COMPÊNDIO DO
CATECISMO DA
IGREJA CATÓLICA
PRIMEIRA PARTE
CREIO
EM JESUS CRISTO
27.CAPÍTULO SEGUNDO
Creio em Jesus Cristo, Filho único de Deus
É o anúncio de Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16,16), morto e ressuscitado. No tempo do rei Herodes e do imperador César Augusto, Deus realizou as promessas feitas a Abraão e à sua descendência, enviando seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que eram sujeitos à Lei, e todos nós recebêssemos a dignidade de filhos (Gl 4,4-5). 422 – 424
Desde o início, os primeiros discípulos tiveram o ardente desejo de anunciar Jesus Cristo, com o objetivo de levar todos à fé nele. Também hoje, do amoroso conhecimento de Cristo nasce o desejo de evangelizar e catequizar, ou seja, de ensinar o Cristo, desvendar na sua pessoa todo o desígnio de Deus e pôr a humanidade em comunhão com Ele. 425-429
E EM JESUS CRISTO, SEU FILHO ÚNICO, NOSSO SENHOR
Dado pelo Anjo no momento da Anunciação, o nome Jesus significa Deus salva. Ele exprime a sua identidade e a sua missão, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados (Mt 1,21). Pedro afirma que não existe debaixo do céu outro nome dado à humanidade pelo qual devamos ser salvos (At 4,12). 430-435 452
Cristo em grego, Messias em hebraico, significa ungido. Jesus é o Cristo porque está consagrado por Deus, ungido pelo Espírito Santo para a missão redentora. É o Messias esperado por Israel, enviado ao mundo pelo Pai. Jesus aceitou o título de Messias, esclarecendo, porém, seu sentido: Descido do céu (Jo 3,13), crucificado e depois ressuscitado, ele é o Servo Sofredor que dá sua vida em resgate por muitos (Mt 20,28). Do nome Cristo é que nos veio o nome de cristãos. 436-440 453.
É em sentido único e perfeito. No momento do Batismo e da Transfiguração, a voz do Pai designa Jesus como seu Filho bem-amado. Apresentando a si mesmo como o Filho que conhece o Pai (Mt 11,27), Jesus afirma a sua relação única e eterna com Deus, seu Pai. Ele é o Filho único de Deus (1Jo 4,9), a segunda Pessoa da Trindade. É o centro da pregação apostólica: os Apóstolos viram a sua glória, glória como do filho único da parte do Pai (Jo 1,14). 441-445 454
Na Bíblia, esse título designa habitualmente Deus Soberano. Jesus o atribui a si mesmo e revela a sua soberania divina mediante o seu poder sobre a natureza, sobre os demônios, sobre o pecado e sobre a morte, sobretudo com a sua Ressurreição. As primeiras confissões cristãs proclamam que o poder, a honra e a glória devidos a Deus Pai o são também a Jesus: Deus lhe deu o Nome que está acima de todo nome (Fl 2,9). Ele é o Senhor do mundo e da história, o único a quem o homem deve submeter totalmente a própria liberdade pessoal. 446-451 455
JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO
PELO PODER DO ESPÍRITO
SANTO,
NASCEU DA VIRGEM MARIA
O Filho de Deus encarnou-se no seio da Virgem Maria por obra do Espírito Santo, por nós homens e para nossa salvação, ou seja, para reconciliar a nós, pecadores, com Deus; para nos fazer conhecer o seu amor infinito; para ser o nosso modelo de santidade; para nos fazer participantes da natureza divina (2Pd 1,4). 456-460
A Igreja chama de Encarnação o Mistério da admirável união da natureza divina e da natureza humana na única Pessoa divina do Verbo. Para realizar a nossa salvação, o Filho de Deus se fez carne (Jo 1,14), tornando-se verdadeiramente homem. A fé na Encarnação é sinal distintivo da fé cristã. 461-463 483
Jesus é inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro homem na unidade da sua Pessoa divina. Ele, o Filho de Deus, que é gerado, não criado, da mesma substância do Pai, fez-se verdadeiramente homem, nosso irmão, sem com isso deixar de ser Deus, nosso Senhor. 464-467 469
O Concílio de Calcedônia ensina a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito em sua divindade e perfeito em sua humanidade; verdadeiro Deus e verdadeiro homem, composto de alma racional e de corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial a nós segundo a humanidade, ‘semelhante a nós em tudo, com exceção do pecado’ (Hb 4,15); gerado pelo Pai antes de todos os séculos segundo a divindade e, nestes últimos dias, para nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, Mãe de Deus, segundo a humanidade. 467
Exprime-o afirmando que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, com duas naturezas, a divina e a humana, não confusas, mas unidas na Pessoa do Verbo. Portanto, na humanidade de Jesus, tudo – milagres, sofrimento, morte – deve ser atribuído à sua Pessoa divina, que age por meio da natureza humana assumida. 464-469 479-481 ?
