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Dia de Todos os Santos: o que a Igreja celebra em 1º de novembro

Santos, mártires, virgens e profetas reunidos no céu: a multidão celebrada no Dia de Todos os Santos

Em 1º de novembro a Igreja celebra a solenidade de Todos os Santos: não só os santos dos altares, mas a multidão que já vê Deus face a face. O Dia de Todos os Santos é a festa da família de Deus que já chegou à casa do Pai.

Em 2026 a data cai num domingo, e a solenidade é celebrada no próprio dia em todo o Brasil. Na segunda-feira, 2 de novembro, vem Finados.

Resposta rápida

O que a Igreja celebra em 1º de novembro?

Celebra todos os que já estão na glória do céu, canonizados ou não: mártires, virgens, pais e mães de família, gente simples que ninguém conhece pelo nome. É a festa da comunhão dos santos (CIC §946-962) e um lembrete de que todos somos chamados à santidade (Lumen Gentium 40). No Brasil, se cair em dia de semana, passa para o domingo seguinte.

O que a Igreja celebra em 1º de novembro

O céu é muito maior que a lista dos canonizados: o Apocalipse fala de uma multidão imensa, impossível de contar, vinda de todas as nações (Ap 7,9). A solenidade honra todos eles, inclusive os santos anônimos.

O fundamento é a comunhão dos santos, explicada no Catecismo (§946-975). O texto é direto: “A comunhão dos santos é precisamente a Igreja” (CIC §946). Os santos continuam unidos a nós e intercedem por nós (CIC §956).

A festa também é um convite. O Concílio Vaticano II ensinou que “os cristãos de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” (constituição dogmática Lumen Gentium, 40). A santidade é a vocação de todo batizado.

A Igreja não “fabrica” santos: veja a história da canonização dos santos, que apenas reconhece quem já está no céu. E pedir a ajuda deles é bíblico, como mostra a intercessão dos santos na Bíblia.

Santos de todos os estados de vida adorando a Santíssima Trindade, o quadro de Todos os Santos de Dürer
Adoração da Santíssima Trindade (Retábulo Landauer, o "quadro de Todos os Santos"), de Albrecht Dürer (1511). Imagem: Albrecht Dürer, domínio público, via Wikimedia Commons

Como surgiu a festa de Todos os Santos

Cada Igreja celebrava os seus mártires no aniversário da morte; com as perseguições, eles ficaram numerosos demais e surgiram celebrações comuns. A festa romana se formou em três passos:

  1. Em 13 de maio de 609 ou 610, o papa Bonifácio IV dedicou o Panteão de Roma, antigo templo pagão, à Virgem Maria e a todos os mártires: Santa Maria ad Martyres.
  2. O papa Gregório III (731-741) consagrou na basílica de São Pedro um oratório dedicado a todos os santos, e é a ele que se liga a data de 1º de novembro.
  3. Por volta de 835, o papa Gregório IV estendeu a festa à Igreja inteira.
Interior do Panteão de Roma, dedicado por Bonifácio IV a Santa Maria e aos mártires em 609 ou 610
Interior do Panteão de Roma, de Giovanni Paolo Panini (c. 1734). Imagem: Giovanni Paolo Panini, domínio público, via Wikimedia Commons

As Igrejas bizantinas celebram Todos os Santos no domingo depois de Pentecostes, até hoje. É uma das diferenças de calendário entre a Igreja Católica e a Ortodoxa, que mais as une do que as separa. Mais detalhes no verbete da Catholic Encyclopedia sobre a festa de Todos os Santos.

As leituras da Missa e as bem-aventuranças

A primeira leitura (Ap 7,2-4.9-14) descreve os assinalados das tribos de Israel e, logo depois, a multidão de todas as nações, vestida de branco, diante do trono e do Cordeiro. São os que lavaram as vestes no sangue do Cordeiro (Ap 7,14).

Multidão de santos adorando o Cordeiro, a visão de Ap 7 lida na Missa de Todos os Santos
Adoração do Cordeiro Místico, painel do Retábulo de Gante, de Jan van Eyck (1432). Imagem: Jan van Eyck, domínio público, via Wikimedia Commons

A segunda (1Jo 3,1-3) lembra que já somos filhos de Deus. O Evangelho (Mt 5,1-12a) traz as bem-aventuranças: o retrato do santo desenhado pelo próprio Jesus.

As bem-aventuranças não são um programa para heróis, mas para discípulos. O branco dos paramentos, explicado no guia das cores litúrgicas e seu significado, lembra as vestes dos que venceram.

Jesus ensina as bem-aventuranças no monte, o Evangelho da solenidade de Todos os Santos
O Sermão da Montanha, de Carl Bloch (1877). Imagem: Carl Bloch, domínio público, via Wikimedia Commons

Igreja militante, padecente e triunfante

A tradição fala de três estados da única Igreja. O Catecismo ensina que, até a volta do Senhor, alguns discípulos peregrinam na terra, outros são purificados depois desta vida e outros já estão na glória, contemplando Deus uno e trino (CIC §954).

