Um Menino que corre para o colo da Mãe, uma sandália que se solta do pé, dois anjos que trazem a cruz e a lança. O ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma das imagens marianas mais difundidas do mundo, e muitas igrejas e casas do Brasil guardam uma cópia dele.
Veja de onde veio esse ícone bizantino, o que significa cada detalhe e por que a novena das quartas-feiras reúne tanta gente.
Resposta rápida
Quem é Nossa Senhora do Perpétuo Socorro?
É o título de Maria ligado a um ícone de estilo bizantino, pintado provavelmente em Creta no século XV e venerado em Roma desde 1499. Ele mostra o Menino Jesus que se refugia nos braços da Mãe ao ver os anjos com os instrumentos da Paixão. Em 1866, Pio IX confiou o ícone aos redentoristas. A festa é em 27 de junho.
Um ícone de Creta: a Mãe de Deus da Paixão
O original é uma pintura sobre madeira de nogueira, com fundo de ouro. Segundo a revista redentorista Liguorian, foi provavelmente pintado em Creta no século XV, então um dos grandes centros de pintura de ícones.
Ele segue o modelo que o Oriente chama de Mãe de Deus da Paixão (em russo, Strastnaya): Maria segura o Filho enquanto anjos lhe mostram os instrumentos do sofrimento. Pintores cretenses como Andreas Ritzos deixaram várias versões desse tipo.

Os ícones são herança comum do Oriente católico e ortodoxo, e venerá-los não é idolatria (veja as imagens na Igreja Católica).
O que significa o ícone, detalhe por detalhe
Como em todo ícone, letras gregas identificam os personagens. As cores e os gestos completam a mensagem:
| Elemento | O que mostra | Sentido |
|---|---|---|
| ΜΡ ΘΥ | Abreviação de Mêtêr Theou | Mãe de Deus, o título proclamado em Éfeso (431) |
| ΙϹ ΧϹ | Abreviação de Iêsous Christos | Jesus Cristo |
| ΟΑΜ e ΟΑΓ | O Arcanjo Miguel e o Arcanjo Gabriel | Os mensageiros de Deus anunciam a Paixão |
| São Miguel | A lança e a esponja | O Calvário (Jo 19,29-34) |
| São Gabriel | A cruz e os cravos | O sacrifício que salvará o mundo |
| O olhar de Maria | Ela olha para quem reza | Convida a recorrer a ela e a olhar para Jesus |

Por que o Menino está com a sandália caída?
O Menino viu os anjos com a cruz e correu para os braços da Mãe com tanta pressa que uma das sandálias se soltou e ficou presa só pela tira. As mãozinhas agarram a mão direita de Maria.
A leitura redentorista vê ali o medo humano de Jesus diante da Paixão e a sua verdadeira humanidade: o Filho de Deus quis ter uma mãe a quem recorrer. A dor da própria Maria junto à cruz tem festa própria, a de Nossa Senhora das Dores.
Da ilha de Creta a Roma: a história do ícone
Segundo a tradição resumida pela Canção Nova, um mercador levou o ícone de Creta e, doente em Roma, pediu a um amigo que o entregasse a uma igreja. O resto é documentado:
| Época | Fato |
|---|---|
| Século XV | O ícone é pintado, provavelmente em Creta, e levado a Roma (tradição) |
| 1499 | É entronizado na igreja de São Mateus, na Via Merulana, onde fica cerca de três séculos |
| 1798 | Com a chegada das tropas de Napoleão, a igreja é destruída; os agostinianos guardam o ícone numa capela, onde ele cai no esquecimento |
| 1855 | Os redentoristas compram o terreno da antiga São Mateus |
| 1865 | O ícone é redescoberto |
| 1866 | Pio IX o confia aos redentoristas, que o expõem na igreja de Santo Afonso |
| 1867 | O ícone é coroado solenemente |

Ao entregar o ícone, o Beato Pio IX fez uma recomendação que a Canção Nova registra assim: “Fazei com que todo o mundo conheça esta devoção”. A Agência Fides, ao recordar os 150 anos da entrega, resume o mesmo mandato.