Ó Filho único e Verbo de Deus, tu que és imortal, pela nossa salvação te dignaste encarnar-te no seio da santa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria (…). Tu que és Um da Santa Trindade, glorificado com o Pai e o Espírito Santo, salva-nos! (Liturgia Bizantina de São João Crisóstomo).
O Filho de Deus assumiu um corpo animado por uma alma racional humana. Com a sua inteligência humana, Jesus aprendeu muitas coisas pela experiência. Mas também como homem, o Filho de Deus tinha um conhecimento íntimo e imediato de Deus, seu Pai. Penetrava igualmente nos pensamentos secretos dos homens e conhecia plenamente os desígnios eternos que ele viera revelar. 470-474 482
Jesus tem uma vontade divina e uma vontade humana. Na sua vida terrena, o Filho de Deus quis de modo humano o que decidiu de modo divino com o Pai e o Espírito Santo para a nossa salvação. A vontade humana de Cristo segue, sem oposição nem resistência, a vontade divina, ou melhor, está a ela subordinada. 475 482
Cristo tinha assumido um verdadeiro corpo humano por meio do qual Deus invisível se tornou visível. Por essa razão, Cristo pode ser representado e venerado nas santas imagens. 476-477
Jesus nos conheceu e nos amou com um coração humano. O seu Coração traspassado para a nossa salvação é o símbolo daquele infinito amor com o qual ele ama o Pai e cada um dos homens. 478
Significa que a Virgem Maria concebeu o Filho eterno no seu seio por obra do Espírito Santo e sem a colaboração de homem: O Espírito Santo descerá sobre ti (Lc 1,35), disse-lhe o Anjo, na Anunciação. 484-486
Maria é verdadeiramente Mãe de Deus porque é a mãe de Jesus (Jo 2,1; 19,25). Com efeito, aquele que foi concebido por obra do Espírito Santo e que se tornou verdadeiramente seu Filho é o Filho eterno de Deus Pai. Ele mesmo é Deus. 495 509
Deus escolheu gratuitamente Maria desde toda a eternidade para que fosse a Mãe de seu Filho: para realizar essa missão, foi concebida imaculada. Isso significa que, por graça de Deus e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Maria foi preservada do pecado original desde sua concepção. 487-492 508
Pela graça de Deus, Maria ficou imune de todo pecado pessoal durante toda a sua existência. É a cheia de graça (Lc 1,28), a Toda Santa. Quando o Anjo lhe anuncia que daria à luz o Filho do Altíssimo (Lc 1,32), ela dá livremente o próprio assentimento com a obediência da fé (Rm 1,5). Maria se oferece totalmente à Pessoa e à obra do seu Filho Jesus, abraçando com toda a alma a vontade divina de salvação. 493-494 508-511
Significa que Jesus foi concebido no seio da Virgem apenas pelo poder do Espírito Santo, sem intervenção do homem. Ele é Filho do Pai celeste segundo a natureza divina e Filho de Maria segundo a natureza humana, mas propriamente Filho de Deus nas duas naturezas, havendo nele uma só Pessoa, a divina. 496-498 503
No sentido de que ela permaneceu Virgem ao conceber seu Filho, Virgem ao dá-lo à luz, Virgem ao carregá-lo, Virgem ao alimentá-lo no seu seio, Virgem sempre (santo Agostinho). Portanto, quando os Evangelhos falam de irmãos e irmãs de Jesus, trata-se de parentes próximos de Jesus, segundo uma expressão usada na Sagrada Escritura. 499-507 510-511
Maria tem um único Filho, Jesus, mas nele a sua maternidade espiritual se estende a todos os homens que ele veio salvar. Obediente ao lado do novo Adão, Jesus Cristo, a Virgem é a nova Eva, a verdadeira mãe dos vivos, que coopera com amor de mãe para o nascimento deles e para a formação deles na ordem da graça. Virgem e Mãe, Maria é a figura da Igreja, a mais perfeita realização dela. 501-507 511
Toda a vida de Cristo é evento de revelação: o que é visível na vida terrena de Jesus leva a seu Mistério invisível, sobretudo ao Mistério da sua filiação divina: quem me vê, vê o Pai (Jo 14,9). Além disso, embora a salvação venha em plenitude da cruz e da ressurreição, a vida inteira de Cristo é Mistério de salvação, porque tudo o que Jesus fez, disse e sofreu tinha como objetivo salvar o homem decaído e restaurá-lo na sua vocação de filho de Deus. 512-521 561-562
