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Os 21 concílios ecumênicos: lista completa e o que decidiram

Ícone do Concílio de Niceia, o primeiro dos concílios ecumênicos, com bispos reunidos

Ao longo de vinte séculos, a Igreja Católica reuniu 21 concílios ecumênicos: assembleias solenes de bispos do mundo inteiro, em comunhão com o Papa, que definiram a fé e corrigiram a disciplina nos momentos mais graves da história cristã.

Muita gente sabe o nome de Niceia, Trento ou Vaticano II, mas poucos conhecem a lista inteira. A seguir você encontra todos eles, com datas, Papas e decisões, e entende por que só alguns são aceitos pelos ortodoxos.

Resposta rápida

Quantos concílios ecumênicos a Igreja Católica teve?

A Igreja Católica reconhece 21 concílios ecumênicos, de Niceia I (325) ao Vaticano II (1962-1965). Um concílio é ecumênico quando reúne o colégio dos bispos de toda a Igreja e é convocado, ou ao menos confirmado, pelo sucessor de Pedro (CIC §884). Os ortodoxos aceitam apenas os sete primeiros.

O que torna um concílio “ecumênico”

“Ecumênico” vem do grego oikoumene, a terra habitada. Não basta reunir muitos bispos: o concílio precisa representar o colégio episcopal inteiro, unido à sua cabeça. O Catecismo ensina que não existe concílio ecumênico que não seja confirmado ou pelo menos aceito pelo Romano Pontífice (CIC §884).

O Código de Direito Canônico detalha a regra nos cânones 337 a 341. Só o Papa convoca, preside, transfere ou dissolve o concílio, e os decretos só obrigam depois de aprovados e promulgados por ele. Quando define doutrina junto com o Papa, o concílio goza da infalibilidade prometida à Igreja (CIC §891), tema desenvolvido no verbete sobre o Magistério da Igreja e sua autoridade.

Lista dos 21 concílios ecumênicos

A tabela segue a numeração tradicional. Os nomes dos Papas ajudam a situar cada concílio na lista completa dos 268 Papas da história. Os textos latinos de vários deles estão no arquivo de concílios do site do Vaticano.

NºConcílioAnoPapaPrincipal decisão
1Niceia I325Silvestre IFilho consubstancial ao Pai, contra Ário
2Constantinopla I381Dâmaso IDivindade do Espírito Santo; Credo completado
3Éfeso431Celestino IMaria, Mãe de Deus, contra Nestório
4Calcedônia451Leão MagnoDuas naturezas em uma só Pessoa
5Constantinopla II553VigílioCondenação dos Três Capítulos
6Constantinopla III680-681AgatãoDuas vontades em Cristo, contra o monotelismo
7Niceia II787Adriano ILegitimidade da veneração das imagens
8Constantinopla IV869-870Adriano IIDeposição de Fócio
9Latrão I1123Calisto IIFim da questão das investiduras
10Latrão II1139Inocêncio IIFim de um cisma; disciplina do clero
11Latrão III1179Alexandre IIIEleição do Papa por dois terços dos cardeais
12Latrão IV1215Inocêncio IIITransubstanciação; confissão e comunhão anuais
13Lyon I1245Inocêncio IVDeposição do imperador Frederico II
14Lyon II1274Gregório XUnião breve com os gregos; regras do conclave
15Vienne1311-1312Clemente VSupressão dos Templários
16Constança1414-1418Martinho VFim do Grande Cisma do Ocidente
17Basileia-Ferrara-Florença1431-1445Eugênio IVUnião com gregos, armênios e coptas
18Latrão V1512-1517Júlio II e Leão XImortalidade da alma individual
19Trento1545-1563Paulo III a Pio IVResposta à Reforma: cânon, justificação, sacramentos
20Vaticano I1869-1870Pio IXPrimado e infalibilidade do Papa
21Vaticano II1962-1965João XXIII e Paulo VIIgreja, Revelação, liturgia e mundo moderno
Os 21 concílios universais reconhecidos pela Igreja Católica, com data, Papa e decisão central

Primeiro milênio: os concílios que definiram Cristo

Os oito primeiros concílios responderam a heresias sobre a Trindade e a Pessoa de Cristo. Ário negava a divindade do Filho; Nestório separava o homem Jesus do Verbo; os monofisitas absorviam a humanidade na divindade. O panorama dessas disputas está em as grandes heresias dos primeiros séculos.

Esboço do Concílio de Éfeso, que proclamou Maria Mãe de Deus em 431
Concílio de Éfeso, esboço de Joseph Wannenmacher (século XVIII). Imagem: Joseph Wannenmacher, domínio público, via Wikimedia Commons

Em Éfeso, Maria foi proclamada Theotokos, Mãe de Deus, como mostra o artigo sobre o Concílio de Éfeso e o título de Mãe de Deus. É a raiz do primeiro dos quatro dogmas marianos.

Pintura do Concílio de Calcedônia, que definiu as duas naturezas de Cristo
Quarto Concílio Ecumênico de Calcedônia, pintura de 1876. Imagem: Vasily Surikov, domínio público, via Wikimedia Commons

Em Calcedônia, os bispos leram a carta de São Leão Magno e a acolheram como expressão da fé de Pedro. O episódio desmente quem afirma que a Igreja Católica teria começado em 381 com Teodósio.