Hoje o original está sobre o altar-mor da igreja de Santo Afonso, no monte Esquilino, erguida pelos redentoristas no lugar da antiga São Mateus.
Os redentoristas, guardiões do ícone

A Congregação do Santíssimo Redentor foi fundada em 1732 por Santo Afonso Maria de Ligório, bispo e doutor da Igreja, para pregar missões aos mais abandonados. Afonso escreveu As Glórias de Maria, mas não conheceu o ícone: morreu em 1787, quase oitenta anos antes de ele chegar aos seus filhos.
Foram os missionários redentoristas, herdeiros também de São Clemente Maria Hofbauer, o apóstolo de Viena, que espalharam cópias do ícone pelo mundo.
A novena perpétua das quartas-feiras

A devoção cresceu sobretudo pela novena perpétua: em vez de nove dias seguidos, reza-se toda semana, sempre no mesmo dia, sem data para terminar. Em muitas igrejas do Brasil esse dia é a quarta-feira (veja o que é uma novena e quais são os seus tipos).
O exemplo mais conhecido é o Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Alto da Glória, em Curitiba. Segundo a Tribuna do Paraná, a novena começou em 1960 na Capela da Glória com apenas oito pessoas e chegou a reunir cerca de 35 mil fiéis por quarta-feira.
Dia, significado e oração
A festa é em 27 de junho; em 2027 a data cai num domingo. Não pertence ao calendário geral da Igreja: é celebrada pelos redentoristas e pelos santuários e paróquias dedicados a esse título.
O título não promete uma vida sem cruz. O socorro de Maria é o colo da Mãe diante da Paixão, que leva sempre ao Filho. O Catecismo ensina que sob a proteção da Virgem “se acolhem os fiéis implorando-a em todos os perigos e necessidades”, num culto que “difere essencialmente do culto de adoração” devido só a Deus (CIC §971, no capítulo sobre a comunhão dos santos).
Pedir o socorro de Maria não é adorá-la (veja a resposta à acusação de que católicos adoram Maria). A devoção nasce dos quatro dogmas marianos e da intercessão dos santos, que tem raiz na Bíblia.
Outro título pede a mesma ajuda: Nossa Senhora Auxiliadora, a devoção de Dom Bosco. Outro caminho de confiança é a aliança da Mãe Rainha de Schoenstatt.
Esta é a oração curta publicada pela Canção Nova no Santo do Dia de 27 de junho:
“Minha Mãe do Perpétuo Socorro, sede o meu amparo, meu socorro eterno, meu socorro sempre. Sede meu socorro materno em todas as minhas necessidades, Mãe! Sei que a senhora nunca abandona seus filhos! Entrego-me em Tuas mãos! Amém!”
Canção Nova, Santo do Dia
Qual a história de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro?
O ícone foi pintado provavelmente em Creta no século XV e levado a Roma. Em 1499 foi entronizado na igreja de São Mateus, destruída em 1798. Esquecido numa capela dos agostinianos, foi redescoberto em 1865 e confiado por Pio IX aos redentoristas em 1866, que o expõem na igreja de Santo Afonso, em Roma.
O que significa o ícone do Perpétuo Socorro?
Mostra o Menino Jesus que corre para o colo de Maria ao ver os arcanjos Miguel, com a lança e a esponja, e Gabriel, com a cruz e os cravos. As letras gregas indicam a Mãe de Deus, Jesus Cristo e os arcanjos. Maria olha para quem reza.
Quando é o dia do Perpétuo Socorro?
A festa é em 27 de junho, celebrada pelos redentoristas e pelos santuários e paróquias dedicados a esse título; não pertence ao calendário geral da Igreja. Em 2027 cai num domingo. Muitas igrejas rezam também a novena perpétua toda semana, em geral às quartas-feiras.
Por que o Menino Jesus está com a sandália caída?
Porque viu os anjos com os instrumentos da Paixão e correu assustado para os braços de Maria, com tanta pressa que uma sandália se soltou. A leitura redentorista vê no detalhe o medo humano de Jesus diante do sofrimento e a sua verdadeira humanidade.
O que é a novena perpétua?
É a novena rezada toda semana, sempre no mesmo dia e sem data para terminar, em vez de nove dias seguidos. Foi ela que mais difundiu a devoção ao Perpétuo Socorro. No Brasil costuma ser às quartas-feiras, como no santuário do Alto da Glória, em Curitiba.
O ícone do Perpétuo Socorro ensina uma fé de criança: diante do medo, correr para a Mãe. Maria não afasta a cruz, mas segura a mão de quem a procura e aponta para Jesus.