Em primeiro lugar, há uma longa esperança que durou por muitos séculos, que nós revivemos durante a celebração litúrgica do tempo de Advento. Além da obscura expectativa que pôs no coração dos pagãos, Deus preparou a vinda do seu Filho por meio da Antiga Aliança, até João Batista, que é o último e o maior dos profetas. 522-524
No Natal, a glória do Céu se manifesta na fraqueza de uma criança; a circuncisão de Jesus é sinal da sua inserção no povo hebraico e prefiguração do nosso Batismo; a Epifania é a manifestação do Rei-Messias de Israel a todas as nações; na sua apresentação no templo, em Simeão e Ana é toda a espera de Israel que vem ao encontro do seu Salvador; a fuga para o Egito e a matança dos inocentes anunciam que toda a vida de Cristo estará sob o sinal da perseguição; a sua volta do Egito lembra o Êxodo e apresenta Jesus como o novo Moisés: é ele o verdadeiro e definitivo libertador. 525-530 563-564
Durante a vida oculta em Nazaré, Jesus permanece no silêncio de uma existência comum. Permite-nos assim estar em comunhão com ele na santidade de uma vida quotidiana feita de oração, de simplicidade, de trabalho, e amor filial. A sua submissão a Maria e a José, seu pai putativo, é uma imagem da sua obediência filial ao Pai. Maria e José, com sua fé, acolhem o Mistério de Jesus, embora sem o compreender sempre. 533-534 564
Para dar início à sua vida pública e antecipar o Batismo da sua morte: aceita assim, embora estivesse sem pecado, ser contado entre os pecadores, ele, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1,29). O Pai o proclama seu Filho amado (Mt 3,17) e o Espírito desce sobre ele. O batismo de Jesus é a prefiguração do nosso batismo. 535-537 565
As tentações de Jesus no deserto recapitulam a de Adão no paraíso e as de Israel no deserto. Satanás tenta Jesus na obediência dele à missão que o Pai lhe confiara. Cristo, novo Adão, resiste e a sua vitória anuncia a da sua paixão, suprema obediência do seu amor filial. A Igreja se une em particular a esse Mistério no tempo litúrgico da Quaresma. 538-540 566
Jesus convida todos os homens a fazerem parte do Reino de Deus. Também o pior pecador é chamado a se converter e a aceitar a infinita misericórdia do Pai. O Reino pertence, já aqui na terra, aos que o acolhem com coração humilde. É a eles que são revelados os seus Mistérios. 541-546 567
Jesus acompanha a sua palavra com sinais e milagres para atestar que o Reino está presente nele, o Messias. Embora ele cure algumas pessoas, não veio para eliminar todos os males nesta terra, mas para nos libertar antes de mais nada da escravidão do pecado. A expulsão dos demônios anuncia que a sua cruz será vitoriosa sobre o príncipe deste mundo (Jo 12,31). 547-550 567
Jesus escolhe os Doze, futuras testemunhas da sua Ressurreição, e os faz partícipes da sua missão e da sua autoridade para ensinar, absolver os pecados, edificar e reger a Igreja. Nesse colégio, Pedro recebe as chaves do Reino (Mt 16,19) e ocupa o primeiro lugar, com a missão de guardar a fé na sua integridade e de confirmar os seus irmãos. 551-553 567
Na Transfiguração mostra-se antes de mais nada a Trindade: O Pai na voz, o
Filho no homem, o Espírito na nuvem clara (Santo Tomás de Aquino). Ao evocar
com Moisés e Elias a sua partida (Lc 9,31), Jesus mostra que a sua glória
passa pela cruz e dá antecipação da sua ressurreição e da sua gloriosa vinda,
que transformará o nosso pobre corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo
glorioso (Fl 3,21). 554-556 568
“Tu te transfiguraste na montanha e, na medida em que
eram capazes, os teus discípulos contemplaram a tua Glória, Cristo Deus, a fim
de que, quando te vissem crucificado, compreendessem que a tua Paixão era
voluntária e anunciassem ao mundo que és verdadeiramente a irradiação do Pai”
(Liturgia Bizantina).
