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Hino Te Deum: letra em português, origem e quando se reza

Mural do Te Deum: a Trindade no alto e anjos, santos e fiéis em louvor, como canta o hino

Na noite de 31 de dezembro, em muitas igrejas do Brasil, o ano termina com um canto antigo: “Nós Vos louvamos, ó Deus”. É o hino Te Deum, o grande hino de ação de graças da Igreja latina, rezado há mais de quinze séculos.

Veja a letra, a origem, as partes do hino, quando a Igreja o canta e a indulgência ligada a ele.

Resposta rápida

O que é o hino Te Deum?

É um hino latino de louvor e ação de graças, do fim do século IV ou início do V, que começa com as palavras Te Deum laudamus (“A Vós, ó Deus, louvamos”). Louva a Santíssima Trindade e Cristo e termina com súplicas. A Igreja o canta no Ofício das Leituras dos domingos e festas e em ocasiões solenes de agradecimento, como o último dia do ano.

Letra do Te Deum em português

Este é o texto publicado pelo Vatican News, o portal de notícias da Santa Sé. Há outras traduções em uso no Brasil, com pequenas diferenças de palavras.

Manuscrito do século VIII com o texto latino do Te Deum, hino de domingo para as matinas
Te Deum no manuscrito Vat. Reg. Lat. 11, fólio 230v (c. 730 a 765). Imagem: domínio público, via Wikimedia Commons

Nós Vos louvamos, ó Deus, nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do Universo, o céu e a terra proclamam a vossa glória.

O coro glorioso dos Apóstolos, a falange venerável dos Profetas, o exército resplandecente dos Mártires cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra a glória do vosso nome: Deus de infinita majestade, Pai, Filho e Espírito Santo.

Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, Filho do Eterno Pai, para salvar o homem, tomastes a condição humana no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte e abristes as portas do céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.

Socorrei os vossos servos, Senhor, que remistes com vosso Sangue precioso; e recebei-os na luz da glória, na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor, e abençoai a vossa herança; sede o seu pastor e guia através dos tempos e conduzi-o às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida e louvaremos para sempre o vosso nome.

Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, Porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, não serei confundido eternamente.

Te Deum, tradução publicada pelo Vatican News na seção de orações

O início do texto em latim

Te Deum laudamus: te Dominum confitemur.
Te aeternum Patrem omnis terra veneratur.
Tibi omnes Angeli; tibi caeli et universae Potestates;
Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant:
Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth.

Quem escreveu o Te Deum?

Uma lenda medieval conta que Santo Ambrósio, bispo de Milão, e Santo Agostinho, bispo de Hipona, dois doutores da Igreja, improvisaram o hino em versos alternados na noite do batismo de Agostinho, em 387. Daí o nome “hino ambrosiano”. A história só aparece séculos depois e é considerada lenda.

Conversão e batismo de Santo Agostinho por Santo Ambrósio, cena ligada à lenda do Te Deum
A conversão e o batismo de Santo Agostinho, de Juan de Valdés Leal (1673). Imagem: Juan de Valdés Leal, domínio público, via Wikimedia Commons

Desde o fim do século XIX, muitos estudiosos atribuem o texto a Nicetas, bispo de Remesiana (na atual Sérvia) (início do século V), cujo nome aparece em vários manuscritos antigos. A questão segue aberta. Certo é que o hino já aparece no Antifonário de Bangor, do século VII, e que a Regra de São Bento o manda cantar no ofício noturno.

As três partes do hino

Vitral do Te Deum com anjos, apóstolos, profetas e mártires em volta de Cristo, como no hino
Vitral do Te Deum, de Christopher Whall, igreja de Santa Maria Virgem, Ware (Inglaterra). Imagem: Barking Tigs, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

O Te Deum é escrito em prosa ritmada, não em estrofes métricas. Pela melodia e pelo ritmo, os estudiosos o dividem em três blocos:

ParteVersos (texto latino)Tema
Louvor a DeusDo Te Deum laudamus ao Paraclitum SpiritumA terra, os anjos, os apóstolos, os profetas, os mártires e a Igreja adoram o Pai e confessam a Santíssima Trindade, um só Deus em três Pessoas
Louvor a CristoDo Tu Rex gloriae ao numerariEncarnação, vitória sobre a morte, ascensão, juízo e pedido de salvação pelos remidos
SúplicasDo Salvum fac ao fimVersículos tirados quase todos dos Salmos, acrescentados depois
Te Deum: as três partes do hino

A primeira parte ecoa o canto dos anjos que a Igreja venera: o “Santo, Santo, Santo” de Isaías. A segunda chama Jesus de Rei da glória, a mesma realeza celebrada na festa de Cristo Rei.

