Água benta na entrada da igreja, uma medalha no pescoço, ramos guardados atrás do crucifixo, a vela da Candelária. Tudo isso faz parte da vida católica, mas pouca gente sabe explicar o que são sacramentais e em que eles diferem dos sacramentos.
A Igreja tem uma doutrina clara sobre o assunto, no Catecismo e no Código de Direito Canônico. Ela explica o valor desses sinais e também os seus limites.
Resposta rápida
O que são sacramentais?
Sacramentais são sinais sagrados instituídos pela Igreja que, à imitação dos sacramentos, significam efeitos sobretudo espirituais, obtidos pela intercessão da Igreja (CIC §1667). Não dão a graça por si mesmos, como os sacramentos, mas preparam para recebê-la. Os principais são as bênçãos; exemplos comuns são a água benta, as medalhas, o terço e as velas bentas.
A definição da Igreja
A definição vem do Concílio Vaticano II, na constituição Sacrosanctum Concilium (1963), n. 60, e foi retomada pelo Catecismo (CIC §1667) e pelo Código (cân. 1166). Os sacramentais santificam as diversas circunstâncias da vida: o trabalho, a casa, as viagens, a doença, os objetos de uso religioso.
Todo sacramental inclui uma oração, muitas vezes acompanhada de um sinal: a imposição das mãos, o sinal da cruz e o seu significado ou a aspersão com água benta (CIC §1668). O texto completo está na parte do Catecismo sobre o matrimônio e os sacramentais (§1601-1690) e, de forma resumida, no Compêndio sobre sacramentais, exorcismos e funerais.
Sacramentos x sacramentais: a diferença
Os sete sacramentos foram instituídos por Cristo e comunicam a graça ex opere operato, isto é, pela própria ação realizada, quando celebrados validamente. Os sacramentais foram instituídos pela Igreja e agem pela oração dela e pelas disposições de quem os usa.
O Catecismo resume: os sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos, mas pela oração da Igreja preparam para recebê-la e dispõem a cooperar com ela (CIC §1670).
| Critério | Sacramentos | Sacramentais |
|---|---|---|
| Quem instituiu | Jesus Cristo | A Igreja (cân. 1167) |
| Como agem | Por si mesmos (ex opere operato) | Pela oração da Igreja e a disposição de quem os usa |
| Efeito | Dão a graça que significam | Preparam para a graça e santificam circunstâncias |
| Quantos | Sete, número fixo | Muitos, a Igreja pode criar novos |
| Exemplos | Batismo, Eucaristia, Confissão | Bênçãos, água benta, medalhas, cinzas |
Bênçãos, consagrações e exorcismos
Entre os sacramentais, as bênçãos ocupam o primeiro lugar (CIC §1671). Toda bênção é louvor a Deus e oração para obter os seus dons: abençoam-se pessoas, refeições, casas, campos, objetos de devoção.
- Consagrações de pessoas: a bênção de um abade ou de uma abadessa, a consagração das virgens, a profissão religiosa (CIC §1672).
- Dedicações de objetos e lugares: igrejas, altares, santos óleos, vasos sagrados, vestes, sinos (CIC §1672).
- Exorcismos: a Igreja pede, em nome de Cristo, que alguém seja protegido contra o Maligno. O exorcismo solene só pode ser feito por um sacerdote com licença do bispo (CIC §1673; cân. 1172). Sobre o adversário, veja o verbete o que é o demônio.
Os sacramentais mais comuns
Água benta. Lembra o Batismo e se usa com o sinal da cruz ao entrar na igreja e em casa. A Escritura já fala de “água santa” (Nm 5,17) e de Eliseu, que purificou as águas com sal (2Rs 2,19-22). Quem diz que ela foi inventada no ano 850 encontra a resposta sobre a origem da água benta.

Medalhas. A Medalha de São Bento traz a cruz e as iniciais de orações latinas contra o mal, como Crux Sacra Sit Mihi Lux (“a Cruz Sagrada seja a minha luz”). Ela honra São Bento, abade de Montecassino.

A Medalha Milagrosa nasceu das aparições de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré, em Paris, em 1830. Traz a invocação “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.

Velas, ramos e cinzas. As velas são bentas na festa da Apresentação do Senhor, em 2 de fevereiro, a Candelária. O uso de velas no culto não é pagão, como mostra a resposta sobre as velas na igreja.