No tempo estabelecido, Jesus decide subir a Jerusalém para sofrer a sua paixão, morrer e ressuscitar. Como Rei Messias que manifesta a vinda do Reino, ele entra na sua cidade montado em um jumento. É acolhido pelos pequenos, cuja aclamação é retomada no Sanctus eucarístico: Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana (salva-nos) (Mt 21,9). A liturgia da Igreja dá início à Semana Santa com a celebração dessa entrada em Jerusalém. 557-560 569s570
JESUS CRISTO PADECEU SOB PÔNCIO PILATOS, FOI CRUCIFICADO, MORTO E SEPULTADO
O Mistério pascal de Jesus, que compreende a sua paixão, morte, ressurreição e glorificação, está no centro da fé cristã, porque o desígnio salvífico de Deus se realizou uma vez por todas com a morte redentora do seu Filho, Jesus Cristo. 571-573
Alguns chefes de Israel acusaram Jesus de agir contra a Lei, contra templo de Jerusalém e em particular contra a fé no Deus único, porque Ele se proclamava Filho de Deus. Por isso o entregaram a Pilatos, para que o condenasse à morte. 574-576
Jesus não aboliu a Lei dada por Deus a Moisés no Sinai, mas deu-lhe cumprimento ao lhe dar a interpretação definitiva. É o Legislador divino que, executa integralmente essa Lei. Além disso, ele, o Servo fiel, oferece com a sua morte expiadora o único sacrifício capaz de redimir todas as transgressões cometidas no decorrer da primeira Aliança (Hb 9,15). 577-582 592
Jesus foi acusado de hostilidade em relação ao Templo. Todavia, respeitou-o como casa do seu Pai (Jo 2,16) e ali proferiu uma parte importante do seu ensinamento. Mas também predisse a destruição dele, numa relação com a própria morte, e se apresentou ele mesmo como a casa definitiva de Deus em meio aos homens. 583-586 593
Jesus jamais contradisse a fé num Deus único, nem mesmo quando realizava a obra divina por excelência que cumpria as promessas messiânicas e o revelava igual a Deus: o perdão dos pecados. O pedido de Jesus de crer nele e de se converter permite entender a trágica incompreensão do Sinédrio que considerou Jesus digno de morte porque blasfemador. 587-591 594
A paixão e a morte de Jesus não podem ser imputadas indistintamente nem a todos os judeus então vivos nem aos outros judeus vindos depois, no tempo e no espaço. Cada um dos pecadores, ou seja, todo homem, é realmente causa e instrumento dos sofrimentos do Redentor mais gravemente culpados são aqueles, sobretudo se cristãos, que mais vezes caem de novo no pecado ou se deleitam nos vícios. 595-598
Para reconciliar consigo todos os homens destinados à morte por causa do pecado, Deus tomou a iniciativa amorosa de enviar seu Filho para que se entregasse à morte pelos pecadores. Anunciada no Antigo Testamento, em particular como sacrifício do Servo sofredor, a morte de Jesus aconteceu segundo as Escrituras. 599-605 619
Toda a vida de Cristo é livre oferta ao Pai para cumprir o seu desígnio de salvação. Ele dá a vida em resgate por muitos (Mc 10,45) e desse modo reconcilia com Deus toda a humanidade. O seu sofrimento e a sua morte manifestam que a sua humanidade é o instrumento livre e perfeito do Amor divino que quer a salvação de todos os homens. 606-609 620
Na última Ceia com os Apóstolos, na vigília da paixão, Jesus antecipa, isto é, significa e realiza de modo antecipado a oferta voluntária de si mesmo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós (Lc 22,19), este é o meu sangue, que é derramado… (Mt 26,28). Ele institui assim ao mesmo tempo a Eucaristia como memorial (1Cor 11,25) do seu sacrifício e os seus Apóstolos como sacerdotes da nova Aliança. 610-611 621
Apesar do horror que causa a morte na humanidade toda santa daquele que é o Autor da Vida (At 3,15), a vontade humana do Filho de Deus adere à vontade do Pai: para nos salvar, Jesus aceita carregar os nossos pecados no seu corpo, fazendo-se obediente até a morte (Fl 2,8). 612
Jesus ofereceu livremente a sua vida em sacrifício expiatório, ou seja, reparou as nossas culpas com a obediência plena do seu amor até a morte. Esse amor até o fim (Jo 13,1) do Filho de Deus reconcilia com o Pai toda a humanidade. O sacrifício pascal de Cristo resgata, pois, os homens de modo único, perfeito e definitivo, e lhes abre a comunhão com Deus. 613-617 622-623
Chamando os seus discípulos a tomar a própria cruz e segui-lo, Jesus quer associar a seu sacrifício redentor aqueles que são seus primeiros beneficiários. 618
