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Como é eleito o papa? O conclave passo a passo

Fumaça branca na chaminé da Capela Sistina anunciando a eleição do papa em 8 de maio de 2025

Quando um papa morre ou renuncia, o mundo inteiro volta os olhos para uma pequena chaminé sobre o telhado da Capela Sistina. Mas como é eleito o papa, na prática? Quem vota, quantos votos são necessários e o que acontece atrás das portas fechadas?

Veja cada etapa do conclave, as regras da Igreja e a eleição de 2025.

Resposta rápida

Como é eleito o papa?

O papa é eleito pelos cardeais com menos de 80 anos, reunidos em conclave na Capela Sistina. Eles votam em segredo, por escrito, até quatro vezes por dia. É eleito quem obtém pelo menos dois terços dos votos. Se ele aceita, escolhe um nome, e a fumaça branca e o anúncio “Habemus Papam” comunicam a eleição ao mundo.

As regras: Universi Dominici Gregis

A eleição do Bispo de Roma segue a constituição apostólica Universi Dominici Gregis, promulgada por São João Paulo II em 22 de fevereiro de 1996. Bento XVI a modificou duas vezes: em 11 de junho de 2007 restabeleceu a norma tradicional de que são sempre exigidos dois terços dos votos, e em 22 de fevereiro de 2013, com a carta Normas nonnullas, ajustou outros pontos.

São João Paulo II, autor da constituição que rege a eleição do papa, sentado na catedral de Katowice
São João Paulo II na catedral de Katowice, Polônia, foto de Bernard Gotfryd (1983). Imagem: Bernard Gotfryd, domínio público, via Wikimedia Commons

O eleito será o sucessor de Pedro (Mt 16,18). Veja o que é o papa e qual a sua missão e as 50 provas do primado de Pedro.

Sé vacante: o que acontece antes do conclave

A Sé de Roma fica vacante pela morte do papa ou pela renúncia, como aconteceu na renúncia de Bento XVI em 2013.

  • O camerlengo constata oficialmente a morte e sela os aposentos do papa (UDG 17).
  • As congregações gerais reúnem todos os cardeais, inclusive os que não votam, para preparar o conclave (UDG 19).
  • Os novendiais são nove dias seguidos de Missas pelo papa falecido (UDG 27), um costume aparentado com a novena.

A lei manda esperar quinze dias completos pelos cardeais ausentes. O Colégio pode antecipar o início se todos já estiverem presentes, mas, passados no máximo vinte dias, a eleição tem de começar (UDG 37, na redação de 2013).

Quem vota e quem pode ser eleito

Só os cardeais votam, e apenas os que ainda não completaram 80 anos antes do dia em que a Sé ficou vacante. O número máximo de eleitores previsto é de 120 (UDG 33). Quase todos são bispos (veja os três graus da Ordem).

PerguntaO que diz a normaReferência
Quem votaOs cardeais com menos de 80 anos no início da Sé vacanteUDG 33
Quantos eleitoresNo máximo 120, como regraUDG 33
Quem pode ser eleitoOs cardeais podem escolher também alguém de fora do ColégioUDG 83
Se o eleito não for bispoDeve ser ordenado bispo imediatamenteUDG 88
Votos necessáriosPelo menos dois terços dos eleitores presentesUDG 62, na redação de 2013
Quem vota e quem pode ser eleito papa, segundo a Universi Dominici Gregis

Em princípio, pode ser eleito qualquer homem católico batizado capaz de receber a ordenação episcopal. Na prática, desde 1378 todos os eleitos foram cardeais.

O conclave passo a passo

Domus Sanctae Marthae vista da cúpula de São Pedro, onde os cardeais se hospedam durante o conclave
Domus Sanctae Marthae, no Vaticano, vista da cúpula da Basílica de São Pedro (2013). Imagem: Johannes Müller, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Durante a eleição, os cardeais se hospedam na Domus Sanctae Marthae e todas as votações acontecem exclusivamente na Capela Sistina (UDG 43 e 51).

EtapaO que aconteceOnde
Missa pro eligendo PontificeOs cardeais pedem a luz do Espírito SantoBasílica de São Pedro
ProcissãoCantam a Ladainha de Todos os Santos e o Veni CreatorDa Capela Paulina à Sistina
JuramentoCada eleitor jura observar as normas e guardar segredoCapela Sistina
Extra omnes“Todos para fora”: saem os que não votam e as portas se fechamCapela Sistina
VotaçõesUma na primeira tarde; depois até duas pela manhã e duas à tardeCapela Sistina
Queima das cédulasFumaça preta ou brancaChaminé da Sistina
O conclave passo a passo, da Missa inicial à fumaça
Capela Sistina com cardeais e o papa diante do Juízo Final, o lugar onde se vota no conclave
O Papa Pio VII na Capela Sistina, de Jean-Auguste-Dominique Ingres (1814). Imagem: Jean-Auguste-Dominique Ingres, CC0, via Wikimedia Commons

A cédula traz impressas as palavras Eligo in Summum Pontificem (“Elejo como Sumo Pontífice”). Cada cardeal escreve um nome com letra que não se reconheça, dobra o papel e o leva ao altar, diante do Juízo Final de Michelangelo (UDG 65 e 66).