Idade Média: os concílios do Ocidente

Depois do cisma de 1054, os concílios passaram a ser celebrados no Ocidente, sobretudo no Latrão, em Roma. Trataram da liberdade da Igreja diante dos príncipes, da reforma do clero e da eleição papal.

Manuscrito medieval de Matthew Paris representando o IV Concílio de Latrão
IV Concílio de Latrão (1215), ilustração de Matthew Paris na Chronica Majora. Imagem: Matthew Paris, domínio público, via Wikimedia Commons

O Latrão IV (1215) usou o termo “transubstanciação” e mandou confessar e comungar ao menos uma vez por ano. Constança encerrou o Grande Cisma do Ocidente, quando três homens disputavam a tiara, episódio explicado em os antipapas e a Igreja. Florença selou, em 1439, uma união com os gregos que não durou.

De Trento ao Vaticano II

Trento respondeu à Reforma protestante: fixou o cânon das Escrituras, ensinou a justificação pela graça com a cooperação humana, confirmou os sete sacramentos e o caráter sacrificial da Missa. Dele nasceu o Missal de 1570, base do rito tridentino da Missa.

Pintura da sessão do Concílio de Trento, resposta católica à Reforma
O Concílio de Trento, de Pasquale Cati (1588). Imagem: Pasquale Cati, domínio público, via Wikimedia Commons

O Vaticano I aprovou duas constituições dogmáticas: a constituição Dei Filius sobre fé e razão e a constituição Pastor Aeternus sobre o primado do Papa. Sobre a acusação de que a infalibilidade papal teria sido inventada em 1870, o site tem uma resposta própria.

Assembleia dos padres do Concílio Vaticano I na Basílica de São Pedro
Sessão do Concílio Vaticano I na Basílica de São Pedro (1869-1870). Imagem: ignote, domínio público, via Wikimedia Commons

O Vaticano II não definiu dogmas novos. Seus 16 documentos incluem a constituição Lumen Gentium sobre a Igreja e a constituição Dei Verbum sobre a Revelação. Bento XVI pediu que fosse lido em continuidade com a Tradição, como explica o texto sobre a hermenêutica da continuidade do Concílio.

Por que os ortodoxos aceitam só sete

Ícone do Concílio de Niceia II, o último aceito pelas Igrejas ortodoxas
Sétimo Concílio Ecumênico (Niceia II, 787), ícone ortodoxo. Imagem: Симон Ушаков (?), domínio público, via Wikimedia Commons

As Igrejas ortodoxas reconhecem os sete concílios celebrados antes da ruptura com Roma, de Niceia I a Niceia II. Constantinopla IV depôs Fócio, que o Oriente venera como santo, e alguns ortodoxos contam outro sínodo de 879-880 como oitavo.

Os concílios seguintes, reunidos sob a autoridade do Papa, ficam de fora porque o Oriente separado não aceita o primado romano. As diferenças estão em o que separa a Igreja Católica da Ortodoxa e no tema da sucessão apostólica dos bispos.

Concílio ecumênico, sínodo e concílio regional

Nem toda reunião de bispos é um concílio ecumênico. O Concílio de Hipona de 393 e o cânon bíblico, por exemplo, foi um concílio regional africano.

AssembleiaQuem participaAutoridadeExemplo
Concílio ecumênicoTodos os bispos com o PapaSuprema; pode definir dogmasTrento, Vaticano I
Sínodo dos BisposBispos delegadosConsultiva, salvo concessão do PapaAssembleias desde 1967
Concílio particularBispos de uma regiãoLocal, sujeita a RomaHipona (393), Cartago (397)
Diferenças entre concílio ecumênico, Sínodo dos Bispos e concílio regional

Quantos concílios a Igreja Católica teve?

A Igreja Católica reconhece 21 concílios universais, chamados ecumênicos. O primeiro foi Niceia I, em 325, e o mais recente o Vaticano II, de 1962 a 1965. Houve também centenas de concílios regionais e sínodos locais, mas estes não têm autoridade sobre a Igreja inteira.

Qual foi o primeiro concílio ecumênico?

Foi o Concílio de Niceia, em 325, no tempo do Papa Silvestre I. Os bispos condenaram Ário, que negava a divindade de Cristo, e professaram que o Filho é consubstancial ao Pai. Ali nasceu a primeira parte do Credo que rezamos na Missa.

O Concílio de Jerusalém (At 15) conta como ecumênico?

Não entra na numeração dos 21, mas é o modelo de todos eles: os apóstolos e anciãos se reuniram, Pedro falou primeiro e a decisão foi apresentada como do Espírito Santo e da Igreja. Veja quem presidiu o Concílio de Jerusalém.

O que o Vaticano II decidiu?

O Vaticano II não proclamou novos dogmas. Promulgou 16 documentos: quatro constituições, entre elas Lumen Gentium e Dei Verbum, nove decretos e três declarações. Tratou da natureza da Igreja, da Revelação, da reforma litúrgica, do ecumenismo e da relação com o mundo moderno.

Os concílios ecumênicos mostram uma Igreja que não inventa a fé, mas a guarda e a explica diante de cada erro. Para entender os documentos que saíram deles, leia o guia sobre a diferença entre encíclica, constituição e bula.