Desde o século XIII, alguns homens e mulheres de oração trazem no corpo feridas semelhantes às de Jesus crucificado. São os estigmas de Cristo: chagas nas mãos, nos pés, no lado ou na fronte, às vezes visíveis, às vezes só sentidas como dor.
Veja o que são, quem os recebeu, como a Igreja examina cada caso e por que ela pede prudência.
Resposta rápida
O que são os estigmas de Cristo?
São feridas ou dores que reproduzem as chagas da Paixão de Jesus em algumas pessoas de vida mística. O primeiro caso conhecido é o de São Francisco de Assis, em 1224. A Igreja examina cada caso com rigor médico e espiritual, não considera os estigmas prova de santidade e não obriga nenhum fiel a crer neles.
O que são os estigmas: visíveis e invisíveis
A palavra vem do grego stigma, marca. Estigmas são as cinco chagas do Crucificado (mãos, pés e lado) e, às vezes, as feridas da coroa de espinhos ou dos açoites.

A Catholic Encyclopedia, no verbete sobre os estigmas místicos, distingue dois tipos. Os visíveis aparecem na pele e às vezes sangram, sobretudo às quintas e sextas-feiras. Os invisíveis são só a dor, sem marca exterior.
O essencial, diz o verbete, é o sofrimento vivido com sentido cristão, unido ao de Cristo pela salvação das almas.
As marcas de Jesus no corpo de Paulo (Gl 6,17)
São Paulo pede que ninguém mais o perturbe, porque traz no corpo “as marcas de Jesus” (Gl 6,17). No grego, “marcas” é justamente stigmata, o sinal gravado no escravo ou no soldado, que mostrava a quem pertenciam.

Os comentadores entendem, em geral, que Paulo fala das cicatrizes dos açoites e da pedrada que sofreu pelo Evangelho (2Cor 11,24-25). Não são chagas místicas, mas o princípio é o mesmo: o corpo do apóstolo mostra que ele pertence a Cristo (veja o Santo do Dia de São Pedro e São Paulo).
São Francisco no Monte Alverne, 1224
No começo de agosto de 1224, São Francisco de Assis subiu ao Monte Alverne, na Toscana, para uma quaresma de jejum em honra de São Miguel. Por volta da festa da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), viu um serafim crucificado, e depois da visão apareceram em seu corpo as cinco chagas.

Frei Leão, que estava com ele, deixou um relato na folha com a bênção autógrafa do santo, guardada em Assis. Tomás de Celano e São Boaventura descreveram as chagas: nas mãos e nos pés, excrescências de carne em forma de cravos; no lado, uma ferida aberta. Os franciscanos celebram a impressão dos estigmas em 17 de setembro.
Quem recebeu os estigmas
Não há lista oficial. No século XIX, o médico francês Imbert-Gourbeyre contou 321 estigmatizados nos quais via sinais de ação divina, dos quais 62 santos ou beatos, e nenhum antes de São Francisco.
| Santo | Ano | Tipo | Observação |
|---|---|---|---|
| São Francisco de Assis | 1224 | Visíveis | Monte Alverne; primeiro caso conhecido |
| Santa Catarina de Sena | 1375 | Invisíveis | Em Pisa; pediu que ficassem ocultos |
| Santa Rita de Cássia | Século XV | Ferida na fronte | Um espinho da coroa do crucifixo |
| Santa Catarina de Ricci | A partir de 1542 | Êxtases da Paixão | Semanais por doze anos, segundo a bula de canonização |
| Santa Verônica Giuliani | 1694 e 1697 | Coroa de espinhos e cinco chagas | Examinada com rigor pelo seu bispo |
| Santa Gema Galgani | 1899 | Visíveis e periódicos | Sumiram por obediência ao diretor |
| São Pio de Pietrelcina | 1918 | Visíveis | Por cerca de cinquenta anos |
Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja e terceira dos dominicanos, recebeu os estigmas em Pisa, segundo o seu confessor, o beato Raimundo de Cápua.

