Fogueira acesa, bandeirinhas no alto, quadrilha e milho cozido: poucas festas são tão brasileiras. Mas a origem da festa junina não está no milho nem na dança, e sim em três santos que a Igreja celebra em junho.
Veja de onde vêm essas festas, por que se acende a fogueira, se a festa junina é pagã e como vivê-la com fé.
Resposta rápida
Qual a origem da festa junina?
A festa junina nasceu das celebrações cristãs dos santos de junho, sobretudo do nascimento de São João Batista, em 24 de junho. Na Europa, essas festas absorveram costumes antigos do meio do ano, como as fogueiras, e os portugueses as trouxeram ao Brasil no período colonial. Por isso também são chamadas festas joaninas.
Os três santos da festa junina

- Santo Antônio (13 de junho): frade franciscano nascido em Lisboa e falecido em Pádua em 1231. Veja Santo Antônio de Lisboa, confessor e doutor da Igreja.
- São João Batista (24 de junho): a solenidade do seu nascimento (Lc 1,57-66). Além de Jesus, a liturgia celebra o nascimento só de Nossa Senhora e de João. Veja São João Batista, precursor do Salvador.
- São Pedro (29 de junho): celebrado com São Paulo; veja São Pedro e São Paulo, apóstolos.
| Santo | Dia | Quem foi | Costume ligado |
|---|---|---|---|
| Santo Antônio | 13 de junho (memória) | Frade franciscano português, pregador e Doutor da Igreja | Trezena, pão de Santo Antônio, fama de casamenteiro |
| São João Batista | 24 de junho (solenidade) | Precursor de Jesus, filho de Zacarias e Isabel | Fogueira e o grande São João do Nordeste |
| São Pedro | 29 de junho (solenidade, com São Paulo) | Pescador da Galileia, chefe dos apóstolos, mártir em Roma | Fecha o ciclo das festas de junho |

João é o centro de tudo. A Catholic Encyclopedia, no verbete sobre São João Batista, diz que a festa do seu nascimento é uma das mais antigas, se não a mais antiga, criadas em honra de um santo nas liturgias grega e latina.
Da Europa cristã ao Brasil colônia
O 24 de junho fica perto do solstício de verão do hemisfério norte, quando povos antigos acendiam fogueiras. Em muitos lugares, a festa cristã absorveu esses costumes e lhes deu sentido novo. A mesma enciclopédia registra que os “fogos de São João” duraram em certas regiões até hoje.

Em Portugal, as celebrações se chamaram festas joaninas. Segundo o padre Adelmo Sérgio Gomes, na Revista Ave Maria (junho de 2025), elas chegaram ao Brasil com a colonização, no século XVI. Pela explicação mais aceita, “joaninas” virou “juninas” por causa do mês.
Aqui as festas receberam milho, amendoim, pamonha e canjica, herança indígena, e o quentão. No Nordeste se tornaram o grande São João.
Por que se faz fogueira na festa junina?
O anjo avisa Maria de que Isabel está no sexto mês (Lc 1,36), Maria vai à casa da parenta (Lc 1,39-40), e no nascimento de João os vizinhos se alegram com Isabel (Lc 1,57-58). O encontro está em a Visitação de Nossa Senhora a Isabel.
Uma lenda popular diz que Isabel combinou com Maria acender um fogo no alto de um monte para avisar do nascimento. Isso não está na Bíblia e deve ser contado como lenda. Mas a imagem tem raiz no Evangelho: Jesus chamou João de “lâmpada que arde e ilumina” (Jo 5,35).