Três escrutinadores sorteados leem cada nome em voz alta (UDG 69). Depois de três dias sem resultado, há uma pausa de até um dia para oração e diálogo (UDG 74).

Fumaça preta e fumaça branca

Multidão na Praça de São Pedro observa a fumaça da chaminé durante o conclave de 1878
O conclave de 1878: a fumaça, xilogravura a partir de desenho de Dante Paolocci (1878). Imagem: Dante Paolocci (desenho), Antonio Bonamore e Canedi (gravura), domínio público, via Wikimedia Commons

Depois de cada escrutínio as cédulas são queimadas, para guardar o segredo (UDG 70 e 71).

  • Fumaça preta: a votação não elegeu ninguém.
  • Fumaça branca, com o toque dos sinos: a Igreja tem um novo papa.

Aceitação, nome e Habemus Papam

Alcançados os dois terços, o cardeal decano pergunta ao eleito: “Aceitas a tua eleição canônica para Sumo Pontífice?” e, em seguida, “Como queres ser chamado?” (UDG 87). Com o sim, ele já é o Bispo de Roma (UDG 88).

O novo papa passa então à chamada “Sala das Lágrimas”, ao lado da Sistina, onde veste pela primeira vez a batina branca.

Sacada da Basílica de São Pedro onde Pio XI, recém-eleito, dá a primeira bênção ao povo
Pio XI dá a bênção da sacada da Basílica de São Pedro após sua eleição, 6 de fevereiro de 1922. Imagem: Agence de presse Meurisse, domínio público, via Wikimedia Commons

Por fim, o primeiro dos cardeais diáconos, o protodiácono, anuncia da sacada central da Basílica de São Pedro: Annuntio vobis gaudium magnum: habemus Papam! (“Anuncio-vos uma grande alegria: temos papa!”). O eleito aparece e dá a primeira bênção Urbi et Orbi, à cidade e ao mundo (UDG 89).

De onde vem o conclave

Palácio dos Papas de Viterbo, sede da longa eleição de 1268 a 1271 que deu origem ao conclave
Palácio dos Papas de Viterbo, Itália (2019). Imagem: Daderot, domínio público, via Wikimedia Commons

A palavra vem do latim cum clave, “com chave”: os eleitores ficam fechados até concluir a escolha. A origem é a eleição de Viterbo, que durou quase três anos (1268 a 1271). Eleito, Gregório X publicou a constituição Ubi periculum (1274), que mandou trancar os cardeais para evitar novas demoras. Desde então, com ajustes ao longo dos séculos, o isolamento dos eleitores marca toda eleição papal.

A sucessão está na lista completa dos papas; as eleições contestadas, em os antipapas e a Igreja.

O conclave de 2025

O Papa Francisco morreu em 21 de abril de 2025, segunda-feira da oitava da Páscoa. Os cardeais marcaram o conclave para 7 de maio, e nessa tarde 133 eleitores entraram na Sistina; eram necessários pelo menos 89 votos.

Em 8 de maio de 2025, a fumaça branca anunciou a eleição do cardeal Robert Francis Prevost, que tomou o nome de Leão XIV, 267º Bispo de Roma. O anúncio foi feito pelo cardeal protodiácono Dominique Mamberti. Poucos meses depois, foi ele quem encerrou o Ano Santo, como se lê em o que é o jubileu e a Porta Santa.

O texto integral das normas está na constituição Universi Dominici Gregis no site do Vaticano. Sobre a autoridade do eleito, veja a sucessão apostólica na Bíblia e o dogma da infalibilidade papal.

Como é eleito o papa?

Pelos cardeais com menos de 80 anos, reunidos em conclave na Capela Sistina. Votam em segredo, por escrito, até quatro vezes por dia, e é eleito quem obtém pelo menos dois terços dos votos. Se aceita a eleição, ele escolhe o nome, e a fumaça branca e o anúncio Habemus Papam comunicam a notícia.

Quem vota na eleição do papa?

Somente os cardeais que ainda não completaram 80 anos antes do dia em que a Sé de Roma ficou vacante. A norma fixa em 120 o número máximo de eleitores (Universi Dominici Gregis, 33). Os cardeais mais velhos participam das congregações gerais, mas não entram no conclave para votar.

Quantos votos precisa para ser papa?

Pelo menos dois terços dos votos dos cardeais eleitores presentes. Bento XVI restabeleceu essa exigência em 2007 e a confirmou em 2013, de modo que ela vale em qualquer fase do conclave. Em 2025, com 133 eleitores, eram necessários pelo menos 89 votos.

O que é o conclave?

É a reunião dos cardeais eleitores, fechados na Capela Sistina, para escolher o novo papa. O nome vem do latim cum clave, com chave. A prática foi fixada por Gregório X em 1274, depois de uma eleição em Viterbo que durou quase três anos.

O que significa a fumaça branca?

Que um novo papa foi eleito e aceitou o cargo. Depois de cada votação as cédulas são queimadas: a fumaça preta indica que ninguém alcançou os dois terços, e a fumaça branca, acompanhada do toque dos sinos, anuncia a eleição. Pouco depois vem o anúncio Habemus Papam.

No fundo, o conclave é um ato de fé. Os cardeais juram votar em quem julgam, diante de Deus, o mais apto para governar a Igreja, e todos os fiéis rezam com eles para que o Espírito Santo conduza a escolha do novo sucessor de Pedro.