Cristo conheceu uma verdadeira morte e uma verdadeira sepultura. Mas o poder divino preservou o seu corpo da corrupção. 624-630
JESUS DESCEU AOS INFERNOS,
RESSUSCITOU DOS MORTOS NO TERCEIRO DIA
Os infernos – diferente do inferno da condenação – constituíam o estado de todos aqueles, justos e maus, que tinham morrido antes de Cristo. Com a alma unida à sua Pessoa divina, Jesus, nos infernos, esteve com os justos que esperavam o seu Redentor para entrar enfim na visão de Deus. Depois de ter vencido, mediante a sua morte, a morte e o diabo, que tinha o poder da morte (Hb 2,14), libertou os justos à espera do Redentor e lhes abriu as portas do Céu. 632-637
A Ressurreição de Jesus é a verdade culminante da nossa fé em Cristo e representa com a Cruz uma parte essencial do Mistério pascal. 631,638
Além do sinal essencial constituído pelo túmulo vazio, a Ressurreição de Jesus é atestada pelas mulheres que foram as primeiras a encontrar Jesus e o anunciaram aos Apóstolos. Jesus depois apareceu a Cefas, e depois aos Doze. Mais tarde apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez (1Cor 15,5-6) e a outros ainda. Os Apóstolos não puderam inventar a ressurreição, pois ela lhes parecia impossível: com efeito, Jesus até os reprovara pela incredulidade deles. 639-644 656-657
Mesmo sendo um acontecimento histórico, constatável e atestado por meio de sinais e testemunhos, a Ressurreição, como entrada da humanidade de Cristo na glória de Deus, transcende e supera a história, como mistério da fé. Por esse motivo, Cristo ressuscitado não se manifestou ao mundo, mas aos seus discípulos, fazendo deles suas testemunhas diante do povo. 647 656-657
A Ressurreição de Cristo não foi um retorno à vida terrena. O seu corpo ressuscitado é aquele que foi crucificado e carrega os sinais da sua Paixão, mas é agora participante da vida divina com as propriedades de um corpo glorioso. Por essa razão Jesus ressuscitado é soberanamente livre de aparecer aos seus discípulos como e onde quer e sob aspectos diferentes. 645-646
A Ressurreição de Cristo é uma obra transcendente de Deus. As três Pessoas agem juntas segundo o que lhes é próprio: o Pai manifesta o seu poder; o Filho retoma a vida que livremente ofereceu (Jo 10,17), reunindo a sua alma e o seu corpo, que o Espírito vivifica e glorifica. 648-650
A Ressurreição é o ápice da Encarnação. Ela confirma a divindade de Cristo, como também tudo o que Ele fez e ensinou, e realiza todas as promessas divinas a nosso favor. Além disso, o Ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, é o princípio da nossa justificação e da nossa Ressurreição: desde agora nos dá a graça da adoção filial que é real participação da sua vida de Filho único; depois, no final dos tempos, ele ressuscitará o nosso corpo. 651-655 658
JESUS SUBIU AOS CÉUS,
ESTÁ SENTADO
À DIREITA DE DEUS PAI TODO-PODEROSO
Depois de quarenta dias, período em que se mostrou aos Apóstolos sob os traços de uma humanidade comum que escondiam a sua glória de Ressuscitado, Cristo sobe aos céus e se senta à direita do Pai. Ele é o Senhor que reina agora com a sua humanidade na glória eterna de Filho de Deus e intercede incessantemente a nosso favor junto ao Pai. Envia-nos o seu Espírito e nos dá a esperança de estar com ele um dia, tendo-nos preparado um lugar. 659-667
DONDE VIRÁ JULGAR OS VIVOS E OS MORTOS
Senhor do cosmo e da história, Cabeça da sua Igreja, Cristo glorificado permanece misteriosamente na terra, onde o seu reino já está presente como germe e início na Igreja. Um dia voltará na glória, mas não sabemos o momento. Por isso, vivemos na vigilância, orando: Vem, Senhor Jesus (Ap 22,20). 668-674 680
Depois do último abalo cósmico deste mundo que passa, a vinda gloriosa de Cristo acontecerá com o triunfo definitivo de Deus na Parusia de Cristo e com o último Juízo. Realizar-se-á assim o Reino de Deus. 675-677 680
Cristo julgará com o poder que adquiriu como Redentor do mundo, que veio para salvar os homens. Os segredos dos corações serão revelados, bem como a conduta de cada um em relação a Deus e ao próximo. Todo homem será repleto de vida ou condenado pela eternidade, de acordo com suas obras. Assim se realizará a plenitude de Cristo (Ef 4,13), na qual Deus será tudo em todos (1Cor 15,28). 678-679 681-682