

Os sinais da devoção à Mãe Rainha
A Aliança de Amor é uma forma de consagração a Nossa Senhora, entendida como um modo de viver a aliança do sacramento do Batismo.
| Sinal | O que é | Sentido |
|---|---|---|
| Aliança de Amor | Entrega pessoal a Maria, selada num santuário | Viver a fé batismal com Maria como mãe e educadora |
| Capital de Graças | Orações e sacrifícios oferecidos a Maria | Unidos ao sacrifício de Cristo, viram graça para outros |
| Santuário-lar | Lugar de honra para a imagem em casa | Fazer do lar um pequeno santuário |
| Mãe Peregrina | Imagem que visita as famílias todo mês | Levar o terço às casas |
| Dia 18 | Dia da Aliança, todo mês | Recordar a fundação de 1914 |
O “capital de graças” não é compra de favores: é oferecer a Maria pequenos esforços diários para que ela os una ao sacrifício de Cristo, o único que merece a graça. É a lógica da intercessão dos santos na Bíblia.
Nada disso é adoração. Maria é honrada pelo que Deus fez nela, como ensinam os quatro dogmas marianos, e o título de Rainha tem raiz bíblica, explicada em Nossa Senhora Rainha. Outros títulos também pedem seu socorro, como Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Nossa Senhora Auxiliadora.
Oração à Mãe Rainha
Entre as orações mais rezadas na Família de Schoenstatt, o site oficial do movimento no Brasil traz esta pequena consagração:
“Ó minha Senhora, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a vós e, em prova da minha devoção para convosco, vos consagro neste dia os meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração e inteiramente todo o meu ser. E porque assim sou vosso(a), ó incomparável Mãe, guardai-me e defendei-me como coisa e propriedade vossa. Amém!”
Orações de Schoenstatt, schoenstatt.org.br
Para conhecer o fundador nas palavras do próprio movimento, leia a biografia do Padre José Kentenich no site internacional de Schoenstatt.
Qual a história da Mãe Rainha de Schoenstatt?
Em 18 de outubro de 1914, o Padre José Kentenich e seminaristas palotinos selaram a Aliança de Amor com Maria numa capelinha em Schoenstatt, na Alemanha. Em 1915 puseram ali um quadro de Luigi Crosio, venerado como Mãe Três Vezes Admirável. No Brasil, a devoção cresceu com a Campanha da Mãe Peregrina, desde 1950.
Quem foi o padre José Kentenich?
Foi um sacerdote palotino alemão (1885-1968), fundador do Movimento de Schoenstatt. Esteve preso em Dachau de 1941 a 1945 e viveu anos nos Estados Unidos antes de voltar a Schoenstatt em 1965. Seu processo de beatificação, aberto em 1975, está temporariamente suspenso desde 2022.
O que é a Mãe Peregrina?
É a imagem da Mãe Três Vezes Admirável que visita as famílias numa pequena capela de madeira. A Campanha começou em 1950, em Santa Maria (RS), quando João Luiz Pozzobon recebeu a imagem para levá-la de casa em casa. Hoje cada imagem visita um grupo de famílias uma vez por mês.
Quando é o dia da Mãe Rainha?
A data principal é 18 de outubro, dia da fundação de Schoenstatt em 1914. O movimento também celebra todo dia 18 como Dia da Aliança, com Missa ou terço. Não é uma festa do calendário litúrgico universal, mas uma celebração própria do movimento.
A devoção não pede nada de extraordinário: pede que a casa se abra para Maria e que a vida comum seja oferecida a Deus. Foi assim que uma capelinha alemã chegou a tantos lares do Brasil.