Vitral de Cristo Rei com o verso Tu Rex gloriae, Christe, início da segunda parte do Te Deum
Tu rex gloriae, Christe, vitral de Michael Healy (1930), catedral de Loughrea (Irlanda). Imagem: Andreas F. Borchert, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Quando se reza o Te Deum

Na Liturgia das Horas, o Ofício Divino, ele é cantado no fim do Ofício das Leituras.

OcasiãoO que a Igreja prevê
DomingosNo Ofício das Leituras, em todos os domingos fora da Quaresma
Oitavas do Natal e da PáscoaTodos os dias das duas oitavas
Solenidades e festasNo Ofício das Leituras, segundo o ano litúrgico católico
31 de dezembroCanto público em ação de graças pelo ano; indulgência plenária
Outras graçasRecitação em ação de graças; indulgência parcial
Quando se reza o Te Deum, segundo as rubricas e o Enchiridion das Indulgências
Te Deum solene de ação de graças cantado na catedral de Notre-Dame de Paris no século XVII
Te Deum na catedral de Notre-Dame de Paris, gravura de Jean Marot (1665). Imagem: Jean Marot, domínio público, via Wikimedia Commons

Por séculos, o Te Deum celebrou nas catedrais vitórias, coroações e tratados de paz. No Brasil, a tradição continua em datas cívicas e religiosas, como na Bahia, onde o Te Deum abre as comemorações da Independência. Os papas presidem em Roma, no dia 31 de dezembro, as Vésperas com o canto do hino.

O Te Deum na música

Capa do manuscrito do Te Deum composto em São Paulo por André da Silva Gomes em 1820
Te Deum laudamus, manuscrito autógrafo de André da Silva Gomes (1820), Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo. Imagem: André da Silva Gomes, domínio público, via Wikimedia Commons

A melodia mais antiga é a do canto gregoriano, a música própria da liturgia romana. Depois vieram versões célebres:

  • Marc-Antoine Charpentier: o prelúdio do seu Te Deum, do século XVII, virou a vinheta da Eurovisão.
  • Hector Berlioz e Anton Bruckner: dois Te Deum monumentais do século XIX.
  • André da Silva Gomes: mestre de capela em São Paulo, deixou um Te Deum de 1820, guardado na Cúria paulistana.

O Te Deum e a indulgência plenária

O Enchiridion Indulgentiarum (4ª edição, 1999), na concessão 26, concede indulgência plenária a quem participa devotamente do canto ou da recitação solene do Te Deum numa igreja ou oratório no último dia do ano. A mesma concessão premia o Veni, Creator no dia 1º de janeiro e na solenidade de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo.

Nos outros dias, a recitação dá indulgência parcial. Valem as condições habituais de o que são as indulgências: confissão, Comunhão e oração nas intenções do Papa (veja como fazer uma boa confissão).

Como rezar o Te Deum em casa no fim do ano

  1. Se puder, participe da Missa ou da celebração de ação de graças da paróquia no dia 31.
  2. Em casa, reúna a família diante do crucifixo e faça o sinal da cruz.
  3. Cada um lembra uma graça do ano e pede perdão pelas faltas.
  4. Rezem juntos o Te Deum, em voz alta, e confiem o ano novo à Santa Mãe de Deus, celebrada em 1º de janeiro.

Qual é o hino Te Deum?

É o grande hino de louvor e ação de graças da Igreja latina, que começa com as palavras Te Deum laudamus. Do fim do século IV ou início do V, louva a Trindade e Cristo e termina com súplicas tiradas dos Salmos.

Quando rezar o Te Deum?

No fim do Ofício das Leituras dos domingos fora da Quaresma, nas oitavas do Natal e da Páscoa, nas solenidades e nas festas. Fora da liturgia, sempre que se quer agradecer a Deus por uma graça, sobretudo no último dia do ano.

O Te Deum dá indulgência plenária?

Sim, no dia 31 de dezembro, para quem participa do canto ou da recitação solene numa igreja ou oratório, com as condições habituais (Enchiridion Indulgentiarum, concessão 26). Nos outros dias, a recitação devota dá indulgência parcial.

Quem escreveu o Te Deum?

Não se sabe com certeza. A lenda que o atribui a Santo Ambrósio e Santo Agostinho, no batismo de Agostinho em 387, surgiu séculos depois. Muitos estudiosos o atribuem a Nicetas, bispo de Remesiana, do início do século V.

O que significa Te Deum laudamus?

Significa “A Vós, ó Deus, louvamos”. São as primeiras palavras do hino, que lhe deram o nome. O verso completo diz: Te Deum laudamus, te Dominum confitemur, isto é, a Vós, ó Deus, louvamos, a Vós, Senhor, reconhecemos.

O Te Deum ensina que a gratidão é a primeira resposta do cristão a Deus. Quem o reza une a voz à dos anjos e dos santos e termina o ano com a confiança do último verso: em Vós esperamos.