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Origem do Natal: por que celebramos Jesus em 25 de dezembro

Os pastores adoram o Menino Jesus diante da gruta, o centro verdadeiro da festa do Natal

Todo ano, em dezembro, volta a mesma acusação: “o Natal é uma festa pagã, inventada para substituir o culto ao sol”. Vale a pena olhar com calma para a origem do Natal, com as fontes na mão, e separar o que é história do que é boato.

Adiantando a conclusão: a data tem explicações debatidas, mas a festa sempre celebrou um só fato, o nascimento de Jesus em Belém.

Resposta rápida

Qual a origem do Natal e por que ele é em 25 de dezembro?

O Natal celebra o nascimento de Jesus narrado em Lucas e Mateus, que não dão a data. O 25 de dezembro aparece com segurança em Roma no Cronógrafo de 354. Os historiadores discutem duas explicações: a contraposição à festa do Sol Invicto e um cálculo a partir de 25 de março, data atribuída à concepção de Cristo.

O que os Evangelhos dizem (e o que não dizem)

O nascimento de Jesus é narrado em Lc 2,1-20 e em Mt 1-2: o recenseamento de César Augusto, a viagem a Belém, a manjedoura, os pastores, os magos. A Igreja o professa no Credo; veja no Catecismo Jesus concebido pelo Espírito Santo e nascido da Virgem Maria (§456-511).

Nenhum evangelista, porém, informa o dia ou o mês. Por isso a pergunta “Jesus nasceu mesmo em 25 de dezembro?” tem uma resposta honesta: não sabemos com certeza.

Maria e José chegam para o recenseamento em Belém, cena de Lc 2,1-5 numa aldeia sob a neve
O recenseamento em Belém, de Pieter Bruegel, o Velho (1566), Museus Reais de Belas Artes, Bruxelas. Imagem: Pieter Bruegel, o Velho, domínio público, via Wikimedia Commons

Quando surge a festa de 25 de dezembro

A prova mais antiga e segura vem de Roma. O Cronógrafo de 354, um almanaque ilustrado pelo calígrafo Fúrio Dionísio Filócalo, traz a lista dos mártires celebrados pela Igreja romana, que reflete o uso do ano 336. Ela começa assim: “VIII kal. Ian. natus Christus in Betleem Iudeae”, isto é, no oitavo dia antes das calendas de janeiro (25 de dezembro), nasceu Cristo em Belém da Judeia.

Costuma-se citar também o Comentário a Daniel de Santo Hipólito de Roma (c. 204), que mencionaria o 25 de dezembro. Mas a autenticidade dessa passagem é discutida pelos estudiosos.

No Oriente, a festa mais antiga do nascimento e da manifestação do Senhor era o 6 de janeiro. Em Antioquia, por volta de 386, São João Crisóstomo pregou sobre o 25 de dezembro como festa introduzida havia poucos anos. Com o tempo, o Oriente adotou o Natal romano e o 6 de janeiro ficou como a Epifania do Senhor, a festa dos Santos Reis Magos.

Os magos adoram o Menino Jesus, cena da Epifania celebrada no Oriente em 6 de janeiro
Adoração dos Magos, de Gentile da Fabriano (1423), Galeria Uffizi, Florença. Imagem: Gentile da Fabriano, domínio público, via Wikimedia Commons

Duas explicações dos historiadores

A hipótese do Sol Invicto

Segundo a chamada hipótese da “história das religiões”, os cristãos de Roma teriam escolhido o 25 de dezembro para se contrapor à festa do Sol Invictus, cujo culto oficial o imperador Aureliano instituiu em 274. O calendário civil do mesmo Cronógrafo marca nesse dia o nascimento do “Invicto”.

Mesmo assim, não se trata de adorar o sol, mas de anunciar que o verdadeiro Sol é Cristo. Os Padres aplicavam a Ele a profecia do “Sol de justiça” (Ml 3,20) e o cântico de Zacarias fala do “sol nascente que vem do alto” (Lc 1,78).

A hipótese do cálculo

A outra explicação, defendida por Louis Duchesne e, mais recentemente, por Thomas Talley, parte de um cálculo cristão. Antigos autores latinos datavam a Paixão de Cristo em 25 de março, e havia a ideia de que Ele fora concebido no mesmo dia em que morreu, como registra Santo Agostinho (De Trinitate IV,5).

Ora, 25 de março mais nove meses dá 25 de dezembro. Hoje a Anunciação é celebrada justamente em 25 de março. Segundo essa hipótese, no Oriente um cálculo análogo a partir de 6 de abril levava ao 6 de janeiro.

O anjo Gabriel anuncia a Maria a concepção de Jesus, festa de 25 de março ligada ao Natal
Anunciação, de Jan van Eyck (c. 1434-1436), National Gallery of Art, Washington (detalhe). Imagem: Jan van Eyck, domínio público, via Wikimedia Commons

Então o Natal é uma festa pagã?

Não. As duas hipóteses são sérias, e nenhuma delas faz do Natal um culto pagão. Mesmo que a data tivesse sido escolhida para “redimir” um dia do calendário romano, o que se celebra é a Encarnação do Filho de Deus. Vale o mesmo para a acusação de que o uso de velas na Igreja seria um hábito pagão.