Os ramos são abençoados no Domingo de Ramos e guardados em casa. No ano seguinte, queimados, dão as cinzas da Quarta-feira de Cinzas, que abre a Quaresma, tempo de jejum e penitência.

Também são sacramentais, quando abençoados, o crucifixo, as imagens, o terço, o escapulário e o sal bento. Para o terço, veja a diferença entre terço e rosário; para o escapulário, o guia como usar o escapulário do Carmo.

| Sacramental | O que significa | Como usar |
|---|---|---|
| Água benta | Recordação do Batismo e purificação | Fazer o sinal da cruz; aspergir a casa |
| Medalha de São Bento | Proteção da Cruz contra o mal | Trazer consigo, com fé e vida cristã |
| Medalha Milagrosa | Confiança na intercessão de Maria | Usar no pescoço, rezando a invocação |
| Vela benta | Cristo, luz do mundo | Acender em oração, na doença ou na hora da morte |
| Ramos bentos | Cristo Rei que entra em Jerusalém | Guardar junto ao crucifixo até a Quaresma seguinte |
| Cinzas | Penitência e lembrança da morte | Receber na fronte na Quarta-feira de Cinzas |
Não são amuletos
Um sacramental não funciona sozinho. Atribuir eficácia ao simples gesto exterior, sem as disposições interiores, é superstição, um pecado contra o primeiro mandamento (CIC §2111). Uma medalha usada por quem vive em pecado sem querer se converter não “protege” como um talismã.
A piedade popular é um tesouro, mas precisa ser iluminada pela fé e pela liturgia (CIC §1674-1676). A diferença entre um sacramental e um objeto mágico está explicada no verbete o que é magia, e a questão das imagens em católicos adoram imagens?
Quem pode benzer e como descartar objetos bentos
O ministro dos sacramentais é, em regra, o clérigo. O presbítero pode dar quase todas as bênçãos, o diácono apenas as que o direito lhe permite, e os leigos algumas, segundo os livros litúrgicos, como os pais ao abençoar os filhos (cân. 1168-1169; CIC §1669). A diferença entre bispo, padre e diácono ajuda a entender essa distinção.
Objetos bentos devem ser tratados com reverência e não ter uso profano (cân. 1171). Quando se quebram ou se gastam, o costume é queimá-los ou enterrá-los, nunca jogá-los no lixo comum. A água benta que sobra pode ser derramada na terra de um jardim.
O texto oficial do Catecismo sobre o tema está no site da Santa Sé (CIC §1667-1690).
Qual a diferença entre sacramentos e sacramentais?
Os sacramentos são sete, foram instituídos por Cristo e dão a graça por si mesmos (ex opere operato). Os sacramentais foram instituídos pela Igreja, são muitos e agem pela oração da Igreja e pela fé de quem os usa: não dão a graça como os sacramentos, mas preparam para recebê-la (CIC §1670).
Água benta é um sacramental?
Sim. A água benta é um dos sacramentais mais antigos e conhecidos. Abençoada pela oração da Igreja, recorda o Batismo e é usada com o sinal da cruz ao entrar na igreja, em casa e nas bênçãos. Seu valor não está na água em si, mas na oração da Igreja e na fé de quem a usa.
Sacramentais protegem?
Sim, no sentido cristão: pela oração da Igreja, ajudam a afastar o mal e a viver na graça de Deus. Mas não são amuletos. Atribuir poder ao objeto em si, separado da fé e da conversão, é superstição (CIC §2111). A melhor proteção continua sendo a vida sacramental: confissão, Eucaristia e oração.
O que são objetos sacramentais?
São objetos religiosos que receberam a bênção da Igreja e passam a ser sinais sagrados: medalhas, terços, crucifixos, imagens, escapulários, velas, ramos, água e sal bentos. Antes da bênção, são apenas artigos religiosos; depois dela, devem ser tratados com reverência e não podem ter uso profano (cân. 1171).
Como descartar objetos bentos?
Objetos bentos quebrados ou gastos não vão para o lixo comum. O costume da Igreja é queimá-los, quando possível, ou enterrá-los. Muitas paróquias recolhem esses objetos para dar o destino adequado. A água benta que sobra pode ser derramada na terra, num jardim ou num vaso de plantas.
Em resumo, os sacramentais são pequenas pontes entre a liturgia e o dia a dia. Usados com fé, levam a oração da Igreja para dentro de casa e preparam o coração para os sacramentos.