Santa Rita de Cássia, monja da família descrita em quem são os agostinianos, trazia na fronte a ferida de um espinho. Santa Gema Galgani recebeu os estigmas em Lucca, em 8 de junho de 1899, segundo a biografia do seu diretor espiritual.
O caso mais estudado do século XX é o de São Padre Pio e os seus milagres. As chagas apareceram em setembro de 1918 e ficaram até pouco antes da sua morte, em 1968. Segundo a biografia oficial do Vaticano, ele as suportou “com serenidade admirável”.
O sentido espiritual: unidos à Paixão

São Paulo diz que completa na própria carne “o que falta às tribulações de Cristo” em favor do seu Corpo, que é a Igreja (Cl 1,24). Os estigmatizados viveram isso de modo visível, oferecendo a dor pela conversão dos pecadores, como lembra o texto sobre a Missa celebrada por Padre Pio.
Todos são chamados a levar as marcas de Jesus, não na pele, mas na vida. Rezar as estações da Via Sacra, contemplar o crucifixo, que mostra Cristo com as chagas, ou fazer uma Hora Santa diante do Santíssimo são modos de unir as próprias cruzes às de Cristo.
Como a Igreja examina um caso
Fraude, autolesão e histeria são possibilidades reais, e por isso cada caso passa por médicos e teólogos. Padre Pio aceitou com humildade as investigações e as restrições impostas ao seu ministério.

| Critério | O que se examina | Por quê |
|---|---|---|
| Exame médico | Origem das feridas, reação a remédios, infecção | Excluir causa natural ou provocada |
| Vigilância | Observação contínua, curativos selados | Evitar autolesão consciente ou inconsciente |
| Vida de virtude | Humildade, caridade, oração | Sem santidade, a ferida nada prova |
| Obediência | Submissão aos superiores e às investigações | Sinal de bom espírito |
| Discrição | Se a pessoa esconde o dom ou busca fama | Exibicionismo leva ao orgulho |
| Frutos | Conversões, confissões, vida sacramental | “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7,16) |
O Papa Bento XIV, mestre das causas dos santos, tratou dos estigmas em sua obra sobre a canonização. A Catholic Encyclopedia resume: nos processos de canonização, os estigmas não contam como milagres incontestáveis. O santo é canonizado pelas virtudes heroicas e pelos milagres obtidos por sua intercessão (veja como a Igreja canoniza os santos).
Com Padre Pio foi assim: os milagres aprovados para a beatificação (1999) e a canonização (2002) foram duas curas, não as chagas. E a imensa maioria dos santos nunca teve estigmas.
Prudência: nenhum fiel é obrigado a crer
Estigmas são fenômenos místicos ligados a pessoas, como as revelações particulares. O Catecismo ensina que estas “não pertencem ao depósito da fé” e não completam a Revelação de Cristo (CIC §67, na parte do Catecismo sobre a transmissão da Revelação). Um católico pode venerar São Francisco sem opinar sobre a natureza exata das suas chagas.
A mesma prudência vale para outros sinais extraordinários, como os corpos incorruptos de santos. Eles chamam a atenção, mas a fé se apoia em Cristo, nos sacramentos e na Palavra de Deus.
O que são os estigmas de Cristo?
São feridas ou dores que reproduzem as chagas da Paixão de Jesus: nas mãos, nos pés, no lado e, às vezes, na fronte. Podem ser visíveis, com marcas na pele, ou invisíveis, só com a dor. São fenômenos místicos raros, que a Igreja examina com cautela.
Quem recebeu os estigmas de Cristo?
O primeiro caso conhecido é São Francisco de Assis, em 1224. Depois vieram Santa Catarina de Sena, Santa Catarina de Ricci, Santa Verônica Giuliani, Santa Gema Galgani e São Pio de Pietrelcina. Santa Rita de Cássia trazia na fronte a ferida de um espinho.
Quantos santos tiveram estigmas?
Não existe contagem oficial. O médico francês Imbert-Gourbeyre, no século XIX, contou 321 estigmatizados nos quais via sinais de ação divina, entre eles 62 santos ou beatos, segundo a Catholic Encyclopedia de 1912. Nenhum caso é anterior a São Francisco.
Os estigmas do Padre Pio eram verdadeiros?
Padre Pio foi examinado por médicos e investigado pela Santa Sé, que chegou a restringir seu ministério; ele obedeceu sempre. A Igreja o canonizou em 2002 por suas virtudes heroicas e por milagres de cura, não por causa das chagas. Paulo VI disse que ele era “a imagem impressa dos estigmas de Nosso Senhor”.
O que significa Gl 6,17?
Em Gl 6,17 São Paulo diz que traz no corpo “as marcas de Jesus”. A palavra grega é stigmata, o sinal que mostrava a quem pertencia um escravo ou soldado. Paulo fala das cicatrizes das perseguições sofridas pelo Evangelho: seu corpo mostra que ele pertence a Cristo.
Onde a Igreja reconheceu santidade, os estigmas foram uma cruz carregada em silêncio e por amor, que aponta para Aquele que foi ferido por nós.