Afirmação comumO que dizem as fontes
“O Natal substituiu a Saturnália”A Saturnália romana ia de 17 a 23 de dezembro, não caía no dia 25
“Constantino inventou o Natal”Nenhum decreto de Constantino institui a festa; a primeira prova é a lista romana do Cronógrafo de 354
“A Bíblia diz que Jesus nasceu em 25 de dezembro”Os Evangelhos não dão a data; a Igreja celebra o fato, não um dia comprovado
“O 25 de dezembro é invenção pagã”Há uma hipótese séria de origem cristã: o cálculo a partir de 25 de março
Afirmações frequentes sobre a origem do Natal comparadas com as fontes históricas

A tese de que tudo na Igreja vem de Constantino é respondida em “a Igreja Católica foi fundada por Constantino?”. Outras divergências estão em a diferença entre católico e evangélico.

O Menino Jesus na manjedoura ilumina Maria e os anjos na noite de Natal em Belém
A Natividade à noite, de Geertgen tot Sint Jans (c. 1490), National Gallery, Londres. Imagem: Geertgen tot Sint Jans, domínio público, via Wikimedia Commons

Presépio, Papai Noel e árvore de Natal

O presépio como o conhecemos nasceu em Greccio, na Itália, no Natal de 1223, quando São Francisco de Assis preparou uma manjedoura com feno, um boi e um jumento para a Missa da noite. Segundo Tomás de Celano, seu biógrafo, Francisco, que era diácono, cantou o Evangelho e pregou ao povo, como faz o diácono, um dos três graus da Ordem.

São Francisco segura o Menino junto à manjedoura com o boi e o jumento no Natal de Greccio
O presépio de Greccio, painel de Taddeo Gaddi (c. 1335-1340), Galeria da Academia, Florença. Imagem: Sailko, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons

O Papai Noel deriva de São Nicolau, bispo de Mira, no século IV, lembrado pela generosidade com os pobres e celebrado em 6 de dezembro. A figura comercial de hoje pouco tem dele, mas o santo é real.

Ícone de São Nicolau, bispo de Mira, o santo histórico de onde deriva o Papai Noel
São Nicolau de Mira, ícone de Aleksa Petrov (1294), da igreja de Lipno, Novgorod. Imagem: Aleksa Petrov, domínio público, via Wikimedia Commons

A árvore de Natal é um costume bem posterior, difundido a partir das terras alemãs, sem valor doutrinal próprio.

O tempo do Natal na liturgia

O Natal é preparado pelo Advento, que em 2026 começa em 29 de novembro, como mostra o guia o que é o Advento e como vivê-lo. No Brasil, o 25 de dezembro é dia santo de guarda: em 2026 cai numa sexta-feira, e a Missa da noite do dia 24 já cumpre o preceito, segundo a lista dos dias santos de guarda no Brasil.

CelebraçãoDataEm 2026 e 2027
AdventoQuatro domingos antes do Natal29/11 a 24/12/2026
Natal do Senhor25 de dezembroSexta-feira, 25/12/2026
Oitava do Natal25 de dezembro a 1º de janeiroSagrada Família no domingo, 27/12/2026
Santa Maria, Mãe de Deus1º de janeiroSexta-feira, 1/1/2027
Epifania do SenhorNo Brasil, domingo entre 2 e 8 de janeiroDomingo, 3/1/2027
Batismo do SenhorDomingo após a Epifania, fim do Tempo do NatalDomingo, 10/1/2027
Datas do ciclo do Natal no calendário litúrgico do Brasil

O oitavo dia do Natal celebra Santa Maria, Mãe de Deus, também dia de preceito. A cor litúrgica de todo o tempo é o branco, como explica o guia das cores litúrgicas.

Qual a origem do Natal?

O Natal celebra o nascimento de Jesus em Belém (Lc 2,1-20; Mt 1-2). A festa de 25 de dezembro aparece em Roma no Cronógrafo de 354, que reflete o uso de 336. O Oriente celebrava antes em 6 de janeiro.

O Natal é uma festa pagã?

Não. O conteúdo da festa sempre foi o nascimento de Cristo. Uma hipótese diz que a data foi escolhida para se contrapor ao Sol Invicto; outra, que resulta de um cálculo cristão a partir de 25 de março. Em nenhum caso os cristãos celebravam o sol: celebravam Cristo, o Sol de justiça (Ml 3,20).

Jesus nasceu mesmo em 25 de dezembro?

Os Evangelhos não informam a data, e a Igreja nunca a definiu como dogma. O 25 de dezembro é a data da celebração litúrgica, fixada em Roma no século IV. A fé afirma o fato, não o dia.

Quem definiu 25 de dezembro como Natal?

Nenhum concílio ou imperador conhecido decretou a data. Ela aparece no uso da Igreja de Roma, registrado no Cronógrafo de 354, e se espalhou para o Oriente no fim do século IV.

Qual a origem do presépio?

O presépio nasceu em Greccio, na Itália, no Natal de 1223, quando São Francisco de Assis montou uma manjedoura com feno, um boi e um jumento para a Missa da noite.

A origem do Natal, portanto, não está num templo pagão, mas na fé da Igreja no Verbo que se fez carne. Para estudar mais, a Catholic Encyclopedia traz um verbete clássico sobre o Natal. E o melhor argumento continua sendo a família na Missa de Natal.