Estado da IgrejaQuem sãoOnde estãoComo nos unimos a eles
Igreja militanteOs fiéis que ainda vivemNa terra, em luta contra o pecadoRezamos uns pelos outros
Igreja padecenteAs almas do purgatórioEm purificação, já salvasOferecemos Missas, orações e indulgências
Igreja triunfanteOs santos, conhecidos e anônimosNo céu, vendo a Deus face a faceVeneramos sua memória e pedimos sua intercessão
Os três estados da única Igreja segundo a doutrina da comunhão dos santos (CIC §954-959)

Por isso 1º e 2 de novembro andam juntos, como mostra o verbete o que é o purgatório.

Bem-aventurados de todas as condições se abraçam no Paraíso, imagem da Igreja triunfante
O Paraíso, de Giovanni di Paolo (1445), Metropolitan Museum of Art. Imagem: Giovanni di Paolo, CC0, via Wikimedia Commons

Venerar os santos não é adorá-los. Adoramos só a Deus; aos santos damos honra como discípulos do Senhor (CIC §957). Veja se os católicos adoram imagens e a diferença entre católico e evangélico.

O que os santos contemplam é o Deus único em três Pessoas, o mistério explicado em o que é a Santíssima Trindade. O verbete o que é o céu resume: a vida perfeita em comunhão com a Trindade, com Maria, os anjos e todos os bem-aventurados (CIC §1024).

Santos e anjos dançam em roda no jardim do Paraíso, a alegria dos que já chegaram ao céu
O Paraíso, detalhe do tríptico do Juízo Final de Fra Angelico (século XV). Imagem: Fra Angelico (foto: Sailko), CC BY 3.0, via Wikimedia Commons

Todos os Santos e Finados: qual a diferença

Uma é festa de alegria pelos que já chegaram; a outra, oração pelos falecidos que talvez ainda se purifiquem. Leia também o Dia de Finados e a oração pelos mortos.

AspectoTodos os SantosFinados
Data1º de novembro (no Brasil, domingo seguinte se cair em dia de semana)2 de novembro
Quem é lembradoOs santos do céu, canonizados e anônimosTodos os fiéis defuntos
Estado da IgrejaIgreja triunfanteIgreja padecente
Como celebrarMissa, pedir a intercessão dos santos, buscar a santidadeMissa pelos mortos, visita ao cemitério, oração e indulgências
Todos os Santos x Finados: data, quem é lembrado, estado da Igreja e como celebrar

De 1º a 8 de novembro, quem visita um cemitério e reza pelos mortos pode lucrar indulgência plenária, aplicável só aos defuntos, nas condições habituais. O funcionamento está em o que são as indulgências.

E o Halloween? O nome vem do inglês All Hallows’ Eve, véspera de Todos os Santos: é a noite de 31 de outubro.

É dia de preceito? É feriado?

Pelo direito universal, Todos os Santos é festa de preceito (cân. 1246 §1). No Brasil, com aprovação da Santa Sé, quando 1º de novembro cai em dia de semana a solenidade passa para o domingo seguinte, e o preceito se cumpre na Missa dominical. Veja a lista completa dos dias santos de guarda no Brasil.

Em 2026, 1º de novembro é domingo, e a solenidade toma o lugar do domingo do Tempo Comum. Em 2027, como a data cai numa segunda-feira, a celebração passa para o domingo, 7 de novembro. Feriado nacional é Finados, não Todos os Santos.

O que se comemora no dia de Todos os Santos?

Comemoram-se todos os que já estão no céu, canonizados ou não, inclusive a multidão de santos anônimos que só Deus conhece (Ap 7,9). A solenidade celebra a comunhão dos santos (CIC §946-962) e lembra que todo batizado é chamado à santidade.

Como surgiu o dia de Todos os Santos?

Nasceu das festas comuns dos mártires. Bonifácio IV dedicou o Panteão a Santa Maria e aos mártires em 609 ou 610; Gregório III (731-741) consagrou em São Pedro um oratório a todos os santos, origem do 1º de novembro; Gregório IV estendeu a festa a toda a Igreja por volta de 835.

Qual a diferença entre Todos os Santos e Finados?

Em 1º de novembro a Igreja celebra os que já estão no céu e pede a sua intercessão. Em 2 de novembro reza por todos os fiéis defuntos, especialmente os que se purificam no purgatório. Uma é festa de louvor; a outra, dia de sufrágio pelos mortos.

Dia de Todos os Santos é feriado?

No Brasil, não: o feriado nacional é Finados, em 2 de novembro. Todos os Santos é solenidade litúrgica e, quando 1º de novembro cai em dia de semana, é celebrada no domingo seguinte. Em 2026 a data cai num domingo.

A solenidade de Todos os Santos é dia de preceito?

No direito universal, sim (cân. 1246 §1). No Brasil não é um preceito à parte: quando cai em dia de semana, passa para o domingo seguinte, e a obrigação se cumpre na Missa dominical. Em 2026, a Missa de domingo, 1º de novembro, já é a da solenidade.

Neste 1º de novembro, peça a intercessão de um santo querido e também dos que ninguém conhece. As orações aos santos do site ajudam a começar. Eles são a prova de que a graça vence em gente como nós.