Nunca faltarão pobres na terra, e por isso dou-te esta ordem: abre tua mão ao teu irmão necessitado ou pobre que vive em tua terra(Dt 15,11).
Mas Judas Iscariotes … disse: Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos denários e não se deu aos pobres? (…) Jesus disse: Deixai-a; ela guardou este perfume para o dia da minha sepultura. Pois sempre tereis convosco os pobres, mas a mim nem sempre me tereis(Jo 12,4-8).
Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!(1Cor 13,3). Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer.(2Ts 3,10) Não favorecerás tampouco o pobre em seu processo(Ex 23,3).
Não sereis injustos em vossos juízos: não favorecerás o pobre nem terás complacência com o grande; mas segundo a justiça julgarás o teu próximo(Lv 19,15). Rico, nobre ou pobre, sua glória é o temor do Senhor(Eclo 10,25).
Mas há três espécies de gente que minha alma detesta, e cuja vida me é insuportável: um pobre orgulhoso, um rico mentiroso e um ancião louco e insensato(Eclo 25,3-4).
Pobres de coração (de espírito) Oração de Davi. Inclinai, Senhor, vossos ouvidos e atendei-me, porque sou pobre e miserável(Sl 85,1).
Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!(Mt 5,3). porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações(Lc 1,48).
…o Reino, objeto da promessa
feita a Davi (cf. 2Sm 7
; Sl
88
; Lc 1,32-33
), será obra do Espírito santo; ele
pertencerá aos pobres segundo o Espírito(§ 709).
O Reino pertence aos pobres e
aos pequenos, isto é, aos que o acolheram com um coração humilde
(§ 544
Ao libertar certas pessoas dos males terrestres da fome
,
da injustiça
,
da doença e da morte
,
Jesus operou sinais messiânicos; não veio, no entanto, para abolir todos os
males da terra
,
mas para libertar os homens da mais grave das escravidões a do pecado
,
que os entrava em sua vocação de filhos de Deus e causa todas as suas escravidões humanas(§
549).
O povo dos ‘pobres’ (cf. Sf 2,3
; Sl
22,27
; 34,3
; Is
49,13
; 61,1
, etc) – os humildes e os mansos,
totalmente entregues aos desígnios de Deus, os que esperam a justiça não dos
homens, mas do Messias – é finalmente a grande obra da missão escondida do
Espírito Santo durante o tempo das promessas para preparar a vinda de Cristo.
É a sua qualidade de coração, purificado e iluminado pelo Espírito, que se
exprime nos Salmos. Nesses pobres, o Espírito prepara para o Senhor ‘um povo
bem-disposto'(cf. Lc 1,17
)(§
716).
O primeiro princípio a pôr em evidência é que o homem deve aceitar com paciência a sua condição: é impossível que na sociedade civil todos estejam elevados ao mesmo nível. É, sem dúvida, isto o que desejam os socialistas; mas contra a natureza todos os esforços são vãos. Foi Ele (Deus), realmente, que estabeleceu entre os homens diferenças tão multíplices como profundas; diferenças de inteligência, de talento, de habilidade, de saúde, de força; diferenças necessárias, de onde nasce espontaneamente a desigualdade das condições. Esta desigualdade, por outro lado, reverte em proveito de todos, tanto da sociedade como dos indivíduos; porque a vida social requer um organismo muito variado e funções muito diversas, e o que leva precisamente os homens a partilharem estas funções é, principalmente, a diferença de suas respectivas condições. (Leão XIII, nº 11)
A
TL (Teologia da Libertação) é vítima de confusão entre o pobre da Sagrada
Escritura e o proletário de Marx, confusão esta que decorre da assimilação
precipitada e preconcebida de teses marxistas. – O pobre na Sagrada Escritura
é o homem injustiçado que tem o coração aberto para Deus e os valores da fé,
inclusive os valores transcendentais; cf. Sf 2,3
; 3,l1s; Is
49,13
;
57,14-21
; 66,2
; Sl 22,27
; 34,3s
; 36,l1s
; 68,34
;
73,19
; 148,4
; Mt
5,3
; Lc 1,52
;
6,20
; 7,22
;
é, pois, uma figura profundamente religiosa, que espera do Senhor Deus a sua
resposta. – Ao contrário, o conceito de proletário, para Marx, resulta de
categorias filosóficas; através dessa noção, Marx queria traduzir aversão
ao mundo cristão da sua época. Aliás, o artigo de R. Buttiglione trata também
deste assunto, como se verá adiante(Card Ratzinger, Doutrina da Fé, 6 de
agosto de 1984) –
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