Quadrilha, bandeirinhas e quentão
A quadrilha vem da quadrille, dança de salão francesa de quatro casais. Segundo material da Universidade Federal de Sergipe, ela se popularizou no Brasil no século XIX, por influência da Corte Portuguesa. Daí os comandos “anarriê” (en arrière) e “alavantu” (en avant tous).
| Costume | Origem | O que a Igreja diz |
|---|---|---|
| Fogueira | Fogos do meio do ano, cristianizados como fogos de São João | Costume popular, não rito litúrgico |
| Quadrilha | Quadrille francesa, no Brasil desde o século XIX | Alegria honesta, com decência |
| Comidas e quentão | Milho e amendoim, herança indígena | Partilha sim; o abuso do álcool fere a temperança (CIC §2290) |
| Balões | Costume antigo das festas | Não pôr vidas em risco; soltá-los é crime (Lei 9.605/1998, art. 42) |
| Simpatias | Crendices ligadas aos santos | Superstição (CIC §2111) |
A festa junina é pagã?
Não. As festas celebram santos do calendário da Igreja. Alguns costumes têm raízes anteriores ao cristianismo e foram batizados, como aconteceu no Natal: veja a origem do Natal em 25 de dezembro. A quem diz que católico não pode festejar, responde o texto sobre a acusação de que católicos vão a festas com dança e cachaça.
Simpatias não são devoção
Pôr Santo Antônio de cabeça para baixo para “forçar” um casamento é superstição: atribuir eficácia a gestos exteriores sem as disposições interiores (CIC §2111). O santo não é chantageado, ele intercede, como explica a resposta sobre a intercessão dos santos na Bíblia.
A festa junina no Brasil hoje

O Nordeste concentra as maiores festas, com cidades cenográficas e semanas de forró, como em Campina Grande (PB). Em 9 de dezembro de 2021, o Iphan registrou as Matrizes Tradicionais do Forró como Patrimônio Cultural do Brasil; o Pau da Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha (CE), também é bem reconhecido pelo instituto.

Como viver as festas juninas com fé
Arraial e fé não se excluem. Muitas quermesses nascem nas paróquias e sustentam as obras da comunidade. Algumas sugestões para o mês:
- Ir à Missa no dia dos santos, sobretudo na solenidade de São João, e conhecer as partes da Missa explicadas uma a uma.
- Rezar a trezena de Santo Antônio ou uma novena aos santos de junho; veja o que é uma novena e como rezá-la.
- Praticar a caridade: o pão de Santo Antônio lembra o cuidado com os pobres, uma das obras de misericórdia corporais e espirituais.
- Contar às crianças quem foram os santos, antes da fogueira e da dança.
Santo Antônio foi frade da família de São Francisco: o título está explicado na diferença entre frei e padre, e a espiritualidade franciscana aparece nas orações de São Francisco. Outra devoção popular ligada a um santo é a bênção de São Brás sobre a garganta, em fevereiro.
Em 2027, o dia 13 de junho cai num domingo, o 24 numa quinta-feira e o 29 numa terça-feira. Ver essas datas dentro do ano litúrgico católico ajuda a viver junho como um tempo de santos, e não só de festa.
A festa junina tem origem católica?
Sim. Ela nasceu das celebrações de três santos de junho: Santo Antônio (13), São João Batista (24) e São Pedro (29). O centro é o nascimento de São João. Costumes mais antigos, como a fogueira, foram cristianizados.
A festa junina é pagã?
Não. Ela celebra santos do calendário da Igreja. Certos costumes, como os fogos do meio do ano, têm raízes anteriores ao cristianismo e foram cristianizados, como no Natal. Contrárias à fé são as simpatias, que a Igreja chama de superstição.
Por que se faz fogueira na festa junina?
Por causa de São João. Uma lenda conta que Isabel acendeu uma fogueira para avisar Maria do nascimento do filho, mas isso não está na Bíblia. Historicamente, a festa de 24 de junho absorveu os fogos do meio do ano na Europa, que passaram a se chamar fogos de São João.
Quais são os santos da festa junina?
Santo Antônio, frade franciscano e Doutor da Igreja, em 13 de junho; São João Batista, precursor de Jesus, cujo nascimento se celebra em 24 de junho; e São Pedro, celebrado com São Paulo em 29 de junho. São João é o principal.
Qual a origem da festa junina no Brasil?
As festas chegaram com os portugueses no período colonial, no século XVI, com o nome de festas joaninas. Aqui receberam comidas de milho e amendoim, de herança indígena, e no século XIX a quadrilha francesa. O Nordeste se tornou a região das maiores festas de São João.
A festa junina é uma herança da fé que o povo transformou em alegria. Quando a fogueira se acende, vale lembrar quem ela anuncia: João, que apontou para Cristo e disse que ele devia crescer e ele diminuir (Jo 3,30).
Que cada arraial, então, comece pela capela e termine na partilha. Assim a alegria de junho continua sendo o que foi desde o início: uma festa de família em honra dos amigos de Deus.
